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domingo, 27 de maio de 2007

Jamboree.Jazz Clube & Dance. Barcelona. Plaza Real


Ontem foi dia de borga. Também é merecida. Seguindo alguns (utéis) conselhos, resolvi não me dedicar exclusivamente à obstetrícia, comer saladas e dar grandes caminhadas a pé. Começei a noite por comer num restaurante argentino recomendado (e bem) pela minha senhoria aqui em Barcelona. Aliás, foi ela o meu guia espiritual nesta primeira noite em que sai por estas terras (nesta temporada bem entendido). O Restaurante Argentino foi do melhor. Comi um belo bife de chorizo coberto por molho roquefort que estava de pôr as minhas saladinhas a milhas. Despues, fomos beber um café na praça das cucarachas (esta é para ti Joaninha, se estás bem recordada da ante-penúltima vez que tinhamos estado em Barça) e claro está, não poderia deixar de ir beber um mojito com fresas ao bar dos cocktails. Nisto tudo eram 3.30 da manhã. Aqui janta-se tarde e sai-se tarde. Ainda conseguem ser piores do que em Portugal. Rumo às Ramblas, Plaza Real e Jamboree conosco. A fila estava interminável à porta. Eu de mochilinha às costas estilo estudante de Erasmus foi impossível não pagar tarjeta de entrada sin copa. Fiquei bastante entristecido. Esta coisa de estar habituado a entrar no Lux, BBC etc etc etc sem pagar e sem estar nas filas não é muito saudável quando se vem para outros locais.
Lá dentro, o ambiente era do mais bizarro, muito eclético, a música variava do Funk até ao Hip Hop. Tudo doido na pista. Esta quase às escuras. As bebidas caríssimas. O som altíssimo. O cheiro a tabaco, péssimo. Enfim, uma experiência a não repetir. Fiquei frustado com o guia do Lonely Planet que recomendava o Jamboree. Talvez como clube de Jazz, agora como disco deixa muito a desejar. E depois o regressa a casa. O ambiente das Ramblas às 6.30 da manhã é de cortar os pulsos e fugir dali para fora. Não é que seja perigoso. É mesmo pela degradação humana. Bom, pareço um VELHO DO RESTELO a escrever... mas se calhar estou velho e já não paciência para estas andanças. Hoje, que já é tardíssimo, estou a escrever... Estive a jantar casa dos meus amigos arquitectos no Bairro de Gracia até a esta hora. Tinha saudades de comer um belissímo bacalhau no forno. VIVA PORTUGAL. VIVAM AS PATATAS COM BACALAO. SE A TI TE GUSTA. A MI ME ENCANTA. VALLE?

quinta-feira, 24 de maio de 2007

Por dios.


É inacreditável. Agora que me fartei de apanhar o "7" todos os dias para ir para a maternidade e resolvi comprar uma mota para andar nas ruas frenéticas de Barcelona fizeram-me isto. Acham possível. Deixei-a paradita um bocadito para ir comer umas tapas e quando regressei... "que me habiam levado el motor, cono." Continuo a fazer-me transportar por ela, mas demoro um bocadinho mais de tempo porque tenho que dar aos pés. Ontem vieram uns mossos d´esquadra dizer-me que eu não podia andar com um véiculo com motor, mas sem motor, na via pública. Não compreendo. Andam tipos de bicicleta a toda a hora, por várias vezes me esqueço que não estou em Lisboa e só praticamente trucidado pelos ciclistas nas ciclovias. Especialmente quando levo os auriculares do Ipod colocados. Fiquei literalmente deitado no chão com uma roda dentada a ameaçar-me as partes pudendas e "una chica catalana virada ao contrário por cima de mim". Andamos meia-hora a apanhar os tomates, as alfaces e as cebolas que ela trazia para o jantar. Mas tudo bem. Tudo passa. Inclusivé as nódoas negras. Resolvi começar a andar de capacete mesmo quando estou na via pública. O que não é mau de todo. As pessoas pensam que eu sou tolinho e sempre me dão umas moeditas para ajudar a pagar as bicas que aqui são um autêntico luxo. Aqui e no resto da Europa. Mas caramba... ando com umas cefaleias porque só posso pagar um café por dia, que custa tanto como as 3 a 4 bicas que bebo em Portugal.
Nos jornais não se fala doutra coisa. O excesso de carga policial com que os mossos d´esquadra brindaram os okupas na manif onde eu inadvertidamente me vi envolvido. Felizmente não me tiraram a ficha. Na altura também ainda não tinha resolvido andar de capacete nos passeos. Bom, vou jantar um iougurt e uma peça de fruta. Quando acabar este meu estágio, vou chegar a Portugal numa elegância. NOT.

Nota da Redacção: ISTO FOI UM MERO EXERCÍCIO LITERÁRIO. QUALQUER SEMELHANÇA COM A FICÇÃO É PURA REALIDADE. A VERDADE JORNALÍSTICA SO DIZ RESPEITO A REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS PUBLICADAS EM ENTRADAS ANTERIORES, NOMEADAMENTE A MANIFESTAÇÃO DE OKUPAS. VALLE ? ABRAÇOS E BEIJINHOS.

segunda-feira, 21 de maio de 2007

Lunes. I hate Lunes.


Como prometido vou colocando algumas imagens da minha casa temporária. A porta de entrada e o hall. Período modernista no seu melhor. A seguir a Gaudi todos os arquitectos queriam fazer coisas semelhantes. Eu disse algures atrás pós-modernista... I was wrong. É mesmo modernista.
Estou a ficar elegante a olhos vistos. Daqui um pouco ainda penso que tuberculizei... Mas não. É mesmo exercício físico e prevenção cardiovascular. É impressionante como em Lisboa enfio-me no carro por tudo e por nada e aqui ando a pé kilómetros a fio. Bem, a cidade também é mais ou menos plana. Seja como fôr estou a ficar com o peso ideal. Hoje antes de ir para a maternidade fui ao Hospital Clinic tratar do cartão de identificação pessoal. Foi no próprio dia, tirei a fotografia e voilá - cartão de identificação. Cheguei à maternidade e voilá - um cacifo pessoal... EU SÓ VOU ESTAR AQUI UM MÊS. Não sei se me entendem. São estas pequenas diferenças de organização que fazem um país entrar nos G8. Claro, que existem muitos outros problemas, nem tudo são rosas. Barcelona é a cidade mais cara da Europa em questões imobiliárias. Os jovens não conseguem comprar casa. E os que consegue têm 80% do seu rendimento "hipotecado" ao banco. Daí a manif onde eu me "envolvi" ontem. Bem, meus amigos, agora vos deixo porque tenho "milhentas" coisas para estudar. Hasta luego.

sábado, 19 de maio de 2007

Okupas em Barcelona.


A minha tendência para estar no lugar errado e na hora errada é praticamente congénita. Após um lindo passeio a pé ao Bairro do Born dei por mim no meio da via laetenna rodeado de mossos d´esquadra (os polícias de intervenção cá do sítio) e manifestantes punks, hippies, grunge, anti-globalização e pró-movimentos okupa. Eu desconfiei quando havia um helicóptero nas imediações de Born que não saia do mesmo local. A comprovação foi as centenas de polícias de intervenção e carros de mossos d´esquadra que cercavam 50 manifestantes se tanto. Haviam ambulâncias em número suficiente para evacuar aquela gente toda. Os movimentos okupa tiveram a sua origem no sul da Europa em Barcelona. Aliás a população jovem e rebelde desta cidade é proprícia para este género de movimentos. Enfim, desculpem a superficialidade, mas quando me consegui pirar dali enfiei-me no Starbucks da frente e bebi um café expresso com mocciolato num só trago. Hasta manana.

sexta-feira, 18 de maio de 2007

A la pie.


Olá meus amigos. Estou certo que vou emagrecer uns kilitos em Barcelona. Continuo com o risco imposto pelos "nuestros hermanos" em não almoçar. Ando desconfiado que os tipos se piram rasteiramente sem que eu perceba, vão comer, e eu ali enclausurado no gabinete de ecografia. Mas eu descubro... ua ha ha ha. O estágio está a ser bueno. Como já vos disse estou numa casa pós-modernista no centro de barcelona, ao lado da praça Tetuan, a 500 metros do Passeo de Gracia e a uns 800 metros da Plaza Cataluna. Apanho o 7 todos os dias até chegar à zona universitária, onde fica a Casa Materninat. Tenho tido a companhia de uns miúdos com trissomia 21 que devem andar numa escola especial ali perto. Vão sozinhos, autonomamente de autocarro e parecem-felizes por estar vivos. Isto, naturalmente faz-me pensar e reflectir na nossa postura algo eugénica que adoptámos hoje em dia com os rastreios pré-natais, diagnósticos pré-natais e no final a interrupção médica de gravidez.
Mas isso são outras estórias e reflexões.
Hoje regressei a pé do hospital universitário até a minha casa temporária, demorei uma e meia, descia a diagonal, virei no passeo de gracia, parei no Starbucks e desembolsei um euro e 35 cêntimos para beber um expresso... Aliás... estou desgraçado com o preço dos expressos aqui... Eu que bebo no mínimo três diários.. e continuei até a minha casa, 2 planta, 2 casa, onde estou neste preciso momento a escrever... para ir dormir uma siesta. Na próxima terça-feira estou de Guardia... que é como quem diz... Urgência.
Agora. A la siesta.
Hasta lunes.
Que no fim-de-semana no lo creo que va escrevir por aqui.
P.S: Vou-vos colocar umas fotos de mi casa aqui... Vão adorar.

quarta-feira, 16 de maio de 2007

Bienvenido a Barcelona.


Ja estou em Barcelona. Durante o próximo mês decidi ser catalão. Cheguei terça-feira por volta das 23:45. Estupidamente depois de levantar as malas descobri que já não haviam transportes públicos. Apanhei um táxi. Taxista peruano que não sabia a morada que lhe dei. Calle Bonnavista, 16, Bairro de Gracia. Não encontrava. Paguei 32€ de Táxi. A viagem de avião tinha-me custado 40€. Há coisas ridículas. Fui excepcionalmente bem recebido no Hospital Clinic e na Casa Maternita. Mais uma vez tenho a minha prova pessoal que de Espanha há bons ventos e bons casamentos. Entretanto tive a felicidade de alugar um quarto num apartamento lindíssimo pós-modernista, creo yo, no centro nevrálgico de Barcelona. A senhoria, um doce de pessoa. Por vezes, quando menos se espera conhecem-se pessoas que nos fazem recordar a beleza das relações humanas, ou melhor, humanistas.
Penso que vou emagrecer uns quilitos por cá. Os médicos espanhóis NÃO ALMOÇAM pura e simplesmente. Estive até às 16.00 da tarde com estômago a auto-digerir-se. Claro que a primeira coisa que fiz foi enfiar-me no MacDonalds mais próximo e vai de Hamburgueres, Patatas Fritas, Coca-Light e Sundaes. As coronárias até estremeçeram de prazer. Depois andei horrores a pé. Desde o Bairro de Gracia até ao meu quarto. Sempre a puxar o Bobi Azul da Benetton, carregado até às orelhas. Enfim... Vou-me deitar um cadinho que logo à noite tenho Sushi para o jantar na casa dos meus amigos arquitectos. Depois... logo se vê, já que tenho que estar a las nueve en ponto na Casa Maternita.

sábado, 12 de maio de 2007

Braga por um canudo


Vim hoje da belissima cidade de Braga. Desde sempre tive um fascinio por Braga mesmo antes a de a conhecer enquanto cidade. Na minha fase pré-adolescente, umas primas da empregada dos meus pais eram de Braga. Lembro-me nitidamente do fascinio que a prenuncia delas me suscitava. De facto, sempre gostei da prenuncia do Norte, mesmo quando por pirraça dizia que não. Elas eram lindissimas, mais velhas e tinham aquela prenuncia melodiosa, enrrolando os rrs. Uma delicia. A cidade de Braga é das cidades mais interessantes que já conheci. É arquitectonicamente equilibrada, a população é jovem e as pessoas são na sua maioria de uma simpatia sem precedentes. Descobri um restaurante por acaso quando chegou a hora de jantar na quinta-feira à noite. "Abade Priscos" . Cozinha regional, alguma modificada, que em Lisboa custaria no mínimo 35€ por prato. Ali, era vendido por 10€, mas tudo com muito amorrrr. Comi um prato criado pelo dono e chefe da cozinha, chamado "bem bom". Outro prato que comi foi o os bifinhos gulosos. Um belissimo pedaço de bife, com presunto, cogumelos e cebolada no interior de massa folhada. Uma delicia. As sobremesas outra tentação - Pudim Abade Priscos e Leite Creme. A não perder. Depois o dono do restaurante é de uma simpatia sem precedentes. O único defeito (ou virtude) foi não ter Coca-Cola. Vá-se lá saber porquê. Tendo em conta que o dono me ofereceu um livro por ele editado chamado a estética anarquista, penso que não ter coca-cola é tudo menos um acaso inocente. Apesar de tudo, estive praticamente todo o tempo enfiado no congresso e no Hotel - Pousada de São Vicente - a estudar. Aliás, não saí uma única vez à noite. Estive literalmente a estudar.

quarta-feira, 9 de maio de 2007

Sexualidade na adolescencia.


A fotografia è de Cartier-Bresson. Esta foi a fotografia de abertura da palestra que dei hoje na Escola Secundária da Ramada. A convite do Sr. Prof. Francisco, amigo de longa data, Frango para os amigos. Foi uma experiência nova. Excepcionalmente interessante, não estou habituado a falar para alunos de liceu. Ainda este ano fiz uma pequenina apresentação sobre "Como nascem os bebés" no Externato de Alfragide para meninos e meninas à volta dos 4 anos. E agora, adolescentes, quase em idade adulta. Gostei do tema que me foi apresentado pelo grupinho de alunos que organizou este projecto. Five Star, posso assim definir. Muito atenciosos e agradáveis. Os alunos que assistiram à palestra, interessados, bem-dispostos e com rol de perguntas finais muito pertinentes. Valeu o esforço. Nada como abordar temas quentes e de díficil discussão desde tenra idade. É sempre uma ajudita para poder mudar alguns comportamentos de risco e mentalidades mais arcaicas que possam ocasionalmente surgir em relação a algo tão velho como a humanidade - sexo.

segunda-feira, 7 de maio de 2007

Bjork Volta


Saí a correr do hospital fui directo para a Fnac. Fez-me recordar os meus tempos de adolescência em que as novidades eram essenciais para o nosso bem estar. Este meu recém-estado de liberdade adquirida traz-me de volta para as vicissitudes de uma adolescência tardia. Recordo a melhor idade de todos os tempos. 16 anos. Foi o ano da loucura. O ano da descoberta. O ano dos excessos. Tão longe essas memórias que me fazem sorrir. Recordo o nosso grupo de Verão. Éramos uma verdadeira turma de vários pontos do país que nos reuníamos em Agosto em Lagos. Tenho uma fotografia a preto e branco no Jardim da Constituição que por lapso não sei onde pára. Mas essa foto parou no tempo e está cravada nas minhas memórias. Tenho saudades dos meus amigos puros da adolescência. Alguns já partiram para sempre por ironia do destino, mas guardo-os dentro de mim como se estivéssemos ontem pendurados ao telefone a combinar ir para a praia e a decidir os destinos nocturnos. Comprei o último disco da Bjork. Estava à espera dele desde que li no Blitz que ia sair dia 7 de Maio. Dois dias depois dos meus anos. Ofereci-o a mim mesmo. Tenho toda a discoteca da Bjork. Desde 1993 que sou fã. Adoro o debut, o homogenic, o medula, Selma´s Songs, Vespertine e agora o Volta. Já o ouvi 3 ou 4 vezes. Nada como estar enfiado no trânsito a ouvir uma boa música depois de uma sessão de psicanálise merecida. A música 3 faz-me flutuar na minha própria existência. Com este disco atingi o belíssimo número de 2400 CD´s. 30% enfiados no meu Ipod que me segue para todo o lado. Enfim. Perco-me e distraio-me nesta escrita sem fio condutor. Adeus até amanhã.

domingo, 6 de maio de 2007

Out of Order


Out of order. É como me sinto hoje de manhã quando acordei. Mais propriamente meio-dia. Cabeça pesada. Mente perdida e dispersa. Não levanto as persianas. Mantenho-me no cinzento que me envolve. Desço do leito cor-de-laranja e respiro profundamente. Admiro o quadro esculpido do buda que tenho em frente a cama. A minha única companhia. Acendo um cigarro. Sim, prevariquei. Acendo um cigarro e inspiro profundamente. Estremeço de prazer. Sinto-me tonto. Afinal já deixei de fumar há 3 meses. Felizmente o iPod tem carga. Coloco-o em modo aleatório. Vai-me debitando as minhas músicas preferidas. 578. O som não ajuda o meu estado de espírito. Começo por ouvir Ordo Rosarium Equilibrio, depois Perfect Circle... mantenho-me assim a flutuar suspenso pela tristeza que me dilacera as vísceras. Fico impávido perante o ácido que é projectado das bocas que beijamos. Ninguém está bem. Porque ninguém quer na realidade estar bem. A superficialidade é ordem superior. O invólucro é o que realmente conta. De vez em quando o verniz estala e o interior é exposto. Ácido, cruel, sádico, trespassando os limites proibidos. Não obstante, out of order. E o cigarro chega ao seu terminus.

Fronteiras.


Há limites que não podem ser trespassados. Em tudo. Mas sobretudo nas relações. Há fronteiras que depois de ultrapassadas destroiem as relações por dentro. São verdadeiras minas à espera de serem despoletadas. Mesmo que se façam as pazes, que os perdões surjam, a realidade é que ficam sempre marcas no nosso subconsciente. As pequenas feriditas que até podem estar curadas mas ocasionalmente dão-nos um pequeno prurido que se expande e se transforma num enorme prurido. Erradamente, pensa-se que se podem tomar todo o tipo de atitudes que o outro por gostar de nós lá estará. Nada mais errado. A sociedade que hoje conhecemos produz seres humanos que não estão para aturar as merdas uns dos outros. As pessoas são cada vez menos tolerantes, as relações cada vez mais limitadas. Não sei o que produzimos, mas nada de bom poderá daqui advir. A superficialidade das relações espantam-me. É cada vez mais triste, mas o velho provérbio é hoje mais adequado do que nunca "Antes só que mal acompanhado". É pena, porque ás vezes isto aplica-se às pessoas de quem gostamos. Ou de quem gostamos na maior parte das vezes. Porque há sempre facetas de personalidade que é impossível gostar. O problema é nos sabermos defender dessas facetas. Nada como um processo de análise para nos defendermos adequadamente das agressões daqueles que achamos amar. Esses são peritos em promoverem sentimentos de culpa na outra metade, que não passam na maioria das vezes de simples projecções. Anyway, thats the way life is. Nada melhor para lavar os olhos e promover as reflexões literárias do relações pouco gratificantes. A depressão é amiga íntima da poesia.

sábado, 5 de maio de 2007

One more year.


Hoje faço anos. Nothing special. Confesso que não ligo muito a aniversários. Incluindo o meu naturalmente. A realidade é que faço mesmo anos - 32 - para ser mais exacto. Não gosto de organizar festas de aniversário. Aliás, nem me ocorre organizar. É daquelas coisas que gostaria que me organizassem. Uma festa-surpresa seria interessante. O facto de ter que ser o próprio a organizar a sua própria festa de aniversário não me dá prazer. Se é para nos sentirmos especiais, então que nos façam sentirmos mesmo especiais - nada melhor que uma festa surpresa. Nunca tive nenhuma. Mas já organizei algumas. E posso garantir que é um previlégio muito grande ver os olhos de alguém brilhar. A última festa surpresa a que fui, não foi de aniversário, mas foi muito agradável. Primeiro, porque a homenageada é uma pessoa de quem eu gosto imenso. E depois porque foi um momento ver o ar de surpresa e de agrado ao ver-nos todos ali escondidos no escurinho à sua espera.
Acabei de ir buscar os meus filhotes a casa da mãe e vamos almoçar os três. Ainda não pensei bem onde, mas certamente a um sítio cool, que os meus filhos são exigentes.
P.S: Estou de saída de banco e prestes a precisar de reanimação, but, what a hell... Dormir é uma perda de tempo!

quinta-feira, 3 de maio de 2007

Spiderman Spiderman


Fui hoje ao "Fonte Nova" ver a estreia mundial do Spiderman 3. Parecia o "África Minha" dos filmes da Marvel. Nunca mais acabava. Confesso que para o final já estava a ficar um bocado saturado. Gostei da metade final do filme. Gostei do Spiderman mauzão. Muito mais real. Aquela figurinha do Toby Maguire com ar de bonzinho a toda a hora já me começava a irritar. Pior foi quando o miúdo despertou para o mundo e se tornou mauzinho. Mais real portanto. Acho piada ao Spiderman. Não suporto o Superman. E adoro o Batman. Aliás é o meu personagem favorito. Gosto daquele ambiente Gótico. Até os vilões são mais interessantes. E muito mais real também. Qualquer um pode ser o Batman, agora o Superman e o Spiderman estão reservados para aliens ou para tipos que cairam por azar nos bastidores do Aracnofobia. Enfim, já estou em casa agarrado ao computador depois de uma belissíma refeição no Ao Kilo... Picanha e Maminha, há lá nada melhor...

quarta-feira, 2 de maio de 2007

Do outro lado da linha.


Quero passar para o outro lado da linha. Deste lado já começo a estar cansado. A ténue linha que nos separa de tudo aquilo de que tenho curiosidade em conhecer. Quero desaparecer entre pavios acesos até que todos se vão deitar. Depois dos choros compulsivos, das recordações, dos momentos recordados, das anedotas que se contam para tornar o ambiente mais leve. De manhã tudo é diferente. Os pavios gastam-se escorrendo os resquícios de cera derramada. E eu já do outro lado da linha. So faz falta quem cá não está. Nunca me esqueço desta verdade absoluta. E por muito que se queira ninguém é insubstituível. Ninguém. Mergulho a minha face no vidro de pregos que copiam a minha última expressão. Quero ficar incontactável no escuro que nos ilumina. O silêncio absoluto. As recordações são a minha única realidade. Compro um bilhete de ida e entro no comboio de toda a eternidade. Desapareço no escuro e passados uns tempos só um vago nome que um dia alguém recordou.

terça-feira, 1 de maio de 2007

Hotel Ruanda.


Tinha este DVD já há algum tempo. Estive várias vezes para ir vê-lo ao cinema e nunca se concretizou. Sabia que não era um filme fácil. Estava no primeiro ano da faculdade quando o conflito entre os Tutsis e os Hutus se reacendeu no Ruanda. Recordo-me dos noticiários acerca dos genocídios cometidos. Recordo-me da indiferença com que o ocidente assistiu e assiste ao drama de África. Faz-me recordar que historicamente a Europa é 100% responsável pelos dramas da política africana. Pela imposição artificial de fronteiras ao sabor do colonialismo. Pelo desrespeito dos regimes tribais africanos. Imaginem se há 600 anos atrás nos obrigassem a coabitar forçadamente com os nossos (agora) irmãos espanhóis. Não podia ser muito diferente. Com a diferença que os europeus sempre tiveram mais requintes de malvadez na forma como matam. Talvez por isso tenha adiado este filme tanto tempo. Sabia que era perturbador. Especialmente por ser real. Sabia que ia chorar. O que não é difícil para mim. Não me vou estender sobre o filme. No entanto, acho que ninguém poderá deixar de o ver e de ficar indiferente. Para rematar e sem ter nada a ver, gostaria de referir que fico profundamente nauseado sempre que passo no Marquês de Pombal e não me estou a referir ao túnel...