Google+ Followers

sábado, 30 de janeiro de 2010

Quarto de Memórias

Deixei o quarto exactamente como estava no dia que te foste embora. Não fui capaz de mudar uma peça que fosse. Cada centímetro de parede é uma recordação tua. Sento-me na tua cadeira e deixo o pensamento flutuar oceano fora até ao teu encontro. Nunca pensei que o tempo fosse tão relativo e uma semana parecessem meses. Até nisso Einstein tinha razão. Fecho os olhos e vejo-te deitada no nosso sofá como se fosse ontem. Ponho o gira-discos a rodar e ouço as nossas músicas de vinil de outros tempos. Os nossos tempos. Ana Carolina e Seu Jorge. Gotham Project. Rita Red Shoes. Embalo os meus ouvidos na recordação da tua voz. Deixei o quarto exactamente como estava no dia em que te foste embora. Naquele dia em que não te consegui dizer adeus. Em que tantas palavras ficaram por dizer. No dia em que os meus olhos fugiam dos teus com receio de não controlar as lágrimas que sulcavam o meu rosto. A almofada continua no chão como nós a deixamos. O teu baptismo "da almofada que cai" faz-me sorrir. Visto o pijama luminoso que me ofereceste e deito-me ao teu lado. Não me sentes mas eu estou por aí. O quarto está exactamente como tu o deixaste no dia em que te foste embora. Os lápis de cor continuam espalhados pelo chão. Os desenhos que fizemos os dois. O céu pintado de azul. O Sol resplandecente que trespassa as árvores centenárias do nosso passeio polvilhado de misticismo. Os encontros não programados. As coincidências. Os pastelinhos de Belém. As fugas para comprar cigarros e beber café. Tudo fotografado a preto e branco porque é assim que se deve fotografar o amor. Deixei o quarto exactamente como estava no dia em que te foste embora. Não consegui mudar uma peça que fosse.

domingo, 24 de janeiro de 2010

Memórias

sábado, 23 de janeiro de 2010

leituras cegas




Não sei porque escrevo se sei que não lês. Fico prostrado perante os pensamentos que teimam em não me abandonar. Quero-me levantar mas as pernas dobram-se como galhos secos ressequidos pela tristeza que me assola. Os rios secam perante o teu sorriso que a mim já não se dirige. Sinto a tua voz fugir do outro lado da linha. As tuas palavras esfumam-se nas emoções que se perderam. Rasgo-me perante o teu ser e tu nem sequer sabes quem sou. Não sei se alguma vez saberás. Ou se alguma vez quiseste realmente saber. Lavo a cara com ácido e cego perante as leituras que não quero ver. Flutuo até ao teu ser e vejo-te a preto e branco como o amor deve ser fotografado. As distâncias assolam-me e perseguem-me. Os cadáveres caiem à minha volta e só tu interessas. Pinto o mundo a preto e branco e percebo que estás do outro lado do espelho. Faço-te adeus e ofereço-te um sorriso que me devolves como se emoções em ti só existissem em mundos paralelos onde não me insiro. Insiste em pôr-me numa caixinha da qual me quero libertar. Recordo-me dos inúmeros livros de páginas brancas onde quis recriar a história caustica deste mundo podre que nos envolve. Somos duas peças do mesmo puzzle mas não saímos da prateleira onde teimosamente nos quiseram castigar. Liberto-me e flutuo lado a lado ao pé de ti. As leituras são cegas mas quero me leias como eu desejo interiorizar-te. Não sei porque escrevo se sei que nunca lês. Lavo a cara com ácido e percorro os teus pensamentos sem que dês conta. A clarividência transporta-me para os teus mundos paralelos que quero unificar. Abro os olhos e não vejo e num último esgar de dor canto o meu amor por ti.

quarta-feira, 20 de janeiro de 2010

Memento

Há momentos que não o são e outros que deviam ser o que não são. Há momentos de tristeza e outros de emoção. Há momentos cizentos que dilaceram o coração. Há momentos de saudade, momentos de ansiedade, momentos onde a mentira é uma verdade. Há momentos de memória... E memórias de momentos. Há momentos de opções, certas e erradas... Há momentos de sofrimentos sofridos e infligidos. Há momentos em que estamos no Céu outros no Inferno. Há momentos em que estamos e outros em que flutuamos. Há momentos de morte iminente em que tudo desaba à nossa frente. Há momentos de alegria e de amor. Outros de ódio e de tremor. Há momentos em fecho os olhos e... respiro lentamente à espera do que não existe.

domingo, 17 de janeiro de 2010

Para ti...

Escolhas

São 3:31 da madrugada. Os amigos já regressaram aos seus lares. Fico sozinho e penso em ti. É bizarra a forma como de ti me recordo. As nossas vivências ocorrem como se o tempo desse saltos em vez do contínuo que nos habituou. Os amores proibidos só o são na nossa mente. Envio-te sms na vã tentativa da resposta que tarda em regressar. As escolhas têm destas coisas. É curioso como já há muito tempo não sentia saudades de alguém. E tu fizeste-me regressar a esses sentimentos que há muito sentia apagados da minha essência. Tenho saudades tuas e ainda agora voaste. Libertaste-te e eu sem querer também me liberto. Não conseguia adormecer sem te ver uma última vez. Espero o teu regresso como se a certeza fosse inequívoca. Que não é. Nunca é. Ficam as memórias, os sentimentos e as vivências. Ás vezes sinto que nunca vou passar desta adolescência das paixões. O Chivas Regal percorre-me os vasos e entorpece-me a mente. A escrita fica fluida e vejo-te longe, para lá da nossa península. Quero estar a teu lado mas não consigo trespassar as barreiras que nos separam. O encontro de hoje em frente ao balcão vermelho é o paradigma do amor que por ti sinto. Nunca pensei voltar a amar. A mente é assim, prega-nos estas partidas. Deito-me e finto o candeeiro branco que teima em abanar-se. Tudo treme à minha volta e tu não sentes porque caminhas estrada fora no regresso ao teu mundo. Quero entrar nele mas as chaves estão perdidas por estes campos fora. Á medida que escrevo a minha cabeça abana. Quero voltar à cama que espera por ti sem a certeza absoluta de algum dia regressares. Mas a vida é feito de incertezas e eu não sou excepção.

sábado, 9 de janeiro de 2010

A almofada que cai.



Quinta da Regaleira, Sintra, 2010

O teu olhar terno transporto-o comigo,
Partes sem dizer adeus, porque os adeus só se dizem para sempre,
Não quero despedidas, porque ainda não morri,
A celebração da tristeza nunca me fez sentido.
Ficamos em margens opostas deste rio cinzento que nos separa,
Libertas-te de quem nunca te prendeu,
Quero-te acenar mas não consigo,
Fecho os olhos e navego pelo teu corpo, perco-me na tua mente, respiro o teu ser.
Fotografo-te a preto e branco porque é assim que a beleza deve ser guardada.
As memórias são o nosso elo de ligação,
A "almofada que cai" fica à tua espera,
e eu com ela...