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segunda-feira, 31 de dezembro de 2012

Happy New Year 2013

I wish you a fuckin´ happy new year. Tonight its my last day on Earth... this year.

domingo, 30 de dezembro de 2012

I´m sexy. I´m the silence.

Poesia de uma morte anunciada

É difícil escrever em poesia. Hoje tento mas não consigo. Noutros tempos com maior facilidade as rimas saiam-me naturalmente. Já não consigo. Isso entristece-me. As palavras eram usadas como plasticina, moldava-as a meu belo prazer. Perdi vocabulário e imaginação. Tornei-me num ser obtuso e fechado. Quero-me libertar através das palavras e sinto-me incapaz. Chego ao ponto de pensar na ortografia. Não faltará muito para dar erros. Será a escrita uma manifestação da vida. Da minha vida pequenina e sem sentido. Antes sentava-me e conseguia descrever sentimentos, emoções e vivências. Hoje envolto em negrume as palavras, frases e nexo desapareceram. Tento, mas sou incapaz. Quando penso que volto a cantar sentimentos a imaginação esfuma-se. Perdi qualidades, perdi inteligência, perdi sensibilidade. Aos poucos transformo-me numa pedra suja de arestas irregulares. Não sirvo para nada. Talvez pisa-papéis. Quero escrever e não tenho tema, não tenho alma. Fico com falta de ar, a cabeça pesada, o olhar estupidificado em frente ao espelho, transformo-me em areia sem que os outros dêem conta. Quero escrever, mas tudo o que daqui flui é abstruso, sem sentido, de vago significado. Estou em declínio. Perco interesse por tudo. Não tenho objectivos, não tenho agilidade, estou indolente perante tudo e tudo se torna rotina. Quando o dinheiro acabar não sei o que faça. Talvez deambular, ir com o Circo por essa Europa fora. Preciso de estímulos. Aqui fechado em 4 paredes, rodeado de livros que já não sei ler e de músicas que já não sei ouvir, murcho. Alguém que me regue. O amor é o alimento da alma. Preciso de amar. Preciso de dar. Preciso de entrega, da minha e da tua. Ninguém. Tento escrever em poesia mas sai-me prosa de fraca qualidade. Envelheço e perco-me no meu próprio ser. Não encontro a porta da rua. Visto as meias desemparelhadas, as boxers ao contrário, os sapatos trocados, os botões da camisa abotoados de forma errónea. Estou senil. Vejo as fotografias de outrora aqui e ali espalhadas e não reconheço as pessoas, os lugares onde gostaria de estar, porque não me recordo. Esqueço-me de tudo. Coloco post-its pelos locais onde vou percorrendo com setas para encontrar o caminho de volta. Se algum engraçado os rouba desgraça-me que não chego a destino certo. E tudo porque no meu íntimo perdi o amor. E ninguém vive sem amor. Quando este desaparece a vida deixa de ter significado. Desaparecem a família, os amigos, os conhecidos porque a falta de amor cega. Deixamos de ver as pessoas à nossa volta. Tornamos-nos em seres petrificados, de arestas sujas, que de nada servem. Nem para fazer parte de uma calçada portuguesa. Não nos encaixamos.  Quero escrever em poesia e não consigo. Tento recordar a minha idade. Não consigo. Mas sinto-me com 90 anos. Mais. Conheço pessoas com 90 anos com vida mais produtiva que a minha. Mais amada. Chega-se a um ponto em que deixamos de usar relógio e calendário. Ultimamente tenho-me esquecido do relógio de pulso. Será um prenúncio de morte. É difícil escrever em poesia. Não consigo enquanto o amor não voltar verdadeiramente a abraçar-me.

sábado, 29 de dezembro de 2012

Fear of Death

Estou sentado ao computador a pensar no abstracto. O candeeiro de lava pulsa bolinhas vermelhas que me desviam o olhar. Penso neste ano que passou. Tive momentos de enorme alegria mas o balanço este ano é muito negativo. As rupturas são sempre negativas especialmente quando ocorrem com as pessoas amadas. 2012 foi de facto, para mim, um ano infeliz. O contraste com 2010 é brutal. Um foi de união, de procura, de partilha... 2012 foi de disrupção, de fuga, de separação. As reflexões realizo-as frequentemente, mas olhar para trás neste marco artificial que é o final de ano é sempre um bom exercício. De repente surgiu-me um imenso medo da morte, da minha morte. Não são temas que pensemos muitas vezes ou morreríamos muito antes de realmente morrermos. Mas dei por mim a pensar nas pessoas que deixarei para trás, dos momentos não vividos, das palavras não proferidas, dos objectivos pessoais e profissionais qua ainda não atingi. É angustiante pensar num blackout total. Na quantidade de coisas que irei perder. As cores da vida. A luz, a música, a cumplicidade com os filhos, com os amigos, com a família, contigo... será. Tenho medo. Tenho medo da minha morte e das pessoas de quem gosto. Todos os dias morrem pessoas. Todos os dias um universo inteiro de vivências se apaga. Será que realmente não passamos disto. E não passamos. Somos energia que se esgota. Daqui a uns anos ninguém se lembrará de nós. Ficam alguns nomes marcados na humanidade, mas mesmo esses daqui a 1 milhão de anos ninguém recordará. Tudo isto é estranho. A vida, a morte... a sua passagem. Foi algo que nunca pensei muito e hoje dei por mim a martirizar-me como se não passasse desta noite. Como se fosse uma despedida... E se eu morro quando tenho os meus filhos comigo. Que pensamento tristemente doentio. Vou respirar fundo e sair daqui...

Surprise


quinta-feira, 27 de dezembro de 2012

Closer

De facto sou um melómano. Gosto de todos os géneros musicais, embora não goste de tudo o que se faz dentro de todos os géneros musicais. Mas não consigo conceber a minha vida sem banda sonora. E no entanto conseguia bem viver a preto e branco. Aliás, tudo fica bonito a preto e branco. A música que se segue é da responsabilidade de uns senhores que lamento imenso já se separaram e nunca tive oportunidade de os ver ao vivo. Foda-se.

Better Than This

Nunca se está bem e é-se dificilmente compreendido. O amor traz sofrimento e é pernicioso. Tomei algumas decisões muito antes daquela madrugada. Para ti não, a dúvida metódica paira no ar. Para ti tu serás sempre a minha segunda opção. E quanto a isso não consigo argumentar. Não se podem mudar pensamentos quando as raízes estão profundas no íntimo da mente. A cegueira cortical é o pior dos inimigos do amor. E contra esta ele é impotente. A surdez cortical é o outro par. Podem-se proferir muitas palavras ou poucas palavras, bonitas ou feias, mas quando elas não são ouvidas de nada servem. É um contrasenso quando aquilo que se escreve às vezes não parece sentido. Ou o que se sente fica perdido entre as sinapses antes conseguir chegar ao papel. De um momento para outro o desequilíbrio brota novamente. Surgem as velhas acusações, os velhos medos, as velhas ameaças, os velhos, as velhas... enfim tudo o que corroí por dentro. Quando tudo não passam de artifícios para negar sentimentos. De facto we can be better than this só que às vezes não parece querermos. Chega-se a um ponto em que tudo é valorizado menos o mais importante. Valorizam-se locais, idiomas, amigos, conhecidos, uns hipócritas, outros não, pormenores, generalidades, quando aquilo que se nos apresenta de uma forma nua, não dissimulada, transparente - o amor - é posto em causa, porque sim. Porque quando estamos habituados à maldade tudo o que é puro nos parece bom demais. Só pode ser mentira. Será que no estado em que estamos será possível esvaziar o coração de sentimentos negativos e aceitarmos o outro tal como ele é e não como nós esperamos que ele seja. Este ano de 2012 está de facto a chegar ao fim e o balanço não o consigo fazer. Foi um ano de profundas tristezas e quando parece que 2013 pode ser diferente o gémeo mau tenta apoderar-se daquilo que o rodeia.

segunda-feira, 24 de dezembro de 2012

Quando a Ficha Cai.

Estou de saída de banco e por isso mais sensível. É um facto, as saídas de banco são sempre fenómenos de hipersensibilidade, tal como as ressacas. Não obstante aquilo que achamos que é simples e que não nos faz mossa não é bem assim. Quando caiem as defesas as lágrimas vêem atrás. Cheguei a casa, vazia, fria e longe do calor humano que tanto anseio. Os pássaros a única companhia viva nesta véspera de Natal. Passei pela casa dos meus filhotes para lhes dar um beijinho e lhes desejar Feliz Natal. A seguir passei pelo supermercado para comprar algo que se coma. As famílias felizes de fato de treino passeavam-se entre as últimas compras. Eu fiquei-me por um polvo a lagareiro, arroz de pato, 4 sonhos gigantes e uma embalagem de Ben&Jerry´s. E claro está o néctar divino. Que se foda, gastei uma fortuna num Cartuxa para beber sozinho. Deprimente eu sei, pode ser que tenha um efeito hipnótico e me faça adormecer cedo até amanhã de manhã quando todo este inferno natalício tiver passado. Estive a embrulhar os presentes com que vou presentear a minha família. Livros e música, aquilo que mais prazer me dá oferecer e também receber. Esqueçam os perfumes e os pullovers de losangos. Se me querem ver feliz tentem descobrir os meus gostos literários e musicais. O meu Olive debitava The Strokes enquanto os olhos se humedeciam, porque de facto caiu-me a ficha. Posso fingir que não estou triste e sozinho, posso fingir que é um dia como aos outros, mas na realidade sinto-me um farrapo. É nestas alturas que uma pessoa põem questão a nossa própria existência. Se existem amigos, familiares, colegas, se somos queridos ou se a nossa morte passaria em vão após duas ou três palavras de apreço aos mais próximos. Os meus pêsames, sem muito mais a dizer. Doí-me a axila direita, enfiei na cabeça que se calhar tenho mesmo um tumor do pulmão fruto de anos e anos de estupidez. E não deixo de fumar. É inteligente, sobretudo quando vindo de um médico. Quando se chega a um ponto em que a rotina se resume a casa-trabalho-casa devemos repensar a nossa existência. Não podia deixar de escrever. O meu escape, a minha libertação prende-se com estas palavras que poucas pessoas lêem ou apreciarão. Caiu-me a ficha, como já me caiu outras vezes. Mas esta é realmente a primeira vez que passo a consoada sozinho num prédio vazio onde as pessoas foram para santa terrinha em comunhão com as suas famílias. Antes tivesse estado de banco. Aí pelo menos era obrigado a conviver. Com sorte ainda me divertia com os choros dos recém-nascidos neste dia que comemorámos sempre ter a certeza do porquê. Também comprei um presente para ti. Não te vou dar. Mas tenho-o, embora seja teu. Mas isso nunca mais saberás. Hoje caiu-me a ficha e as lágrimas escorrem-me. Acho que vou abrir a garrafa de vinho antes do jantar. 

sábado, 22 de dezembro de 2012

Lonely Christmas

Há medida que vamos envelhecendo também os hábitos e vivências se vão modificando. Os dados nunca são adquiridos. Existem coisas que pensávamos impensáveis há uns anos e que se transformam em duras realidades mais tarde. É um dia como os outros já me responderam. Então porque é que nos juntamos todos à volta de uma mesa e pelo menos uma vez por ano sentimos que existe família e união. Este ano por vicissitudes da vida vai mesmo ser um dia igual aos demais. Tenho alguma esperança que dê algum filme de Natal na noite da consoada que me preencha a solidão e as saudades daqueles que este ano não a podem comigo passar. Não me posso esquecer de comprar jantar um dia antes ou corro o risco de, para além de sozinho, passar fome. Cozinhar não vai ser opção. O silêncio da casa arranjarei maneira de o violar. Tenho os pássaros para fazer barulho. Este ano não vou ver o Nighmare before Christmas que todos os anos nos tem acompanhado no Natal. Naturalmente não fiz árvore. Para quê? Para a ver cintilar em milhares de cores durante a noite. Para isso tomo LSD e esqueço que o mundo não acabou. Quando era criança o Natal era inviolável. Era o dia em que de manhã encontrava as prendas na base da árvore de Natal e me prendia de pijama, roupão e pantufas quase todo o dia. No prédio era habitual encontrarmos-nos uns com os outros e mostrarmos os novos brinquedos. Não obstante o Natal foi desaparecendo à medida que as avós, tias e tios foram morrendo. Depois surgem os divórcios e os filhos a serem distribuídos como se trabalhassem por turnos. A seguir acabam as relações que nunca tiveram verdadeiramente tempo para amadurecer. De repente o Natal está tão disfuncional como o modelo de família que já não existe. Este ano confronto-me com uma consoada completamente sozinho. Poderia eventualmente ir para a casa dos meus primos mas confesso que não me apetece. Não me apetece forçar sentimentos quando na realidade o que me faz sentido é estar com os meus filhos, com os meus pais, irmã e sobrinha. Não sendo possível vou beber uma garrafa de Moet&Chandon e ouvir Faith no Moore até de madrugada. O Natal do ano passado já tinha sido um pouco estranho. Apesar de ter a casa cheia apercebi-me meses mais tarde que tinha sido o início do fim. Talvez por insensibilidade minha em não entender algumas das coisas que nunca me disseste. Ou então não passou de mais uma das tuas mil e uma desculpas que na tua mente constrois. Ou então mais uma construção tua que tão habilmente usas para justificar actos e decisões. Mas enfim, sem me estender por questões paralelas, as vidas somos nós que as construimos com base nas nossas opções. De facto enviaste-me um sms com essa mensagem e eu concordo plenamente. As atitudes e aquilo que colhemos posteriormente só dependem das opções que tomámos. Eu este ano passo o Natal com os meus pássaros. Tu um dia poderás olhar para trás e perceber o erro que tomaste perante as tuas opções. Ou não. Despeço. Merry Fucking Christmas.

sexta-feira, 21 de dezembro de 2012

The End of the World

Bullshit. Uma vez tem piada. Agora a toda a hora na rádio, televisão, jornais e revistas já enjoa. Dentro de um par de horas estou a comemorar o fim-do-mundo a ouvir Moonspell, Bizarra Locomotiva e a ouvir Metal até que me doam os ouvidos. O fim-do-mundo que não há meio de chegar começa num restaurante merdoso lá para os lados do Cais do Sodré rodeado de velhos amigos há mais de 20 anos. Assim, espero mesmo que não chegue. Não quero ir para o além rodeado de homens. Não obstante o fim-do-mundo acontece diariamente sempre que alguém morre. And you never know when that shit will happen. Podia entrar pela tristeza das relações que terminam e as memórias e como fico todo muito triste... mas sinceramente estou farto desse discurso e a vida continua, com ou sem mundo, com ou sem ti. E por assim dizer cheguei ao limite. The End, Finito, Acabadissimo... Foi muito giro enquanto durou e agora fartei-me de rastejar. Estou-me a cagar. Hasta Siempre. Beijinhos e Abraços.

quarta-feira, 19 de dezembro de 2012

Enough Injustice

Sinto muito. É um sentimento com o qual não consigo confrontar-me. O de injustiça. Já muito pensei sobre a forma como reajo as injustiças. Não só às que recaiem sobre mim mas também sobre as que recaiem sobre pessoas que eu estimo, que eu amo. O sentimento de injustiça revela o pior que há no ser humano. Fico perturbado da mesma maneira quando alguém é beneficiado só porque sim, porque tem os contactos e os genes certos, como por alguém que é prejudicado, atacado, acusado por algo que não cometeu. A injustiça podes-nos atacar em todas as vertentes da nossa vida. No trabalho, no amor, nas relações familiares, de amizade, na política. É pedra basilar do ciúme, da hipocrisia, da sacanice. Tenho tido, ultimamente, alguns exemplos de injustiça dos quais foi alvo, mas também pessoas que eu estimo. E isso entristece-me muito e confronta-me com a podridão em que a humanidade se transformou. Ou então sempre foi. Mesmo as pessoas que eu conheço que tem jogo de cintura e parecem viver felizes é só uma questão de tempo até estoirarem. A única forma de combatermos as injustiças é sermos correctos connosco e com os outros. Porque todos nós mais cedo ou mais tarde também as cometemos. Essa é a verdadeira razão de me opôr verdadeiramente á pena de morte. Quando se comete uma injustiça já é tarde de mais. No amor a injustiça assenta no ciúme cego e no egoísmo e aí não há volta a dar. Chega-se a um ponto em que temos que desistir. Um amigo meu disse-me ontem no final de um telefonema "não desistas" "não desistas". Estava desligado de qualquer contexto mas teve piada. Hoje chego á conclusão que desisto de ti porque tu desististe de mim. E não aceito mais voltas de face. Sempre que tenho tentado fugir tentas-me prender, mas no minuto seguinte me desprezares com base nas tuas injustiças. Hoje desisti. Lamento amigo mas não vou seguir o teu conselho.

domingo, 16 de dezembro de 2012

sad sad sad

hoje acordei triste. na realidade deitei-me triste e acordei no mesmo estado em que me deitara. o tempo está cinzento e chuvoso e isso também não ajuda. mas sinto-me melancólico, deprimido e triste. sinto-me longe de tudo e todos, inclusivé de mim próprio. estou pensativo e em insegurança. este estado de insatisfação leva-me à tristeza. se me perguntarem do que me queixo. pois de facto não sei, mas sinto-me perdido. não tenho aquilo que anseio... sinto-me a envelhecer e sem vislumbres. instabilidade é o que me domina. estou triste e ansioso. apetece-me chorar e não consigo. perco tempo com futilidades e não me organizo como devia. os dias e as noites vão-se sucedendo sem ordem aparente. estas épocas do ano em que a fraternidade e o equilíbrio dever-me-iam trazer paz e é precisamente o contrário. confrontam-me com o meu próprio insucesso nas relações. apetece-me um cigarro e um chá com companhia. e não tenho ou pelo menos não procuro. e isso porque estou triste e melancólico, talvez a precisar de uma boa noite de sono. 

segunda-feira, 10 de dezembro de 2012

camuflagem

És linda como eu te recordo enamorada,
princesa mourisca que desapareceste na madrugada.
Perdi-me no escuro do teu cabelo,
No nevoeiro do teu olhar,
Partiste sem me levar.
Adormeço no duro chão do sofrimento,
que me dilacera a alma,
rasgando-me o coração que já não tolera,
As lágrimas de sangue escorrem-me,
humedecendo o solo que piso,
afundo-me nestas areias movediças
ao teu encontro.
E não te encontro.
Camuflada no teu ser,
envolta em mil teias flutuantes,
os tijolos nessa parede pintada que criaste,
e a minha alma dançante neste lado da escuridão.

sábado, 8 de dezembro de 2012

i have been waiting for so long

Acordo de manhã cedo. Vestido e deitado no sofá. Adormeci ao som de Arcade Fire. Manipulei os meus sonhos e viajei um ano antes, aos saltos, a comer pó, adormecendo no carro, sujo mas com a alma pura e cristalina. Acordei quente, ruborizado, a suar, vitima do meu aquecedor por esquecimento ligado. Lá fora o nevoeiro denso envolvia-me na torre que habito como se voasse por entre as nuvens do teu esquecimento. Acordei sem saber onde estava. Pestanejei várias vezes até me confrontar mais uma vez com a solidão que me invade. Estou á espera, sempre á espera que digas algo, que aceites os meus convites, que tomes iniciativas, que..., que..., que... . Castigas-me por um crime que não cometi. Cada dia, hora, minuto que passam é sentido por mim com um verdadeira punição. Acenas-me com um doce que no minuto seguinte se esfuma em mil e um odores de açucar perfumado. Prendes-me e eu deixo-me prender. Não estás presente nem queres estar mas mantens-me manietado. Sabes que o fazes e sabes que é injusto. Não se pode amar indefinitivamente alguém que não o quer. Não se pode obrigar alguém a esperar eternamente por algo que poderá nunca voltar a acontecer. Despedes-te com um beijo nos lábios, com um olhar doce, com um esgar, porque sabes que têm cola. E depois volta tudo ao mesmo. Tudo aquilo que te queixavas, que não tinha tempo para ti, é em ti que eu o sinto. Quero voltar a amar. Quero quero quero. Preciso de me libertar de ti e não consigo. A ultima vez que nos vimos, que falamos, que nos beijamos, disse-te que não podia parar a minha vida à tua espera. Espero por ti há demasiado tempo sem sequer ter uma sombra de esperança, um acto de carinho, uma mensagem calorosa. Pedes-me e eu faço, talvez por isso seja tão frequentemente abusado na minha existência. É-me difícil dizer não. Não obstante é essencial que o faça, porque na realidade quando faço algo que intimamente não quero as marcas ficam, as pessoas passam de amigos a agressores. Tantos anos de grupanálise e continuo sem me saber defender dos outros. Quero sair daqui. Amanhã apanho o voo para Tóquio e liberto-me de tudo isto que me incomoda. Vai-me custar abandonar amigos, família, colegas e sobretudo tu. Mas chega-se a um ponto de exaustão, de remar contra a corrente, de voar contra o vento, de gritar no vácuo... O reconhecimento é o alimento da alma e neste campo sinto-me em inanição há demasiado tempo. Esgotei o meu tempo. Lamento. Foi um risco que correste, que corremos, que correste... Não aguento mais este sofrimento que me preenche os minutos em que comigo não estás.

domingo, 2 de dezembro de 2012

Cloud Atlas

Tudo está ligado. No passado, presente e futuro tudo se interliga. As nossas acções têm sempre repercursões. Estas não se esgotam no nosso tempo. Adorei o filme. Também em mim esta filme marca uma fronteira daquilo que foi passado, do presente e do futuro. Tornou-se claro que nunca lá estarás. Esgotaram-se as expectativas. O intervalo marcou o teu entendimento fantasioso e injusto da nossa existência. É sempre possível culpabilizar alguém pelos nossos próprios comportamentos, passados, presentes ou futuros. Chegam-se a pontos sem retorno. Há limites que atingidos marcam as nossas próprias roturas. Há sempre um momentos antes e depois. Querias-me numa redoma de vidro, isolado, manietado e de língua amputada. Querias-me numa redoma enquanto estavas e sempre estiveste do lado de fora. Tudo está ligado e nós tivemos o nosso momento de ligação que se manterá ao longo de toda a eternidade. Mesmo após muitos anos, ao lado de quem o destino permitir, olharás para trás e recordarás este filme como o último momento que estivemos juntos. Recordarás o intervalo acinzentado que criaste no teu espírito. Lembrar-te-ás que mesmo não acreditando foste mais uma vez injusta. E estarás de alguma forma ligada a mim sabendo que tornaste impossível uma conexão com base em falsas premissas. Estaremos ligados ao longo do tempo. Talvez noutra era e noutro espaço sejamos felizes. Talvez a nossa relação se torne pura e cristalina como foi no início e perdure temporalmente como a Cloud Atlas Symphonia. Deito-me para trás e repouso com a mesma walter que dentro de segundos me implodirá a alma. Associo o meu momento de ruptura a este filme que estará sempre presente no meu espírito ligado a ti. Fumei um último cigarro enquanto te via passar. Descansou-me saber que foste em paz contigo mesma, embora os teus comportamentos sejam com base em realidades que só existem no teu pensamento. Penso que esse género de exercícios mentais só servem para nos desculparmos a nós mesmo quando não amamos. A paz que sinto é efémera. Assenta num assumir que existem pontos sem retorno. E tu passaste-os. Tudo está ligado. Mesmo que aparentemente não seja perceptivel.



quinta-feira, 29 de novembro de 2012

Ensaio sobre a Traição

(Este texto foi escrito segundo as normas do antigo acordo ortográfico e com recurso a um iPad, pelo que poderiam existir erros decorrentes da sensibilidade e pressão com que se bate no teclado. Para a sublimação do mesmo o autor reservou-se o direito de ouvir Bat for Lashes)

Ontem preso no trânsito entre a Avenida da República e Entrecampos deparei-me a reflectir sobre a hora do sexo do Quintino Aires. O tema, já discutido, prendia-se com a Traição e se era ou não possível perdoa-la. É um tema pesado pela carga emocional que tem associada. Quem traí não tem a mais pálida ideia do mal que inflige ao outro. A traição para além do simples acto de trair, desligada ou não de sentimentos, é um acto de egoísmo, de mentira, de omissão, de hipocrisia, de desrespeito máximo por aquele que se diz amar. A traição assim só poderia ser cometida por seres humanos que de humanos só teriam o nome. O acto de trair seria então somente um impulso animal digno das mais estúpidas bestas.
 Foi realizado um estudo onde 75% dos homens admitiam ter traído pelo menos uma vez na vida e cerca de 70% das mulheres admitiram ter cometido "adultério".  Então como se explica isto? Que a maioria das pessoas está com os outros por mero interesse? Segundo o Quintino quem ama verdadeiramente não trai, não sente necessidade de trair, mas segundo ele pode admirar uma pessoa na rua e mesmo desejá-la mas sem trair. Bem, não será o pensamento em si mesmo uma traição. Se se ama verdadeiramente então não se tem olhos para mais ninguém. De facto, não é verdade.
O acto de trair é barbáro. Discutia-se na hora do sexo que é impossivel perdoar uma traição. Nisso acabo por concordar parcialmente. Até se pode controlar sintomas e sinais, como se de uma doença crónica se tratasse, mas curar essa ferida de verdade não é de todo possível.  É uma dor recorrente invadida por fantasmas que mais cedo ou mais tarde podem aparecer. Se quiseres destruir o amor próprio de alguém trai-o. A traição, em última instância, corresponde a promover o mal a quem nos ama. É de facto a pior atitude que se pode ter com alguém que confiando em nós nos ama incondicionalmente. É uma dupla maldade. Não passível, segundo Quintino Aires, de ser perdoável. Eu discordo, apesar de ser uma atitude execrável e cobarde, é possível de se perdoar. Não quero com isto afirmar que as feridas fecham, porque de facto não fecham.
A traição é má, mas e confessar uma traição? Será uma atitude correcta e respeitadora. Penso que não, uma pessoa que comete uma traição e que ainda por cima não consegue gerir os sentimentos de culpa que daí adveém confessa a traição para aliviar o seu espírito. Se outro ficar por lá então a dominância sobre o outro está ganha. E trair é como matar, só custa a primeira vez. Segundo Quintino Aires, o traído só fica na relação por medo de ficar sozinho. Discordo, o traído pode ficar na relação porque na realidade ama o traidor. E será possível amar quem nos traiu? Acredito piamente que sim. Embora com lágrimas e sofrimento.

quarta-feira, 28 de novembro de 2012

Recorrências

A mente e o pensamento são recorrentes. Insistimos na nossa felicidade e preferimos não encarar a realidade com que nos defrontamos. Existem momentos em que devemos fazer tábua rasa. Não adianta insistir em pessoas e relações que teimam em não acontecer. É difícil compreender as relações. Na realidade é impossível. Ando numa espiral da qual não consigo sair. Quando sinto que a corrente de ar diminuiu e me lança novamente à terra rapidamente renasce. É recorrente pensar em ti, mesmo quando em mim não pensas. Quero desistir como tu mas insistes em alimentar a minha infelicidade. Quero bloquear os meus pensamentos, quero eliminar-te da minha existência. Tu não deixas. Quando penso que não passas de memórias reapareces, como se adivinhasses que me poderias perder, quando na realidade já nos perdemos aos dois. Alimentas o meu sofrimento como se dele te viesse algum ganho, algum prazer mórbido. Sou para ti um nutriente para o teu ego. Queres-me e ao mesmo tempo não me queres. Alguém me dizia que as pessoas só se ligam às outras quando são mal-tratadas. Pois talvez por isso não te consiga esquecer. As mulheres e os homens veneram bad boys and bad girls. Talvez não seja a regra, mas a conheço grande quantidade de pessoas, inteligentes, cultas e sensíveis que se mantêm estaticamente à espera de quem as tratou ou trata mal. A volatilidade com que te relacionas comigo é confundente. A ultima vez que conversamos ao telefone foste doce, delicada, contrastando com aquilo que é habitual. Percebi que tinhas plateia, onde sou um mero pagliaccio. É factual, corto o cordão imaginário que me une a ti. Não é possível continuar nesta indecisão. Parto.


quinta-feira, 15 de novembro de 2012

What Time is it?

O tempo é relativo. Como o espaço o é. A relação espaço-tempo toma, por vezes, proporções interessantes na nossa vivência. Esperamos mais tempo do que espaço. Estou habituado a esperar. Especialmente na minha área, que em grego significa isso mesmo: saber esperar. E espero até que o espaço se esgote. Mas este tende para o infinito. E infinito vezes zero é zero. O único e verdadeiro elemento absorvente. Quando nada mais existe o tempo e o espaço esfumam-se e este atinge o seu limite. O ponto de exaustão. Sinto formigueiros em ambas as mãos. E esgoto a minha ampulheta que me canso de virar diariamente.

domingo, 11 de novembro de 2012

Skyfall.

Este último James Bond foi um turnover moralista do próprio. Um verdadeiro tradutor da substituição da violência pelo amor. Este James Bond repleto de explosões e mais explosões não teve uma única cena de paixão ardente. As Bond Girls desapareceram por completo. Á única pequena cena que houve, foi no chuveiro com a chinesa e passado pouco tempo a miúda acabou com um tiro na cabeça. Ainda bem que não se candidatou à nossa presidência da república. Para além disso, o James ainda foi assediado pelo vilão de serviço. Enfim... que desilusão de filme. Perdeu-se o glamour de outros tempos. O Double O Seven tem os dias contados. 



nota: Este para mim continua a ser um dos melhores momentos humorísticos de sempre. 

segunda-feira, 5 de novembro de 2012

Indifference

Haverá alguma coisa pior nas relações entre seres do que a indiferença? A indiferença é o desprezo total e absoluto por outro. A indiferença mata, corrói, dilacera. Muito pior do que odiar. A indiferença é algo que só sente, ou melhor não se sente, quando alguém é transparente, volátil, sem importância. Quando alguém morre, se o amamos ou odiamos, sentimos a perda. Por razões diferentes, naturalmente. Mas quando alguém é indiferente nem sequer sabemos ou queremos saber, porque na realidade não nos importamos. Cultivar a indiferença de alguém significa que a pessoa saiu, deixou de existir, foi apagada de qualquer memória, por mais pequena que seja. A indiferença é a pior forma de não se gostar. Na realidade nem se chega a não se gostar, porque a indiferença é vazia de sentimentos, de conteúdo, de alma. Um ser indiferente é um não-ser, é um patamar muito abaixo do ser humano, dos animais, dos vermes.  Pior, não tem existência. De facto, quando Andy Warhol afirmava que preferia que falassem mal dele do que não falassem, estava repleto de razão. Alguém sentir a indiferença dos outros é a anulação completa do seu ser, da sua personalidade. Ninguém deveria ser obrigado a transformar-se em vidro, em plástico, num saco transparente e isso é a indiferença. As pessoas acabam as relações. Faz parte das vicissitudes da vida. Existem inúmeras razões para tal se suceder. Normalmente as culpas são arremessadas de um lado para o outro da rede sem que ninguém as deixe cair no chão. A seguir ao amor vem o ódio, o escárnio, o orgulho, as feridas reabertas, as divagações. No entanto, esses sentimentos por muito negativos que sejam demonstram respeito pelo outro ser. Demonstram que se pensa. A indiferença não. A indiferença corresponde à eliminação total, ao despejo, ao arremesso. Para alguém se tornar indiferente implica que o outro ser o esqueceu por completo, racional ou irracionalmente. A indiferença é indiferente. And we use to get closer than this (aqui usado com sentido).

domingo, 4 de novembro de 2012

perfume

As paredes envelhecidas observadas de frente pelos lentes de outrora. O bengaleiro, pé de galo, amarelado jazia encostado ao armário de metal enferrujado semi-aberto. A tua roupa repousava nele. Queria-te marcar. Depositei as minhas roupas por cima. O cheiro de anjo penetrou-as intensamente. Disseste-me mais tarde que quando chegaste a casa e cheiraste o casaco veio-te à memória a minha pessoa, o meu ser, o meu cheiro. Não há nada mais erótico, marcante, envolvente que o cheiro. Essa é a marca animal que nos atinge inesperadamente. Podemos não ser giros, especialmente simpáticos, brilhantemente inteligentes mas alguém algures ficará enebriado com o nosso cheiro. A verdadeira essência da paixão reside aí, nas feromonas. Somos animais domesticados, mas a essência está lá. Conheço imensas mulheres, umas lindas, outras inteligentíssimas, outras sensuais e nenhuma me prendeu como tu. Não têm o teu cheiro, a tua alma. Também eu recordo o teu cheiro misturado com o meu na minha roupa que me acompanhou durante o dia seguinte. Cada vez que te vejo quero-te beijar o pescoço, sentir o teu suor, inspirar-te... Sou teu e a culpa são das feromonas. Enfeitiçaste-me com o teu odor. Queria agarra-lo, mete-lo no meu frasco, fecha-lo bem para não fugir. Para mim és e serás sempre a minha princesa feiticeira...

quinta-feira, 1 de novembro de 2012

Can´t Follow Me

Para onde eu vou não me podes seguir. Decidi mudar de rumo, mudar de vida. Quando tudo deixa de fazer sentido partimos para parte incerta. Decidi deixar tudo para trás. Faço uma tábua rasa da minha vida passada e presente. Procuro no futuro algo que aqui nunca encontrei. Não me podes seguir. Para onde eu vou só se vai quando se é chamado. Ou então procura-se um atalho. Compra-se um bilhete de ida no mercado negro. Lamento, mas não me podes acompanhar. Abandono o meu amor depois de o  distorcer com vivências, comportamentos, frases inacabadas. Abandono o meu amor corroído. Facilita-me a viagem tortuosa que me espera. Para onde eu vou não me podes seguir. Mas também não estou certo que o quisesses. O tempo tudo muda. O tempo transforma-nos naquilo que queremos e não queremos. O tempo e o espaço para onde vou deixam de fazer sentido. Acabam-se as mesquinhices, os horários, as pressões, os receios. Não tenho medo de partir porque já há muito parti. Para onde eu vou irei reencontrar-te um dia. Quem sabe talvez me reconheças. Antes de ti já muitos partiram e eu na altura não os segui. Desta vez irei, sem olhar para trás, sem lançar lágrimas, sem me despedir. Para onde eu vou não me podes seguir porque partiste antes de mim. A vida a dois é uma cedência continua. A presunção que os outros erram enquanto nós somos impolutos é um ode ao insucesso. Espera-me a barcaça de madeira onde entrarei sozinho. Atravesso o oceano de almas perdidas até reencontrar algumas das pessoas que perdi. Pessoas que me amavam e que eu amei. Iremos fazer uma festa. Tenho saudades de lhes passar a mão pelo cabelo, de sentir as suas festas na minha face, de beija-la, de abraça-las. Já tantos partiram antes de mim que não é nada de especial.
A vida é feita de amizades e de amor. Podemos amar as pessoas em vários contextos. Há imensos amigos que eu amo do fundo do meu ser. Nunca tive medo de o afirmar. Mesmo quando a ti te parece estranho. Talvez nunca tenhas tido uma verdadeira relação de amizade. As pessoas amam-se e tocam-se espiritualmente. As pessoas magoam e perdoam. As pessoas genuínas não mastigam os outros. Tenho saudades de muitas dessas. Afasto-me por vezes dos meus amigos. Há períodos. Momentos em que cometo distracções, erros, uns mais banais do que outros. Preciso dos meus momentos de isolamento, de introspecção para pensar neles. Fico perdido perante tantas evidências de que nunca me amaste verdadeiramente. Ou se me amaste deixaste-o de fazer deixando-me numa dúvida perpétua. Há palavras que já não saiem da tua boca. Deixaram-te de te fazer sentido. Embora a mim o façam e afirmo-o aos sete ventos o quanto te amo. Para onde eu vou não me podes seguir nem me poderás amar. Deixo tudo para trás. Não levo ninguém. Deixo o meu amor pela última vez. Transfiro os meus valores e modo de pensar com todos os seus defeitos e virtudes aos pequenos querubins. Para onde eu vou ninguém me pode seguir.



Lyrics
When darkness falls
And surrounds you
When you fall down
When you're scared, and you're lost
Be brave
I'm, coming to hold you now
When all your strength has gone
And you feel wrong
Like your life has slipped away

Follow me, you can follow me
And I, I will not desert you now
When your fire has died out
No ones there, they have left you for dead

Follow me, you can follow me
I will keep you safe
Follow me, you can follow
I will protect you.

Ooo, I wont let them, harm, harm you
Ooo, when, when your heart is breaking

You can follow me, you can follow me
I will always keep you safe
Follow me, you can trust in me
I will always protect you, love

quarta-feira, 31 de outubro de 2012

Chocolate Muffin

Percorremos as ruas frias e escorregadias envolvidos um no outro. Os prédios de fachadas tortas caiem à nossa volta. Amparamos-nos mutuamente. Andamos às voltas num chão de algodão macio e terno. Os neons iluminam as nossas faces apaixonadas. Perdemos-nos nas montras de mil e um objectos coloridos. Tocas-me, sinto pequenos choques e formigueiros ao longo de todo o corpo. Paro no tempo e no espaço. Só tu interessas. Olha para o mapa do nosso amor e desperto com o teu beijo húmido no meu ouvido. Ao longe ouço em surdina as pessoas caminhando. O rapaz emagrecido carregando a bicicleta negra parece-nos dirigir palavra. Não entendo. Só tu interessas. Os cisnes dançam nos canais gelados desviando-se dos barcos que lentamente rasgam as águas geladas. Só tu interessas. Perco-me no teu olhar, na tua voz, no calor do teu corpo. Um saco de plástico agita-se e viramos-nos como se alguém nos perseguisse. Percorremos as ruas frias e chegamos a casa. Andamos às voltas, perdidos nos braços um do outro. O tempo passa lentamente, mais do que o habitual. Nessa noite entregamos-nos um ao outro com a intensidade do primeiro amor, da primeira paixão. Amamos-nos durante a noite. Ao longe o relógio lentamente transpirava segundos demorados. Senti o teu corpo em perfeita sintonia com o meu. Fundimos-nos num só. Penetrei-te lentamente. A corrente percorria os nossos dois corpos como se de um só se tratasse. Cada poro teu era meu. Cada pedacinho de pele pertencia-me. E eu a ti. Fomos um só ser percorrendo as ruas frias e escorregadias que tu agora percorres sozinha. O elefante cor-de-rosa olha-nos de cima. O nosso amor abençoado por Ganesha. Ignorámos tudo e todos à nossa volta. Só tu e eu interessávamos. O chocolate derretido envolvia-nos em mil cores, em mil sons, em mil emoções que sentimos intensamente. Os cânticos dos homens vestidos de hawaianos envolvem-nos. Rimos do fundo do nosso espírito. Beijamos-nos intensamente como se só beijam os seres uníssonos. Quando nos despedimos foi como se tivesse sido arrancado de ti. Separam-nos como se de dois siameses toracopagos nos tratássemos. O coração era único. Levaste-o contigo para longe, para a cidade do amor em espelho. Fiquei ressequido vendo-te partir. Desesperei até ao próximo encontro. Mantive-te sempre em pensamento. Cada dia, cada hora, cada minuto do meu tempo. Que saudades tenho de comer um muffin de chocolate.



sábado, 27 de outubro de 2012

Chopin´s Nocturnes

Há sensivelmente um ano passeava-me por Varsóvia. Passeávamos. Foi a nossa última viagem a dois. A nossa última comunhão. O que nos procurámos a igreja onde jaze o coração de Chopin. Encontrámos. O que nós gostámos do museu de Chopin. Ainda guardas o teu cartão? O meu continua arrumado na mala azul de rodas desgastadas. É curioso como Chopin está presente em alguns momentos marcantes da nossa vida. Bem, não tão marcantes assim. Na realidade os momentos deixam de ser marcantes quando os esquecemos. E tu provavelmente já o fizeste. Ouço os nocturnos de Chopin  da Maria João Pires. Não comprei no museu porque não fazia sentido. Conversámos sobre isso. Encontrei hoje uma belíssima edição da deutschgramophone e não pensei duas vezes. Nesse dia chovia a potes e nós sem chapéu. Recordo o teu cabelo liso e escorrido. Recordo-me do abraço terno que demos para nos mantermos quentes. Nesse dia nada mais interessava a não ser a nossa cumplicidade. Esta amorosa. Nesse dia comemos aquele fantástico apfelstrudel naquela casa de chá deslumbrante. Como nós nos amávamos. Como compartilhávamos cada momento. Como bastava um olhar para nos entendermos. Chopin esteve e está presente nas nossas vidas. Pelo menos na minha, já que me traz à memória ternas recordações. Á medida que ouço esta melodia terna e envolvente recordo o Pianista de Roman Polansky. Estava uma tarde de inverno fria e cinzenta e debaixo das mantas laranja e castanha emocionámos-nos ouvindo Chopin teclado pelas mãos magras e cinzentas do pianista. Adoro Chopin e as recordações que brotam a cada minuto na minha mente. De facto, um homem é um conjunto de experiências irrepetíveis. E como eu as guardo com saudade.

quinta-feira, 25 de outubro de 2012

linhas tortas

Há linhas que me envolvem. Estou manietado perante ti. Não consigo contradizer os teus raciocínios, as tuas ideias, as tuas certezas. Há uma altura na vida em que nos devemos conformar. Há momentos em que nos devemos confrontar com o inevitável. Já o disse várias vezes, mas é tão difícil. Não se deve desistir de alguém em quem se pensa diariamente. Mas não é possível não desistir se somos ignorados. Se deixámos de ser amados. Se nos querem presos a uma ilusão. Se nos tratam mal com base em premissas e ideias fantasiosas. Quer-se e não se quer. Há linhas que me envolvem e não me consigo desenrolar. Preciso de alguém que me puxe o fio e me faça rodopiar até à libertação. Mas até nestes momentos os amigos mais íntimos andam atarefados nas suas vidas. Estou enrolado sobre mim mesmo. Não é possível continuar a insistir no inevitável. Irei passar um pano branco e húmido nas acusações injustas que me foram dirigidas e seguir em frente. Vou ignorar as pragas lançadas sobre mim, ignorar os atestados de insucesso. Vou reagir contra a maldade, contra quem me quer mal. Vou gritar alto e não esmorecer. Vou destruir as linhas de arame que me envolvem. Liberto-me verdadeiramente, já que até ao momento não consegui. Desisto. Desisto de ti. Desisto de nós. 

domingo, 14 de outubro de 2012

Marcas


Estou deitado no sofá. Dói-me o corpo. Tenho a alma ferida. Olho para o lagarto luminoso pendurado na parede. Já lá não está. O nosso lagarto luminoso. Levaste-o e à Union Jack. Eram tuas, foste tu que as pagaste, mas também eram nossas. Foram compradas pelos dois. Eram as tuas últimas marcas. Decidiste-as vir buscar, talvez com receio que não te as desse, fruto da tua experiência anterior. Mas eu não sou assim. Desmontaste a minha imagem e reconstruíste-a de forma a te ser mais fácil eliminares-me da tua mente, das tuas memórias. Constróis no teu espírito ideias, situações, episódios que não aconteceram. Que não acontecem. Não entendes nem queres entender. Aceito muita coisa menos injustiça. Um dia a tua mãe confidenciou-me que aceitavas tudo menos injustiças. Que quando eras pequenina prejudicavas-te a defender os outros que achavas vítimas de injustiça. Pois bem, perdeste os teus valores primordiais. Disseste-me muitas coisas vis e feias. Não as aceito. Desculpas os teus comportamentos projectando farpas nos outros. Em mim. Levaste as tuas marcas. No sítio deixaste um gancho. Talvez me possa pendurar nele e balouçar até à libertação. De facto passámos muitos momentos inesquecíveis. De facto não há nada mais injusto que estragar um quadro com borrões. Quiseste-te libertar e ao mesmo tempo manteres-me preso. E tentas. Não sei com que objectivo. Que ganho secundário tem alguém em manter o outro engaiolado. É cruel. O teu ego desmanchou-se ao perceberes que continuei a viver. Viste e interpretaste tudo de uma forma falaciosa. Cometeste e cometes injustiças. De facto as pessoas só se dão a conhecer em situações limite. Vem ao topo a mesquinhez, o egoísmo, o egocentrismo e a maledicência. Dizem-se coisas que não se querem dizer. Pensam-se coisas que não se querem pensar. Mas o ser humano é assim. O que distingue uns de outros é a capacidade de perdoar. A capacidade de se pedir desculpas. A capacidade da auto-crítica. Estou deitado no sofá e a cabeça pesada. Vim ao quarto escrever, porque tinha que escrever, tinha que libertar a minha alma desta dor que se apodera de mim. Já tive várias relações e várias relações acabaram. Nunca tinha tido uma que acabasse e alguém quisesse andar em liberdade e manter-me em cativeiro. Há limites para o sadismo. De facto, se há pessoas incompreensíveis tu ultrapassas todos os meus conceitos. Dissecando este fim-de-semana, foi no mínimo bizarro. Ponho um ponto final em nós, em ti. De facto não te conheço. Nem te conheci. Não me prendes mais. Deita fora as fotos a preto e branco que tens na tua mesa de cabeceira. Desta vez não precisas somente de as esconder. Liberto-me finalmente. E ajudaste-me com tudo que disseste e que pensaste. Liberto-me perante a tua condenação injusta. Deito-me em paz. E isso de facto é o que é mais importante para mim. Estou em paz comigo mesmo. Sinto-me bem a olhar-me para o espelho. Sinto-me tranquilo com a minha consciência. O amor e o ódio de facto tocam-se. São dois sentimentos tão intensos e profundos que quase se sente o mesmo formigueiro quando se experimenta. Faz-se amor com alguém que depois nos vem a odiar. Será possível fazer-se ódio com alguém que depois nos vem a amar?

Agree? or Not?


and injustice for all...

sábado, 13 de outubro de 2012

domingo, 7 de outubro de 2012

unexpected you

unexpected you. unexpected voice. unexpected talkings. unexpected feelings. unexpected life. unexpected pain. unexpected injustice. unexpected sorrow. unexpected borrow. unexpected love. unexpected beginning. unexpected end. unexpected kiss. unexpected memories. unexpected photos. enexpected suffering. unexpected passion. unexpected sex. unexpected music. unexpected lies. unexpected truths. unexpected edges. unexpected art. unexpected intrigues. unexpected darkness. unexpected mind. unexpected perpetual love. unexpected closed heart. unexpected black heart. unexpected bloody soul. unexpected phone call. unexpected you... unexpected love...


Cant Get No Sleep. AGAIN.

Habitualmente é assim. Quando alguma coisa me perturba o meu sono ressente-se. Nada de novo me perturba, mas o meu sono ressente-se na mesma. Acordo a meio da noite completamente desperto. Tem sido assim praticamente dia sim dia não. Felizmente amanhã de manhã, ou melhor hoje, poderei dormir.  Não estou certo disso. Andei assim quase 3 meses em 2010. O que eu sofri. Não há nada pior do que a abstinência de sono. Agora passados 2 anos surgem-me os mesmos sintomas. Desfasados. Questiono-me do porquê. Já não têm sentido. Ou nunca tiveram, estava eu desligado da realidade, da verdadeira realidade. Não obstante, sofri cada dia e noite a fio durante esses 3 meses. Estava zombieficado.
 Ponho tudo em causa. E porque não? Porque não colocar tudo em causa. A História também pode ser posta em causa. E preze a minha morte ser tão anónima como um grão de areia na meia-praia, tenho a minha História, as minhas estórias. E ponho tudo em causa. Tudo. Inclusivé a mim. E ao meu sofrimento trimestral que ninguém merece. De facto, não há nada mais injusto do que o amor cego e aquilo que dele advém. E esse amor mantêm-se. E esse eu não consigo pôr em causa. Mesmo racionalizando, argumentando, vendo o copo desta vez meio vazio, amplificando defeitos, diminuindo virtudes, esse amor que já não deveria existir, mantêm-se cego, caminhando entre as pessoas às apalpadelas e acordando-me a meio da noite. E eu sei porquê. Sei porque acordo especificamente algumas noites. Chama-se percepção extrassensorial. Mito urbano ou não, o facto é que tenho comprovado a posteriori muitos dos meus serões forçados. Vou tentar mais uma vez dormir... Ahh e cometo a profunda estupidez de fumar um cigarro a meio da noite quando isto me acontece. Á janela, na cozinha, contemplando o estádio da luz e a orda de prédios atrás até chegar ao teu e imaginar-te deitada, nua, pele dourada, contrastando com a parede verde abacate, lendo... lendo-me.

PS: Aparentemente as fotos do meu ídolo de sempre, Prof. Albert Einstein, não têm absolutamente relação com o texto acima. E de facto não têm. Mas tudo é relativo



terça-feira, 2 de outubro de 2012

Rascunho

Sou um rascunho do amor que por ti senti. Um papel sujo e amarrotado que alguém levou. As palavras desbotadas de uma qualquer bic azul desenham o sofrimento que ainda me corrói. 

Obssession

Hoje estive perto de ti. Passei nesse bloco cinzento e envidraçado onde trabalhas. Imaginei-te no teu fato verde igual ao meu mas em ti melhor. Vi-me reflectido e apercebi-me que as lágrimas me escorriam. Imaginei-te enclausurada como eu. Mas essa foi a vida que escolhemos. Nunca me arrependi. De facto amo o que faço. Faz-me sentir humano, mais humano. Estive perto de ti sem saber se lá estavas. É pouco importante. Na realidade já nem sequer tem sentido. Tudo não passa já de memórias que se vão distorcendo na minha mente. Escrevo quando devia estar a preparar a aula de amanhã. Mas a tua imagem invade o meu pensamento. Estou a um passo de voltar à grupanálise. Esta obsessão não me larga. E no entanto é tão somente amor, paixão, um sentimento inominato. Na realidade nem sequer já sei é a ti que eu amo. A ti ser palpável. Nem sei se te reconhecerei quando eventualmente te vir. Deixaste de existir porque deixei de existir para ti. Podia ter chegado a Lisboa mais cedo. Mas enfiei-me pelo caminho que fazes diariamente na esperança de nos cruzarmos, de te ver escondida no teu pequeno carro cinzento. Apreciei as montanhas verdes ao longe. Recordei os nossos passeios na Regaleira. Parecem tão distantes esses passeios que dávamos e tu com as tuas amigas para a tua mãe não se meter na tua vida. Vejo as fotos que tirámos. Estava gordo e disforme e tu mesmo assim dizias-me amar. Nunca me senti tão bem, tão amado, tão querido, tão compreendido. Como foi possível que tudo se dissolvesse. Demorei o dobro do tempo a chegar a casa. Os meus pensamentos vaguearam à tua volta. Não te vi. Observava todos os carros que por mim passavam na esperança de estares num deles. Hoje estive perto de ti. E no entanto tão longe. Esta obsessão tem que me abandonar. Continuo preso mesmo não querendo. Devolve-me a chave do meu coração. Peço-te. Liberta-me. Vi-me reflectido e só nesse momento me apercebi que chorava por ti.

sábado, 29 de setembro de 2012

Vislumbres

Hoje vi-te. Estavas de costas, com as tuas calças cinzentas largas de aladino e os cabelos soltos baloiçando-se pelo vento. Hoje vi-te, distante, longe, de costas. Estavas a namorar. As mãos masculinas  percorriam-te as costas. Beijava-lo intensamente, de costas, com os teus cabelos soltos baloiçando-se pelo vento. Hoje vi-te beijando um rapaz que não era eu. Beijava-lo com a mesma intensidade com que nós nos beijámos naquele tram em Amsterdão, alheios a tudo, alheios a todos, sozinhos e eu percorrendo-te as mãos pelas costas. Hoje vi-te e respirei de alívio. Libertaste-me. Repousavas nuns braços que não eram os meus. Arranquei-me de dentro do meu corpo sofrido e sublimei-me. Sabia que um dia teria de me confrontar com o facto de não sermos um do outro. Mas eu continuava teu, tua... teu. Não te consegui arrancar do pensamento até este dia, em que de costas beijavas outro. E eu vomitei como sempre soube que iria acontecer. Vomitei e libertei-me de ti. Estavas de costas e eu transparente passei por ti, deixando um rasto de vómito ensanguetado passeio fora. Encostei-me a um árvore e salpiquei-te os pés. Transparente não me viste e continuaste envolvida com aquele ser que agora te possui. Vi-te e libertei-me. Ao longe ouvia-se Temper Trap. Consegui ouvir-te dizer que essa seria a nossa música. Não a mim, que não te beijava, que não te tinha, que não te percorria as costas com as minha mãos sempre quentes. Não a mim transparente, salpicado de vómito ensanguetado. Transferiste a nossa música, o nosso ambiente, a nossa realidade para outro. Reiniciaste outro mundo, igual, mas sem mim. E de costas eu via-te caminhando de mãos dadas pelas ruelas sujas do bairro, do nosso bairro que agora deixara de ser meu. Hoje vi-te e esqueci-te no momento seguinte. Libertaste-me sem sequer saberes que ainda existo. Estavas de costas com as tuas calças cizentas de aladino. Eu, transparente, esvoacei e sublimei-me em mil tons de arco-íris por cima de ti cinzenta beijando alguém que deixou de ser eu.

quinta-feira, 27 de setembro de 2012

Se me queres dizer algo porque não me ligas?

Se me queres dizer algo por nunca me ligas? O meu telefone está ligado. O branco, o da paz. O outro deixei-o moribundo dentro de uma gaveta fechada. Esqueci o número. Esqueci as 300 e picos mensagens que imortalizaram o teu amor por mim. Se me queres dizer algo porque não me telefonas? Desces até à rua e ligas-me daquela cabine telefónica antiga, suja, com uma lâmpada fluorescente instável. Podes-me ligar a cobrar no destinatário que não te recusarei a chamada. Mesmo se estiveres em Hong Kong. Faz um reset ao sistema. Deixa o som fluir sem me olhares nos olhos. Se me queres dizer algo liga-me e para de me invadir os sonhos. Quero dormir em paz. Não quero acordar a meio da noite suado como naquela noite de baile de máscaras em que despertei sem saber porquê. Acordei vestido de branco e com uma máscara veneziana com nariz pontiagudo. Daquelas que se usavam por causa da peste. Se me queres dizer algo para de interferires nos meus sonhos. Não te quero ver à minha volta perturbando a minha existência pacífica. Quero nadar sozinho nas águas quentes do mar morto. Quero flutuar sem ti, sem esforço. Agradeço que não invadas o meu espaço sideral. Quero sonhar em paz. Estou cansado de acordar a meio da noite. Chego a casa e tu não estás. Perdeste a chave da nuvenzinha onde vivíamos. Se me queres dizer algo podes sempre escrever. É injusto só leres. É um desequilíbrio. Sinto-me pendurado pelos pés, pelas pontas dos dedos, na corda roupa, naquele 4º andar onde o lixo abundava nas traseiras, no baldio, onde os gatos se divertiam marchando e copulando estridentemente. Recordo essa febre que me prostou e me deixou ligado a ti. Ao menos escreve qualquer coisa. Podem ser frases curtas, em inglês, em espanhol, em italiano. Podes sempre mandar-me aquela parte. Mandar-me foder. Sem me queres dizer algo fá-lo sem me invadires os sonhos. Os sonhos são a minha realidade paralela onde vivo feliz e sonho com a vida que levo deste lado quando estou acordado. Nos meus sonhos namoramos, amamos-nos, viajamos, ouvimos a mesma musica, dançamos, bebemos, cantamos, gritamos, vemos filmes, enrroscamos-nos, fazemos amor, andamos à chuva, desaparecemos para cidades incertas, eclipsamos-nos. Nos meus sonhos ainda existes e não precisas de me ligar, basta falares. Se me queres dizer algo não me ligues, porque nos meus sonhos és feliz.

Life Goes On

Ligo o computador e admiro-te. Continuas com o teu ambiente de trabalho como se ainda vivesses cá, como se existisses, como se nunca tivesses partido, como se nunca tivesses morrido. A morte é uma inexistência na vida de outro. É um atentado à esperança. E essa matei-a quando assumi que tinhas partido para sempre. Disseste-me através de terceiros para continuar a minha vida. Também o disseste directamente. Não quis ouvir. Eu tento, mas está a ser difícil. No auge da paixão fugiste para Roma. Sofri, emagreci, não dormia, distraia-me, olhava para as pessoas sem as ouvir, mas sabia que te iria reeencontrar. Em Amsterdão, em Roma, em Lisboa. Agora sei que não te vou reencontrar. Sei que não te encontrarei por mais que me esforce. Ando perdido pelos sítios que gostávamos na esperança de te ver. É estúpido eu sei. Continuo obcecado, apaixonado, mal-amado, desprezado e no entanto não te consigo tirar da minha cabeça. Não o mereces eu sei, ninguém merece, mas é a realidade por mim vivida. De ti nada sei e continuas no meu computador e eu admiro-te cada vez que o ligo. E o que me custa desliga-lo. Vejo as nossas fotografias vezes sem fim e recordo as nossas canções. Como é possível que o livro italiano daquele escritor que eu não sei o nome seja tão parecido com a nossa história. E como muitas vezes pensei à medida que o lia, ao teu lado, deitado na areia quente do nosso secret spot, que isto ia acabar mal. E acabou não acabando. Despedimos-nos com um beijo nos lábios, com promessas de amor eterno, impossível e nunca mais te telefonei. Nem tu. Desististe de mim quando no momento em que eu quis desistir não me permitiste. Dizes-me por terceiros para continuar a minha vida. Não precisavas, eu sei que continuaste a tua. Embora nada mais saiba, porque morreste no meu espaço vital. Harakiri na realidade. Uso este blog como escape. Apercebo-me que a pessoa que mais vezes cá vem sou eu. A nossa história tornou-se desinteressante de tão repetitiva que é. Mas é o meu sofrimento isolado que a mantêm viva no meu espírito. Life Still Goes On.

terça-feira, 25 de setembro de 2012

Lisbon Alien

Fui ao Chiado. A minha zona favorita de Lisboa. O tempo estava cinzento e a rua repleta de pessoas deambulando. Comprei a Photo e mais um livro sobre o holocausto. Dirige-me ao Fábulas na esperança de te encontrar. Chovia. As mesas ocupadas não davam sinais de libertação. Ao fundo dois rapazes sentados. Aproximei-me e perguntei s podia compartilhar a mesa. Algo habitual em todo o mundo. Nunca fiquei à espera que vagasse um lugar em nenhum lado do globo se duas pessoas ocupam uma mesa de quatro. Parece lógico, mas não em Portugal. Disseram-me sim com desdém. Um deles com um sorrisinho estúpido nos lábios denotava admiração e reprova. Ignorei a sua ignóbil presença. Pedi um café, acompanhado por um pequeno cubo de bolo de chocolate, acendi um cigarro e desfolhei a minha Photo. Sempre na esperança de te encontrar. Sempre na esperança de levantar o pescoço e ver-te a caminhar entre as cadeiras amarelas. Desfolhei a Photo e paguei. 1€ e 20 cêntimos. Foi concerteza o cubinho de bolo de chocolate o inflaccionador. Paguei com 2€ e deixei lá o troco. Às vezes é preciso demonstrar aos outros que também é possível dar. Um lugar desocupado não é assim algo de tão especial. Fiquei a pensar se aqueles rapazes mentecaptos não se teriam abotoado com a gorja. Fumei outro cigarro pelo caminho. As mulheres hoje estavam especialmente bonitas. E no entanto eu procurava-te. Sem sucesso como habitualmente. Passei pela gelataria e deu-me vontade de comer o clássico morango e côco. O teu clássico. Procurei-te em todos os bancos e sofás vermelhos na esperança de te ver deliciada escorrendo pingos escarlates desenhando os teus lábios carnudos. Procurei-te sabendo que não te iria encontrar. Nunca te encontro. Vim-me embora. Chovia. O trânsito caótico deixou-me aprisionado quase  uma hora para fazer a rua da escola politécnica. Ouvi Keane. Eu que nem gostava muito. Encontrei o casal sussurando palavras amorosas encostados à ombreira de uma porta apodrecida. Li-lhes os lábios. Amavam-se. Procurei-te, podias ser tu. No meu íntimo desejo-te ver-te finalmente nos braços de outro homem. Para me libertar de ti. Vomitar-me-ei. Mas libertar-me-ei de ti para todo o sempre. Não eras. Em sentido contrário vinha uma miúda numa vespa preta com bancos castanhos claros de camurça. Chorava. Pude perceber que para além da chuva chorava. Procurei-te mas não eras tu. Tu nunca chorarias por mim. Não se chora alguém que se esqueceu. É como se nunca tivesse existido na tua vida. E no entanto eu procuro-te. E não te encontro. Fui ao Chiado. A minha zona favorita de Lisboa. Como se não pertencesse ali flutuo e desapareço. 

Jazigo


No dia em que te conheci não te liguei. Ignorei-te forçadamente. Não te quis dar confiança. Mas fixei-te. Retive o teu olhar doce. Guardei o teu cheiro açucarado perto de mim. Imaginei o sabor dos teus lábios tal como os senti mais tarde. No dia em que te conheci comecei a morrer. A pouco e pouco despedacei-me até ao dia em que nos separámos. No dia em que te conheci nasci. Renasci. Para imediamente comecar a morrer. Desapareceste da minha vida e no entanto estás tão presente. E fazes por isso. Mesmo sem sentido. No dia em que te conheci quis-te possuir, fazer amor contigo, encostar-te á parede, penetrar-te, sentir-te escorrer, morder os teus lábios. Mas ignorei-te e comecei a morrer. Matas-me com cada pensamento teu. Cada memória tua é uma farpa no meu espírito. Atraiçoas-me mesmo sem estares presente, sem estares na minha vida. Quero-te longe de mim e no entanto não te consigo esquecer. Mataste-me e eu permiti. Por ti magoei, por ti magoei-me. Apaixonei-me, e isso é incontrolável. Não quis deixar de viver algo que sabia que poderia ser a minha relação mais intensa. E de facto foi-o. No dia em que conheci comecei a morrer. Habito um jazigo sem a tua presença. Também tu morreste para mim. Resta-me amar as nossas memórias.

domingo, 23 de setembro de 2012

Closed heart

Há pessoas que nos marcam, mesmo que não o admitamos. Há pessoas, que mesmo sem saberem, mudam o curso das nossas vidas. Umas vezes bem outras mal. Há pessoas que entram e desaparecem das nossas vidas mas ficam tatuadas para sempre no nosso espírito. Há pessoas que fogem mas levam com elas a chave do nosso coração. Estou fechado para o mundo. A minha mente, o meu espírito, o meu coração ficou parado no tempo. No tempo em que tu existias. Não é justo, quero amar e ser amado. Não te persigo, porque não se perseguem os pássaros selvagens. E tu seguiste o teu caminho migratório. Deus sabe como eu tento esquecer-te, olhar para outras mulheres, dar-me uma hipótese a mim mesmo de continuar a viver. Não consigo, emolduraste o meu amor por ti e agora não consigo amar mais ninguém. Deus sabe como eu tentei e tento, mas a minha mente corre sempre para o lado errado. Não é justo, não te consigo amputar da minha memória e tu não o mereces, porque me esqueceste, porque não me amas, porque continuaste a tua vida, deixando-me num pausa permanente.  Tento imaginar-te com outros homens, namorando, passeando-te com um qualquer pelas ruas de Veneza, sem surtir efeito. Continuo a amar-te como ontem e tu já nem sequer existes. Queria ir ver o último filme do Woody Allen que se passa na nossa Roma. De Roma com Amor. Recordo de imediato a carta escrita que me enviaste Roma-Amor. Até nisso estás sempre presente. Quero amar e ser amado, mas enquanto viveres em mim estou fechado para o mundo. Odeio-te como te Amo. Liberta-me. Deixa-me viver. Aparece-me inesperadamente com o teu novo namorado. Faz-me vomitar os sentimentos que guardo dentro da minha caixinha e talvez possa continuar a viver.


terça-feira, 18 de setembro de 2012

vacuum cleaner

Hoje estive a limpar a casa. Na realidade a aspira-la. É impressionante como as pessoas deixam sempre algumas marcas. Naturalmente, desde que abandonaste esta casa ela já tinha sido limpa várias vezes. Não obstante, algures num canto escondido encontro um cabelo teu sedoso, comprido, liso, que guardei dentro uma caixinha de recordações com um cadeado prateado. Arremessei a chave janela fora. Há medida que limpava ouvia XX. O último. Muito bom. E, mesmo contra a minha vontade, a minha mente flutuava até ti. Não consigo deixar de pensar em ti. Onde estás, como estás, se estás feliz, se estás triste, com quem estás, se o teu coração já se abriu para alguém, não consigo deixar de pensar em ti. É um inferno. Já disse tantas vezes que não voltava a escrever sobre ti e tantas vezes me menti a mim mesmo. Odeio-me por isso. Quero-te esquecer. Quero esquecer os bons e os maus momentos que contigo passei. Não que eu queira na realidade esquecer-te mas deixa-me doido. Estou fechado para o mundo. Enquanto te amar como te amo não vivo. E a minha vida continua. Não posso ficar agarrado a uma ideia, a um ser que se tornou abstrato, inexistente. Tudo na vida tem um momento. Uns perduram como tantas vezes quisemos acreditar. Outros não. O nosso passou do arco-íris ao obscurantismo. E no entanto amamos-nos. Ou melhor, pelo menos eu amo-te. E continuas presente nesta casa. Nas fotografias. Na fotografia, naquela do Cine Azurro que tanto gostamos. Uma vez disse-te que tinha que esconder as tuas marcas nesta casa. Não é possível. Não consigo. E ainda que consiga estás presente na minha memória. Passei as nossas últimas férias sozinho. Não sozinho, estive com amigos, uns velhos e outros recém-adquiridos, mas viajei muito sozinho. Nesses instantes olhando pelas janelas do autocarro, do comboio, no metro, o meu olhar via-te do outro lado da linha, sorridente e com o teu olhar terno de que tenho tantas saudades. Hoje estive a limpar casa. Na realidade a aspira-la e no entanto não consigo que as tuas memórias me abandonem. E sofro por isso.


segunda-feira, 27 de agosto de 2012

Sands of Time



Recordo-me perfeitamente de termos vistos este filme. E como o apreciámos dentro do género. Revi-o agora com os meus rebentos, em casa, longe de ti, longe de outra vida. Como eu gostava de controlar o tempo e voltar ao passado. Provavelmente teria sido tudo igual porque o destino só a nós nos pertence e seríamos as mesmas pessoas noutros tempos noutros lugares. Teríamos cometido os mesmo erros e virtudes. Teríamos vivido os mesmos momentos intensos que vivemos e que soubemos manter vivos nas nossas memórias. Teríamos-nos encarado da mesma maneira e beijado à tangente no parque de estacionamento do Monumental. Teria sido tudo igual e agora estaria aqui a escrever que gostaria de controlar o tempo e voltar ao passado. E teríamos cometido os mesmos erros e as mesmas virtudes. Teríamos nos abandonado mutuamente como nos abandonámos. O telefone manter-se-ia desligado e não nos teríamos encontrado semanas a fio. Porque foi assim que quisemos. Embora erradamente pensando que isso seria o mais acertado. Teríamos vivido os mesmos momentos intensos e esqueceria-mos-nos logo a seguir. Porque o tempo e as memórias não se apagam. Recordo-me perfeitamente de termos visto este filme e pensado como seria bom recordar e viver as memórias vezes e vezes sem fim. Encostados um ao outro no Beagel Channel bebendo chocolate quente e admirando aquela paisagem de poster de sala dos anos 70. Como eu me recordo de ter visto este filme contigo tendo voltado atrás no tempo e repetido os mesmos erros e as mesmas virtudes. Acompanhado dos meus rebentos, longe de ti, noutro tempo, noutra vida, noutro lugar. Como eu me recordo de tudo aquilo que se esfumou em areia, numa espiral desenfreada onde o amor que nos sentimos escorreu ampulheta abaixo, diluindo-se numa pequena partícula de areia no deserto dourado do Sahara onde nos amámos observados pelas estrelas do passado. Como eu me recordo perfeitamente e agora não. Se eu pudesse voltar atrás no tempo tudo teria sido igual porque somos as mesmas pessoas noutros tempos noutros lugares e estaria neste momento a escrever como gostaria de controlar o tempo. Só voltando atrás no tempo seria possível eu escrever estas palavras e faltar à promessa de não mais escrever sobre ti, sobre nós, noutro tempo, noutro lugar, noutra vida que criámos separadas.


No Woman No Cry

Ensaios Humanos

Ensaios Humanos
O comportamento humano é e continuará indecifrável. Ao longo da minha vida tenho encontrado pelo caminho seres de toda a espécie e feitio. Alguns são amigos para a vida, outro inimigos para a vida, outros indiferentes, mas sobretudo não consigo agradar a gregos e troianos, aliás uma característica que me põe de pé atrás em relação às pessoas. Isso e aquele género de racionais que perante o poder das chefias baixa a bolinha mas morde nos do lado e sobretudo nos que lhe estão abaixo, esse é realmente o género de pessoas que me provoca vómitos e infelizmente vamos encontrando pessoas assim pela nossa vida. Esse género de vil pessoa quando se arroga de ser grande defensor dos seus princípios morais torna-se num agente verdadeiramente emético. Eu conheço uns quantos. Mas, sem querer fugir aos ensaios humanos, outra característica interessante nalgumas pessoas é que só se interessam por nós quando estamos casados ou num relacionamento estável. O que me leva a pensar que o interesse não é no próprio em si, mas em tentar lixar a relação de alguém. E isso eu já sofri na pele, de uma forma ingénua e imperceptível para mim, alguém tentou minar e explodir a confiança depositada por mim. E quando existem as armas e os argumentos certos, ainda que porventura falsos, tal é possível. Não há nada mais pernicioso para uma relação do que a dúvida. Nunca mais nada será igual, pelo menos até que se faça tábua rasa. 
É possível testar esse género de pessoas num qualquer ensaio humano, basta que se acabe a relação e é vê-las a desaparecer após o seu terrorismo emocional. E isso para mim é incompreensível, mas de facto realista, há pessoas que só sentem prazer em afastar os outros. A razão nunca saberei. Mas é passível de ser testado e comprovado. E assim se vão conhecendo melhor as pessoas com que nos vamos defrontando ao longo de uma vida e aprender a avaliar melhor os outros, pelo menos mais cautelosamente. 
Ainda há pouco tempo fiz a experiência e voilá após uma hipótese e análise dos resultados, concluí que de facto há pessoas que de uma forma dissimulada, cobertas por pêlo de ovelha, se aproximam e tentam seduzir alguém que não lhes pertence. E se não é fácil à partida usam-se todas as armas de forma a destruir uma relação. Após esta estar destruída, perde-se o interesse. Há gente filha-da-puta. Devemos estar preparados para embater de frente com este género de seres humanos destruidores e não nos deixarmos influenciar por palavras venenosas. Não obstante, por vezes queremos e ansiamos ser envenenados acabando por agir contra a nossa vontade primordial. Felizmente a isso sempre resisti. 

domingo, 26 de agosto de 2012

The Moon

As noites de lua nova sempre me incomodaram. Habitualmente gosto de conduzir à noite, excepto nas noites de lua nova. Nunca percebi o porquê da definição de lua nova se ela não existe, se está completamente oculta, do outro lado do planeta. Não gosta da escuridão das estradas sem o brilho cintilante da nossa lua. A lua nova é na realidade como o meu mais recente amor. Não existe, embrenhando-me nas trevas. Se fosse possível apreciaria a permanência constante da lua cheia e brilhante. Adoro-a. E o meu amor real não teria dado lugar a um amor inexistente.
 Hoje morreu o Neil Armstrong, o primeiro homem a pisar o solo lunar... Se há experiências incríveis, essa deverá ter sido a sua derradeira. Ver o planeta azul ao longe, pisando o solo poeirento da lua só poderá ter sido fenomenal. 
Nós, comuns mortais, podemos-nos contentar em conseguir ver a Lua dos terraços e varandas dos nossos prédios. Tenho imensas dúvidas acerca da mesma, mas de facto, se esse satélite natural da terra consegue influenciar as marés pelas suas forças gravitacionais porque raio não há-de influenciar o ser humano, já que somos 75% água. Esta ideia não é originalmente minha, mas sim do senhor Antony (& the Jonhsons). Acho que ele está coberto de razão. E agora, vou dormir a pensar no meu lado lunar.




sexta-feira, 24 de agosto de 2012

Gay Bar

I dedicate to all my gay friends... para os assumidos e para os não...

Healed. (Almost)

Healed. Well. Almost. But i´m trying. And day by day i start to live my own life without faked hope. Its my last entry about You. About Us. Its not a promise. Its a fact. One day in another life maybe we keep together.

domingo, 19 de agosto de 2012

Dark Pool

Hoje encontrei uns óculos negros de natação. Lembro-me perfeitamente de os ter comprado. Como me lembro da toca cinzenta que usei uma única vez naquela piscina interior onde nos banhámos debaixo de mil e um olhares surpresos. Há momentos inesquecíveis e esse foi um deles. Curto. Muito curto. Mas marcante por tudo o que significou. A pouco e pouco as memórias vão-me surgindo e dilacerando-me por dentro. Questiono-me como posso impedi-las de me assolarem o espírito. Não são más memórias, muito pelo contrário, mas fazem-me sofrer porque fazem parte de um passado irrepetível. Lutei contra tantos preconceitos por te amar. E no final perdi-te na escuridão que nos assolou. 
Tento encontrar uma luz com esta escrita que ignoras. I dive into the dark pool without no return.


The worst scar is in my Heart

The worst scar is in my Heart. Don't You ever think about The opposite. Im not superficial, even when its the only thing i let people know...

quinta-feira, 16 de agosto de 2012

i tried. saudade. i tried. saudade. i tried.



I tried. I really tried. But i can´t take it anymore. How deep has to be the pain? And, in The End two people that love each other, or at least its the way that i understand, have to follow different routes. Abort Mission of loving you. You will stay forever alive in my memories. Now its for Real. If you deeply love me you will return. But right now i have to continue my life with tears and feeling lost. We never know if it will be to late. Saudade, the portuguese word that has no translation, its destroying me.


quinta-feira, 12 de julho de 2012

my rainbow will be forever alive in my spirit



probably you dont know this song. you haven´t born yet when i played this over and over again. after, almost 30 year, i dedicate to You... because you will be always in my heart as a never ending story

domingo, 8 de julho de 2012

the day i was forgotten

O dia em que eu fui esquecido adivinhava-se quente, luminoso e veraneante. Já fui esquecido há mais tempo, mas só hoje me confrontei com essa dura realidade. Desta vez não fui eu a esquecer, fui sim o alvo do esquecimento. Dói mais. Talvez seja importante sentirmos a dor que já infligimos. No entanto, todas as vezes que esqueci deveu-se ao facto de as memórias não serem dignas de arquivamento. Hoje (talvez ontem) fui esquecido. As memórias afinal não perduram. É uma mentira, como tantas outras. Deitei fora a garrafa de Moet&Chandon que tinha guardada no frigorífico para alguma ocasião especial nossa. Para a próxima será Ruinart ou Perignon. Não obstante, não morro de amores por Champagne.  Hoje fui esquecido e podes comemorar sozinha. Ou talvez não. Vi na televisão um campeonato de golfe em Marrakeche. Recordei os bons momentos que lá vivemos. Os jantares no Terrasse des Epices em que nos perdíamos nos olhos um do outro. Mas isso foi antes de me teres esquecido. Foi antes de eu ter entrado na tua indiferença. Deitei-me tarde, muito tarde. Encontrei alguém que me perguntou por ti. Não sabia o que responder. Não foi preciso. A mensagem foi captada brilhantemente. Era suposto. Morri verdadeiramente para ti. Não física, porque eventualmente ainda te irás cruzar comigo, mas emocionalmente. Mata-se alguém quando dela nos esquecemos. Deixa de existir no nosso espírito, na nossa mente. Transformaste-me num John Doe espiritual. Hoje hibernei. Passei o dia em casa. Adormecido. Num silêncio inocente. No meu sofrimento único e que não transpareço cá para fora.

quarta-feira, 27 de junho de 2012

cry & rebirth & cry & rebirth & cry

Afastamo-nos um do outro com as lágrimas amargas marcando o trilho dos erros que cometemos ao longo destes 18 meses que me parecem uma eternidade. Não olhei para trás enquanto caminhava Belém fora rodeado por ordas de turistas naquele momento transparentes e voláteis. Não olhei para trás porque não se olha para trás para as coisas boas que tenho marcadas no meu espírito. A noite estava quentíssima contrastando com o gelo que sentia no meu espírito. Aproximei-me do meu carro com a esperança que o teu ainda lá estivesse. O lugar estava vazio. Afastamo-nos com um abraço quando a minha vontade foi fazer amor contigo. Chorei até a casa. Nessa noite não consegui pregar olho. As memórias boas suplantam as más, têm que suplantar. Não sei o que faça aos milhares de fotografias que tenho espalhadas nas molduras digitais cá por casa. Mas não posso continuar a encarar-nos com os olhares embevecidos com sempre tivemos. Não sei o que faça às tuas fotos ternas que tenho no iPhone. Não sei o que faça da minha vida sabendo que nunca mais compartilharei os teus abraços enquanto devorávamos filmes italianos antigos durante a tarde. Seria tudo mais fácil se nos tivéssemos separado zangados e com ódio um do outro. Não faz parte de nós, não faz parte de mim, nunca te conseguiria odiar. Como sabes, sou explosivo, disparato, digo alarvidades umas sentidas outras nem por isso, levo tudo à frente, mas no fundo sou incapaz de odiar quem quer que seja. Sou incapaz de fazer mal a quem quer que seja. Sou demasiado sensível para não me emocionar com a mais pequena injustiça que paire no meu espírito. Mas esqueço rapidamente e sou incapaz de guardar rancor. Nisso somos de facto diferentes. Não fico com as ideias presas num canto da mente quando aparentemente tudo já estaria resolvido. Não sei se é melhor ser explosivo ou rancoroso. Provavelmente o equilíbrio entre os dois. Não obstante, estamos os dois a milhas desse. Separar-me de ti amando-te como eu te amo não me faz de todo sentido. O amor não se resolve como comprando um novo cão quando o nosso velho bichinho de estimação partiu para a outra vida. Afastamo-nos um do outro contra a minha e tua vontade. Afastamo-nos porque somos demasiado estranhos, demasiado excêntricos, demasiado bizarros... e sobretudo porque pensamos demais. Vejo as pessoas vivendo vidas simples e felizes... Que sina promovi ao longo da minha vida para estar condenado a eterna solidão. Teria de re-iniciar a minha análise, quando estupidamente pensei que tudo no meu espírito era claro e controlável. Nada é controlável. Erro crasso. As pessoas, os meus amigos, os meus colegas vão começando e terminando relações com as lágrimas nos olhos e eu não fujo à regra. Mas que merda de vida promovemos hoje em dia. Não é um problema exclusivamente meu, exclusivamente nosso... Provavelmente nunca estamos satisfeitos. A sociedade de consumo estende-se até às relações e infiltra-as promovendo o descartável, o usa e deita fora. O amor está em promoção. Só durante 18 meses. É aproveitar ou largar. Termino com um majestoso FODA-SE ESTA MERDA TODA.

domingo, 24 de junho de 2012

when the phone rings

Quando o telefone toucou e não me atendeste decidi não mais te telefonar. Mas atendeste e conversámos... sobre nada. Disseste tudo com o teu silêncio transbordando palavras secas e cruas como se não me conhecesses, como se tratasse de uma qualquer chamada de inquéritos via telefónica. Os quais disseste logo não estar interessada em responder. Como se fosse essa a intenção de um telefonema. Por pouco não reconhecia a tua voz. Mas reconheci. Há timbres e sonoridades inesquecíveis que perduram para todo o sempre na nossa memória. Conversámos e nada disseste. Nem eu. Ficámos-nos por aqui, hoje como ontem. O telefone toucou e antes que o sinal de recusa desse sinais de vida ouvi a tua voz. Como gostei de ouvir a tua voz, ainda que a mensagem fosse obscura e cinzenta. Nada mais interessa, aliviei as saudades que tinha de te ouvir, embora soubesse que nada de bom terias provavelmente para dizer. Quando o telefone tocou e eu te pedi para passares a nossa música dos Temper Trap - Love Lost, disseste-me que o tempo do "quando o telefone toca" (programa memorável da rádio de outrora) já tinha passado. Agora se quiseres as tuas músicas vais para o YouTube e fazes as dedicatórias a quem bem entenderes. "Eu passo a música que bem entender e se não estiveres satisfeito podes ir à merda". É difícil ir a algum sítio quando já lá se habita há algum tempo. O telefone tocou e eu despertei. Acordei de mais um pesadelo. O vinho do Porto dá-me maus sonos. Venha um Absolut Vodka + Red Bull. PS: Alguém quer ir ao Lux hoje à noite???



quarta-feira, 20 de junho de 2012

old photos 2





Gosto de fotografia como gosto de música. Já aqui escrevi várias vezes a presença constante na minha vida da música... e também de fotografia. As fotos trazem-me à memória momentos como se estivesse a reviver os mais marcantes. Afinal essa é a sua verdadeira função. Sempre com banda sonora. Tantas vezes conversámos acerca de envelhecermos juntos. De estarmos unidos para todo o sempre. Como seria estar novamente sentado naquele tronco na Terra del Fuego quando eu tivesse 100 anos e tu 89. Mal sabíamos que mentíamos um ao outro e a nós próprios. Guardo no meu espírito aquele abraço quente envolvido por uma paisagem que nunca mais esquecerei. E que que vivi contigo. Foi sem dúvida a viagem da minha vida. Não voltarei à Patagónia sem ti. Nunca mais voltarei. Tantas coisas ficaram por dizer e por fazer. Como não soubemos gerir as adversidades das nossas vidas que podiam ter sido perfeitas a dois. Errei e senti na pele os teus erros. Não soube ultrapassar aquelas memórias ácidas com que destruíste a imagem impoluta que de ti tinha. Como eu gostaria de voltar atrás no tempo e proferir as palavras que proferi mas ao contrário e receber-te da maneira que tu ansiavas. Errei e nada posso fazer para o remediar porque estás longe. Gosto das fotos velhas embora nunca seremos fotografados de mão dada como gostávamos de andar Chiado acima eu de bengala e chapéu e tu de sobretudo negro. Foram 2 anos intensos em que vivemos sofregamente com momentos inesquecíveis. Para o bem e para o mal. Tudo o que fazíamos fazíamos intensamente. E como um fósforo que timidamente inicia a sua combustão explode em mil cores e apaga-se num cizento queimado, também nós vivemos a nossa relação. Choro. Choro muito e repito mais um ciclo de vida. Mais um ciclo de escritas. Mais um ciclo de desilusão. Por ti e por mim. Recordo aquela noite mágica na Confeteria Ideal em Buenos Aires. Apesar de não dançarmos um passo de Tango sentimos a paixão vivida por aquelas pessoas, nossas avós, que se amavam para a eternidade. Também nós jurámos amor eterno. Leio as tuas cartas e perco-me na fragilidade em que transformámos a nossa relação. Orgulho desmensurado. Dos dois. Argumentavas que a vida não são só viagens. Mas de facto os melhores momentos da minha vida vivi-os contigo em viagem. Talvez por estarmos os dois distantes desta realidade mesquinha que nos oprime. Se abrires o teu espírito verás que tenho razão. Ontem sonhei que estávamos novamente em Marrocos, recordei a explosão do Argana que só por sorte não nos levou a vida, recordei o medo imenso que tinha de te perder na Medina de Marrakeche, um pronúncio do medo imenso que sempre tive de te perder... em certa medida promovi a perda. Um espécie de eutanásia emocional. Desde há já algum tempo que aquele sentimento de "para a eternidade" se tinha perdido. Sentia de ti um distância atroz, sempre perdida na mágoa da tua outra esfera. Permitiste que interferisse na nossa vida pessoal. Apoiei-te sempre que pediste mas a pouco e pouco tornou-se insuportável. Não aceitavas nada que fosse contra o teu pensamento pré-estabelecido. Promovi uma morte que já há muito se vinha anunciando. Uma eutanásia verdadeiramente sentimental. Sabia exactamente qual seria a tua reacção às minhas palavras. No meu íntimo sabia que desaparecias para todo o sempre. E tu também o sabias. Esperei a janela para te ver chegar. Adormeci e quando acordei o teu carro já lá não estava. Até hoje.