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domingo, 19 de abril de 2009

Venezia





Aqui ficam algumas das minhas fotos dos últimos 5 dias. Baci.


domingo, 12 de abril de 2009

L´amour

(Lepidoptera, vulgo Borboleta; captada nas lezírias de Santarém a 12/04/2009)

A saudade é uma palavra portuguesa. Talvez nós, pela carga genética enclausurada ao longo de gerações de descobrimentos e descobridores conseguimos ter saudades daqueles de quem amamos. Os outros chamam-lhe nostalgia... Para nós é saudade. E cantamo-la como ninguém. Eu tenho saudades de pessoas que já partiram e de pessoas que ainda não partiram mas é como se já tivessem partido. Tenho saudades das emoções que já senti e daquelas que precocemente morreram sem que tivesse tido tempo para as sentir de verdade. Mas a saudade existe. Penso em ti como penso em mim e deixo-me flutuar ao longo daquilo que não vivemos. Se calhar porque não poderíamos ter vivido. Mas fica a saudade de um morte anunciada. Entristeço-me quando penso em ti, pela forma como conduziste as nossas curtas intersecções de vidas cruzadas num ponto num lugar. Acendo um cigarro, que é coisa que já não fazia há uns meses e deleito-me perante a minha cobardia e quebra na força de vontade. Mas às vezes é tão difícil resistir às coisas boas da vida... Mesmo que contra tudo e contra todos. Mesmo que contra a nossa saúde. Nunca te cheguei a ler como gostaria e quando te leio as tuas palavras a mim já não se dirigem. Se é que alguma vez se dirigiram. Fazem-se opções, outras vezes são nos impostas. Sempre gostei de sentir nostalgia, de escrever com os olhos inchados, de sentir as agruras dos amores não correspondidos escorrerem pela face abaixo, deixando as almofadas de veludo castanhas marcadas pelo sofrimento do amor que é maior do que nós. Amamos sem nunca sabermos realmente amar. Chorarmos sem nunca realmente sabermos chorar. Usamos as palavras e a música como uma chave para a porta da eternidade. E num ápice tudo desaparece e ficamos no escuro, envolvidos pelo bréu... Como pelo bréu ficamos envolvidos. Quero voltar atrás mas não consigo. Quero apreender o amor, mas este não se ensina nos livros. Quero voltar aquele cinema e não olhar para ti. Quero voltar aquele café e não te fintar os olhos. Quero voltar aquela casa decorada nos anos 70 com alcatifas sujas e os candeeiros de luzes cintilantes e não te recordar... Quero tudo no mundo menos aquilo que alguma vez já tive.

domingo, 5 de abril de 2009

escova de dentes

Quis-te emprestar a minha escova de dentes e tu recusaste. Há coisas que não se emprestam, dão-se. É curioso como se fabricam preconceitos que demonstram o quão estranhos e distantes estamos uns dos outros, mesmo que habitando os mesmos lençóis. Beijamos-nos na boca, trocamos saliva, envolvemos as nossas línguas uma na outra. Fazemos amor. Beijamos todos os centímetros corporais... e no fim não trocamos as nossas escovas de dentes porque é falta de higiene. E na realidade é... Tudo depende do contexto. Nos momentos de calor onde os corpos escorregadios deslizam em uníssono pensamos em tudo menos nas bactérias do outro lado da pele. Claro que é tudo pictórico. Na realidade não te quero emprestar a minha escova de dentes como não quero compartilhar mais do que estritamente necessário os lençóis que habitam debaixo do negro manto de veludo que cobre a minha cama. Habituei-me a gostar de dormir na diagonal. Neste momento a postura que mais se adapta a um sono relaxante e descansado. Durmo no meu leito como se estivesse ao longo de uma vista aérea de Barcelona - a minha cidade fetiche... Vou lavar os dentes e colocar-me na diagonal. 

sexta-feira, 3 de abril de 2009

riders on the storm


Riders on the storm
Riders on the storm
Into this house were born
Into this world were thrown
Like a dog without a bone
An actor out on a loan
Riders on the storm
(The Doors)

Há momentos que se vivem uma ou duas vezes na vida e recordar-se-ão cinquenta. As primeiras paixões, pela sua própria definição, são imortais. Se forem platónicas expandem-se a velocidade da luz. Quando olho para Vénus vejo as imagens do passado que se torna presente. Vejo imagens do passado, com segundos de intervalo, mas do passado... Quando há 17 anos  me disseste que tinhas algo para me dizer, os meus olhos brilharam, o coração palpitou, a tensão baixou repentinamente e o ego envolveu-me com uma aura brilhante que só mais tarde viria a conhecer ser capaz de existir em mim. Disseste-me realmente que estavas apaixonada por alguém sem conseguires demonstrar como e eu ajudei-te, mesmo amando-te profundamente... 

Passados 17 anos reencontrei-te inesperadamente. A nossa relação sempre se baseou em encontros ocasionais... Na realidade nunca fomos amigos nem nunca chegaremos a ser. Mas ajudei-te sempre que necessitaste. A última dessas ajudas será mais importante do que alguma vez pensarás ser. Desta vez não te amei profundamente e não consigo definir o sentimento que por ti alguma vez nutri. Na realidade senti-me envolvido por todo o caos que preenchia a tua mente. Ouvi-te nas tuas lamentações e deixei que me levasses pelos caminhos tortuosos do teu pensamento. Cruzámos várias vezes o olhar e a distância de segurança dos 50 cm foi algumas vezes ultrapassada. Enquanto subíamos em direcção ao céu naquelas escadas-rolantes cinzentas várias vezes tiveste vontade de me morder os lábios e eu senti-o... As emoções são aquilo que nos queremos sentir e não aquilo que sentimos verdadeiramente. Desta vez não foi a mim que disseste estar apaixonada e permitiste com isso transformar a tempestade numa manhã amena e soalheira como nos contos de fada. Continuei a minha caminhada por entre nuvens tempestuosas a procura da saída para o labirinto para onde me lançaste. Recordo a lenda oriental onde o escorpião pica a tartaruga que o ajuda atravessar o rio, mesmo sabendo que morreriam os dois, quando questionado respondeu ser essa a minha natureza. O meu iPod grita Stairway to Heaven de Led Zeppelin e afundo-me no puff cor-de-laranja a pensar na injustiça dos nossos sentimentos e na ingratidão das nossas atitudes, com a certeza de que nada acontece por acaso.

quarta-feira, 1 de abril de 2009

Teoria do Chaos

Def. A teoria do Caos é um modelo matemático que permite explicar certos sistemas dinâmicos, isto é, sistemas cujo estado evolui com o tempo. Há sistemas que são hipersensíveis a condições iniciais. O exemplo mais popular corresponde à determinação de como o bater de asas de uma borboleta pode desencadear um terramoto no outro lado do mundo. São sistemas randomizados e determinísticos.

Há situações inesperadas em que nos vemos colocados e que parecem ocorrer de uma forma randomizada. Há situações que não controlamos e que, como o bater de asas de uma borboleta, sem querer provocamos um tremor de terra, maremoto, furacão e provocamos caos e destruição para logo de seguida reinar a reconstrução. Este é um dos princípios fundamentais do hinduísmo. Há sentimentos e emoções reais ou fantasiosas que podem abanar todo um sistema dinâmico que evolui com o tempo. É curioso como a teoria do chaos se pode aplicar a tudo, especialmente às relações interpessoais. Há situações incompreensíveis tal como há pessoas incompreensíveis. A minha mente tenta processar determinadas ocorrências e só me ocorre que sem querer e de uma forma aleatória, de alguma forma, contribuí para o reencontro e reequilibrio emocional de outros mundos, de outras pessoas... Mesmo, crendo não ter sido intencional, não consigo deixar de pensar que mais uma vez a manipulação se tornou uma arma vil contra a minha existência, que usado como um instrumento cirúrgico de encontro ao coração que não o meu... Se em tempos a perturbação me atingiria em cheio, hoje fruto de muitas defesas adquiridas de processo auto-analíticos, considero que simplesmente contribuí para a paz alheia e mais uma vez comprovo que a melhor forma de defesa é encerrar-me num casulo autista e flutuar à espera que um raio de luz perdido me atinja e me oriente para longe daqueles que não nos merecerem... :(