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quinta-feira, 29 de novembro de 2012

Ensaio sobre a Traição

(Este texto foi escrito segundo as normas do antigo acordo ortográfico e com recurso a um iPad, pelo que poderiam existir erros decorrentes da sensibilidade e pressão com que se bate no teclado. Para a sublimação do mesmo o autor reservou-se o direito de ouvir Bat for Lashes)

Ontem preso no trânsito entre a Avenida da República e Entrecampos deparei-me a reflectir sobre a hora do sexo do Quintino Aires. O tema, já discutido, prendia-se com a Traição e se era ou não possível perdoa-la. É um tema pesado pela carga emocional que tem associada. Quem traí não tem a mais pálida ideia do mal que inflige ao outro. A traição para além do simples acto de trair, desligada ou não de sentimentos, é um acto de egoísmo, de mentira, de omissão, de hipocrisia, de desrespeito máximo por aquele que se diz amar. A traição assim só poderia ser cometida por seres humanos que de humanos só teriam o nome. O acto de trair seria então somente um impulso animal digno das mais estúpidas bestas.
 Foi realizado um estudo onde 75% dos homens admitiam ter traído pelo menos uma vez na vida e cerca de 70% das mulheres admitiram ter cometido "adultério".  Então como se explica isto? Que a maioria das pessoas está com os outros por mero interesse? Segundo o Quintino quem ama verdadeiramente não trai, não sente necessidade de trair, mas segundo ele pode admirar uma pessoa na rua e mesmo desejá-la mas sem trair. Bem, não será o pensamento em si mesmo uma traição. Se se ama verdadeiramente então não se tem olhos para mais ninguém. De facto, não é verdade.
O acto de trair é barbáro. Discutia-se na hora do sexo que é impossivel perdoar uma traição. Nisso acabo por concordar parcialmente. Até se pode controlar sintomas e sinais, como se de uma doença crónica se tratasse, mas curar essa ferida de verdade não é de todo possível.  É uma dor recorrente invadida por fantasmas que mais cedo ou mais tarde podem aparecer. Se quiseres destruir o amor próprio de alguém trai-o. A traição, em última instância, corresponde a promover o mal a quem nos ama. É de facto a pior atitude que se pode ter com alguém que confiando em nós nos ama incondicionalmente. É uma dupla maldade. Não passível, segundo Quintino Aires, de ser perdoável. Eu discordo, apesar de ser uma atitude execrável e cobarde, é possível de se perdoar. Não quero com isto afirmar que as feridas fecham, porque de facto não fecham.
A traição é má, mas e confessar uma traição? Será uma atitude correcta e respeitadora. Penso que não, uma pessoa que comete uma traição e que ainda por cima não consegue gerir os sentimentos de culpa que daí adveém confessa a traição para aliviar o seu espírito. Se outro ficar por lá então a dominância sobre o outro está ganha. E trair é como matar, só custa a primeira vez. Segundo Quintino Aires, o traído só fica na relação por medo de ficar sozinho. Discordo, o traído pode ficar na relação porque na realidade ama o traidor. E será possível amar quem nos traiu? Acredito piamente que sim. Embora com lágrimas e sofrimento.

quarta-feira, 28 de novembro de 2012

Recorrências

A mente e o pensamento são recorrentes. Insistimos na nossa felicidade e preferimos não encarar a realidade com que nos defrontamos. Existem momentos em que devemos fazer tábua rasa. Não adianta insistir em pessoas e relações que teimam em não acontecer. É difícil compreender as relações. Na realidade é impossível. Ando numa espiral da qual não consigo sair. Quando sinto que a corrente de ar diminuiu e me lança novamente à terra rapidamente renasce. É recorrente pensar em ti, mesmo quando em mim não pensas. Quero desistir como tu mas insistes em alimentar a minha infelicidade. Quero bloquear os meus pensamentos, quero eliminar-te da minha existência. Tu não deixas. Quando penso que não passas de memórias reapareces, como se adivinhasses que me poderias perder, quando na realidade já nos perdemos aos dois. Alimentas o meu sofrimento como se dele te viesse algum ganho, algum prazer mórbido. Sou para ti um nutriente para o teu ego. Queres-me e ao mesmo tempo não me queres. Alguém me dizia que as pessoas só se ligam às outras quando são mal-tratadas. Pois talvez por isso não te consiga esquecer. As mulheres e os homens veneram bad boys and bad girls. Talvez não seja a regra, mas a conheço grande quantidade de pessoas, inteligentes, cultas e sensíveis que se mantêm estaticamente à espera de quem as tratou ou trata mal. A volatilidade com que te relacionas comigo é confundente. A ultima vez que conversamos ao telefone foste doce, delicada, contrastando com aquilo que é habitual. Percebi que tinhas plateia, onde sou um mero pagliaccio. É factual, corto o cordão imaginário que me une a ti. Não é possível continuar nesta indecisão. Parto.


quinta-feira, 15 de novembro de 2012

What Time is it?

O tempo é relativo. Como o espaço o é. A relação espaço-tempo toma, por vezes, proporções interessantes na nossa vivência. Esperamos mais tempo do que espaço. Estou habituado a esperar. Especialmente na minha área, que em grego significa isso mesmo: saber esperar. E espero até que o espaço se esgote. Mas este tende para o infinito. E infinito vezes zero é zero. O único e verdadeiro elemento absorvente. Quando nada mais existe o tempo e o espaço esfumam-se e este atinge o seu limite. O ponto de exaustão. Sinto formigueiros em ambas as mãos. E esgoto a minha ampulheta que me canso de virar diariamente.

domingo, 11 de novembro de 2012

Skyfall.

Este último James Bond foi um turnover moralista do próprio. Um verdadeiro tradutor da substituição da violência pelo amor. Este James Bond repleto de explosões e mais explosões não teve uma única cena de paixão ardente. As Bond Girls desapareceram por completo. Á única pequena cena que houve, foi no chuveiro com a chinesa e passado pouco tempo a miúda acabou com um tiro na cabeça. Ainda bem que não se candidatou à nossa presidência da república. Para além disso, o James ainda foi assediado pelo vilão de serviço. Enfim... que desilusão de filme. Perdeu-se o glamour de outros tempos. O Double O Seven tem os dias contados. 



nota: Este para mim continua a ser um dos melhores momentos humorísticos de sempre. 

segunda-feira, 5 de novembro de 2012

Indifference

Haverá alguma coisa pior nas relações entre seres do que a indiferença? A indiferença é o desprezo total e absoluto por outro. A indiferença mata, corrói, dilacera. Muito pior do que odiar. A indiferença é algo que só sente, ou melhor não se sente, quando alguém é transparente, volátil, sem importância. Quando alguém morre, se o amamos ou odiamos, sentimos a perda. Por razões diferentes, naturalmente. Mas quando alguém é indiferente nem sequer sabemos ou queremos saber, porque na realidade não nos importamos. Cultivar a indiferença de alguém significa que a pessoa saiu, deixou de existir, foi apagada de qualquer memória, por mais pequena que seja. A indiferença é a pior forma de não se gostar. Na realidade nem se chega a não se gostar, porque a indiferença é vazia de sentimentos, de conteúdo, de alma. Um ser indiferente é um não-ser, é um patamar muito abaixo do ser humano, dos animais, dos vermes.  Pior, não tem existência. De facto, quando Andy Warhol afirmava que preferia que falassem mal dele do que não falassem, estava repleto de razão. Alguém sentir a indiferença dos outros é a anulação completa do seu ser, da sua personalidade. Ninguém deveria ser obrigado a transformar-se em vidro, em plástico, num saco transparente e isso é a indiferença. As pessoas acabam as relações. Faz parte das vicissitudes da vida. Existem inúmeras razões para tal se suceder. Normalmente as culpas são arremessadas de um lado para o outro da rede sem que ninguém as deixe cair no chão. A seguir ao amor vem o ódio, o escárnio, o orgulho, as feridas reabertas, as divagações. No entanto, esses sentimentos por muito negativos que sejam demonstram respeito pelo outro ser. Demonstram que se pensa. A indiferença não. A indiferença corresponde à eliminação total, ao despejo, ao arremesso. Para alguém se tornar indiferente implica que o outro ser o esqueceu por completo, racional ou irracionalmente. A indiferença é indiferente. And we use to get closer than this (aqui usado com sentido).

domingo, 4 de novembro de 2012

perfume

As paredes envelhecidas observadas de frente pelos lentes de outrora. O bengaleiro, pé de galo, amarelado jazia encostado ao armário de metal enferrujado semi-aberto. A tua roupa repousava nele. Queria-te marcar. Depositei as minhas roupas por cima. O cheiro de anjo penetrou-as intensamente. Disseste-me mais tarde que quando chegaste a casa e cheiraste o casaco veio-te à memória a minha pessoa, o meu ser, o meu cheiro. Não há nada mais erótico, marcante, envolvente que o cheiro. Essa é a marca animal que nos atinge inesperadamente. Podemos não ser giros, especialmente simpáticos, brilhantemente inteligentes mas alguém algures ficará enebriado com o nosso cheiro. A verdadeira essência da paixão reside aí, nas feromonas. Somos animais domesticados, mas a essência está lá. Conheço imensas mulheres, umas lindas, outras inteligentíssimas, outras sensuais e nenhuma me prendeu como tu. Não têm o teu cheiro, a tua alma. Também eu recordo o teu cheiro misturado com o meu na minha roupa que me acompanhou durante o dia seguinte. Cada vez que te vejo quero-te beijar o pescoço, sentir o teu suor, inspirar-te... Sou teu e a culpa são das feromonas. Enfeitiçaste-me com o teu odor. Queria agarra-lo, mete-lo no meu frasco, fecha-lo bem para não fugir. Para mim és e serás sempre a minha princesa feiticeira...

quinta-feira, 1 de novembro de 2012

Can´t Follow Me

Para onde eu vou não me podes seguir. Decidi mudar de rumo, mudar de vida. Quando tudo deixa de fazer sentido partimos para parte incerta. Decidi deixar tudo para trás. Faço uma tábua rasa da minha vida passada e presente. Procuro no futuro algo que aqui nunca encontrei. Não me podes seguir. Para onde eu vou só se vai quando se é chamado. Ou então procura-se um atalho. Compra-se um bilhete de ida no mercado negro. Lamento, mas não me podes acompanhar. Abandono o meu amor depois de o  distorcer com vivências, comportamentos, frases inacabadas. Abandono o meu amor corroído. Facilita-me a viagem tortuosa que me espera. Para onde eu vou não me podes seguir. Mas também não estou certo que o quisesses. O tempo tudo muda. O tempo transforma-nos naquilo que queremos e não queremos. O tempo e o espaço para onde vou deixam de fazer sentido. Acabam-se as mesquinhices, os horários, as pressões, os receios. Não tenho medo de partir porque já há muito parti. Para onde eu vou irei reencontrar-te um dia. Quem sabe talvez me reconheças. Antes de ti já muitos partiram e eu na altura não os segui. Desta vez irei, sem olhar para trás, sem lançar lágrimas, sem me despedir. Para onde eu vou não me podes seguir porque partiste antes de mim. A vida a dois é uma cedência continua. A presunção que os outros erram enquanto nós somos impolutos é um ode ao insucesso. Espera-me a barcaça de madeira onde entrarei sozinho. Atravesso o oceano de almas perdidas até reencontrar algumas das pessoas que perdi. Pessoas que me amavam e que eu amei. Iremos fazer uma festa. Tenho saudades de lhes passar a mão pelo cabelo, de sentir as suas festas na minha face, de beija-la, de abraça-las. Já tantos partiram antes de mim que não é nada de especial.
A vida é feita de amizades e de amor. Podemos amar as pessoas em vários contextos. Há imensos amigos que eu amo do fundo do meu ser. Nunca tive medo de o afirmar. Mesmo quando a ti te parece estranho. Talvez nunca tenhas tido uma verdadeira relação de amizade. As pessoas amam-se e tocam-se espiritualmente. As pessoas magoam e perdoam. As pessoas genuínas não mastigam os outros. Tenho saudades de muitas dessas. Afasto-me por vezes dos meus amigos. Há períodos. Momentos em que cometo distracções, erros, uns mais banais do que outros. Preciso dos meus momentos de isolamento, de introspecção para pensar neles. Fico perdido perante tantas evidências de que nunca me amaste verdadeiramente. Ou se me amaste deixaste-o de fazer deixando-me numa dúvida perpétua. Há palavras que já não saiem da tua boca. Deixaram-te de te fazer sentido. Embora a mim o façam e afirmo-o aos sete ventos o quanto te amo. Para onde eu vou não me podes seguir nem me poderás amar. Deixo tudo para trás. Não levo ninguém. Deixo o meu amor pela última vez. Transfiro os meus valores e modo de pensar com todos os seus defeitos e virtudes aos pequenos querubins. Para onde eu vou ninguém me pode seguir.



Lyrics
When darkness falls
And surrounds you
When you fall down
When you're scared, and you're lost
Be brave
I'm, coming to hold you now
When all your strength has gone
And you feel wrong
Like your life has slipped away

Follow me, you can follow me
And I, I will not desert you now
When your fire has died out
No ones there, they have left you for dead

Follow me, you can follow me
I will keep you safe
Follow me, you can follow
I will protect you.

Ooo, I wont let them, harm, harm you
Ooo, when, when your heart is breaking

You can follow me, you can follow me
I will always keep you safe
Follow me, you can trust in me
I will always protect you, love