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sexta-feira, 27 de setembro de 2013

Mickey Mao

Hoje vou vestir a minha Mickey Mao. Vou jantar à noite com colegas e apetece-me despir a farda habitual politicamente correcta. Vou começar por beber umas margaritas e afundar-me em sangria de champagne e frutos silvestres. Espero que os mariachis do costume estejam por lá. A última vez que lá fui os meus miúdos adoraram - Comandante Che Guevara. Hoje sem miúdos sou eu o miúdo vestido de Mickey Mao. Vai ser giro. É sempre. As conversas descambam sempre. Muito mesmo. É o problema de sentar à mesa vários ginecologistas. Os outros coitados têm que se aguentar à bronca. O último grande jantar ficou marcado pela diferença entre Squirting e Golden Shower. Sim, até eu fiquei perturbado com o conhecimento de algumas das pessoas. Espero que haja after-dinner. Apetece-me dançar e ver luzes a piscar. Talvez Incógnito ou Lux. No que diz respeito à noite não sou de grandes variações. A noite começa invariavelmente no Bairro e acaba invariavelmente no Lux. O tempo está cinzento e chuvoso. Who cares. Sinto-me bem disposto. Nada como uma boa sexta-feira. Friday, My second favourite F word. ;) Well. See u.

quarta-feira, 25 de setembro de 2013

cheiro a terra molhada

Sinto o corpo pegajoso. Trabalhei mais de 24 horas e não tomei duche a seguir. Naturalmente, não por vontade própria. Prefiro sem sombras de dúvida tomar o meu banho em casa. Como tal, não trouxe nem shampoo, nem gel, nem escova, nem creme de rosto, nem perfume e muito menos roupa lavada e passada a ferro. Mas hoje fui apanhado à traição - tens que ir vigiar exames. E lá fui, pegajoso, remelento, despenteado e a cheirar a cavalo. Evitei cumprimentar as pessoas que fui encontrando. Detesto gente mal-cheirosa. Assim que pus o pé fora do hospital senti os chuviscos refrescarem-me e o cheiro a terra molhada. Uhhhmmmm... Adoro o cheiro das primeiras chuvas de Outono. Fui caminhando cautelosamente na calçada escorregadia e ouvindo os gritos selváticos dos putos a serem praxados. Irrita-me profundamente a praxe académica. Não passa de um exercício de humilhação por parte de imbecis. Se quiserem chamar as coisas pelo nome e à séria então façam-no como em Coimbra onde os caloiros são rapados se apanhados na rua depois da meia-noite. Eu fui, apanhado por uma trupe chefiada por um atrasado mental que depois chegou a ser meu colega de ano. O que ele era gozado. Posteriormente, já como doutor participei em trupes e também eu rapei caloiros. Algo do qual me envergonho profundamente hoje em dia. Atitudes impensadas e irreflectidas de um adolescente acabado de chegar a Coimbra. A praxe é um exercício de imbecilidade e traduz a subserviência das hierarquias. Na altura nem sequer pensei nas coisas dessa forma. Entendia tudo como uma mera brincadeira. Mas de facto não o é. Frequentemente dou comigo a chatear os meus alunos parar se deixarem de merdas e não praxarem caloiros. Felizmente na faculdade onde dou aulas essa actividade não é sobejamente apreciada. 
Cheguei a casa quase à hora do almoço. Deitei-me pegajoso no sofá e no sofá adormeci a ouvir Mumford&Sons. Gosto desta altura, sobretudo porque é o início do ano lectivo, porque são os meses de transição em que começo a rebuscar os meus cachecóis, casacos e botas. Adoro conduzir à chuva. Aprecio as idas ao cinema, ao teatro, a concertos e exposições, mais que no Verão. E depois há o cheiro à terra molhada. O que eu gosto. 

segunda-feira, 23 de setembro de 2013

o ultimo olhar

O último olhar aconteceu no Campo Grande às quatro da manhã. Cedo para uma noite de fim-de-ano. Fiquei à beira do lancil a fumar um último cigarro enquanto desaparecias na curva da cidade universitária. Um ano antes estivemos lá para comemorar a tua benção das pastas. O risco que corri. Estava-me nas tintas. Nada é mais forte do que o amor verdadeiro e este não escolhe quem quer atingir. Se no início achava que a discrição seria o mais adequado, naquele momento queria gritar aos sete ventos o nosso amor. Sei que fomos falados e tu também. Em registos e patamares diferentes. Curiosamente a minha geração demonstrou ser menos cinzenta e preconceituosa do que a tua. De facto não se espera um comportamento abstruso de pessoas com pouco mais de vinte anos. As últimas recordações guarda-os do Natal de 2012. A partir daí foi sempre a desfocar. Cada vez mais tudo parece uma história de amor antiga em que os actores foram morrendo aqui e ali, uns de tuberculose, outros de sífilis, como era habitual outrora. Não fossem as tuas fotos continuarem espalhadas cá por casa e provavelmente a tua face seria pouco mais de uma recordação ténue. A figura substitui-se pelo intelecto. E o teu continua tão presente. Não há dia em que em ti não pense. Não fosse ter cortado de vez com o nosso contacto e a DSM-IV teria lugar para mim. Assim chama-se simplesmente mal-amado. Na realidade já nem sei o que se chama. Acho que já não passa tudo de uma birra minha. Gosto de sofrer e alimentar paixões platónicas. Tive algumas muito fortes. Uma delas pela minha professora de matemática no 9ºano. Outra, por uma amiga de cachinhos dourados do grupo de Verão. A facada em cheio que senti quando ela revelou a mim estar interessada em cicrano. E a pedir-me ajuda para o conquistar. Ainda hoje não sei se ela alguma vez soube o que eu senti por ela. Se sim, foi de um grande sadismo. Mas que amor mais puro aquele em se promove a felicidade no objecto do seu desejo. E sim ajudei-a. Sofrendo e corroído por dentro. Nunca mais a vi. Uns amigos comuns disseram-me que estava gorda e velha. Só faltava estar desdentada. Verdadeiros amigos para que eu agradecesse a Deus não ter ficado com ela. Tudo mentira, vi-a uma vez ao longe no Colombo e continuava deslumbrante como eu a sempre vi. Recordo a pele dourada e aquele olhar doce. Não há paixões como quando se tem 16 anos. Vou voltar ao meu livro... 

domingo, 22 de setembro de 2013

Bem-vindo Outono.

Primeiro dia de outono. Impossível. O calor que se faz sentir não é prenúncio de que o Verão já lá vai e preparamos-nos para entrar no Inverno. Seria pior se estivéssemos em pleno Game of Thrones. Aí o Inverno seria inevitavelmente dramático. O último tinha durado 9 anos. Habitualmente aprecio as 4 estações, embora essas já só existam nas memórias de infância. Até aí a austeridade se fez sentir. Reduziram-nos as estações em 50%. Tenho excelentes recordações dos Outonos. O início das aulas. O regresso das terras de Vera Cruz. Os namoros escondidos e proibidos - só no nosso espírito. O outono veste as pessoas do deboche do Verão que se esfumou. É um regresso à realidade, uma tábua rasa dos excessos do Verão, das férias. No entanto, o Verão insiste em não nos abandonar. Estou quente, quase febril. Mais uma semana que se passou e que espremida só caiu sumo azedo e bolorento. O outono já foi verão e já se transformou em inverno. No outono a hoegaarden cobiçada pelo Duque de Saldanha alimentou-nos conversas intermináveis. Os encontros furtivos por esses parques de estacionamento fora, as despedidas com beijos roubados pelos cantos da boca. Esse outonos não morrem. Agora este em que mantenho alegremente os polos lacoste nas gavetas diárias não é de confiança. Começa a fazer falta o friozito da manhã, o céu encoberto e os primeiros cheiros a terra molhada. Adoro as primeiras chuvas. Depois, como tudo na vida, tornam-se cansativas pela insistência. Achei apropriado ouvir Sade enquanto escrevo. E como muitas outras músicas, fez-me recuar no tempo. Nessa altura ainda existam lojas Singer que vendiam as coisas a prestações. A net era uma miragem e os telemóveis só nos pulsos do tipos do espaço 1999. Nessa altura, na década de 80, no outono, após o início das aulas pedi ao meu pai uma aparelhagem - como se dizia na altura. Recordo-me do cd de demonstração ter músicas de Sade e Terence Trent D´Arby. O som era uma merda e acabei por não concretizar o meu desejo. Mas o momento ficou e era outono.

quinta-feira, 19 de setembro de 2013

A1

As quinta-feiras passo-as a trabalhar fora de Lisboa. Conheço o início da A1 de olhos fechados. Sei exactamente os locais onde não me posso esticar. Um deles é aquela descida onde, inexplicavelmente, muda para os 100 km/h. Houve um dia que vi um taxi encostado à berma, com uns pinos cor-de-rosa antes. Á frente, do capot aberto, um radar. Não me chateei, sempre imaginei aquele como o local previlegiado para a caça à multa. Recordo tantas viagens nesse pequeno troço de 40 km até desviar para dentro em direcção à Serra do Montejunto. Conheço as curvas, a paisagem, as pedreiras, os semáforos no meio das terreolas. É um dos meus momentos Zen essa pequena viagem semanal de 40-50 minutos. Ouço normalmente a Antena 3. E penso, penso, penso. O regresso, também habitualmente à mesma hora, fica frequentemente marcado por um desvio para o KFC da 2ª circular onde compro lixo para destruir as coronárias. A questão é que não me apetece cozinhar às horas que chego a casa. O curioso é que tenho as melhores e as piores recordações destes momentos de introspecção. Podem achar bizarro, mas faço verdadeira meditação enquanto conduzo. Para mim, o ouro sobre azul reside numa boa intempérie. Quando a protecção anuncia alerta amarelo, ou mesmo vermelho, é quando eu gosto de conduzir. Gosto da chuva cerrada, do nevoeiro impenetrável, dos lençois de água, adoro sentir o ESP do carro a equilibra-lo no meio de um aqua-planning. De facto, sou tudo menos normal. E gosto de ser assim. Um dia destes alguém irá identificar o meu cadáver estropiado debaixo de um dos enormes camiões TIR que circulam naquela estrada merdosa. 
Há 3 anos atrás as quintas-feiras e a suas viagens estavam marcadas pelas saudades. Telefonava para a Itália sem me preocupar com nada. A sensação de que podia estar a ser excessivo maçava-me, mas era irresistível. Passei três meses com a cabeça no ar. Foi a primeira vez que consegui que uma dieta fosse tão eficaz. Perdi 12 kilos. Comecei a gostar mais de mim. Foi uma dieta forçada. Pura e simplesmente não tinha vontade de comer. Sabem, borboletas no estômago e a cabeça vazia. Questiono-me como não fiz nenhuma merda durante esse trimestre. A distracção envolvia-me e a minha mente voava a 3000 kilometros de Lisboa. Queria telefonar para Roma a toda a hora. De facto há emoções que nunca se esquecem. Agora que penso nisso consigo vivenciar parte daquilo que sentia a cada minuto, cada segundo que passava. Queria-me despachar a todo o custo. Corria para casa à procura do Skype. Passávamos horas a falar aos soluços pela noite dentro. Chegava ao trabalhava como se estivesse a borgar a noite toda. Ou pior, a fazer múltiplas urgências. Recordo o frigorífico branco decorado com rótulos de cerveja atrás de ti. Uma paixão interrompida pela distância só pode trazer mau resultado. Andava doente e a minha doença era o amor e paixão loucos que me assolaram assim que te vi entrar. Cheguei a abandonar o cinema, com a desculpa que o filme era uma merda só para te ver à distância. E as conversas com os amigos no à margem em que eu desligava de tudo e de todos. As vezes que fotografei a nossa ponte, o nosso Tejo iluminado pela nossa Lua e te enviei fotos só para que matasses saudades. Só se ama assim uma vez na Vida. Só se perde um amor assim uma vez na Vida. O teu regresso foi o princípio do fim. 

sábado, 14 de setembro de 2013

Characulu

Essa palavra vem do Latim CHARACULU, um diminutivo do Grego CHARAX (o CH soa como em alemão), “estaca, pedaço de pau”.

sexta-feira, 13 de setembro de 2013

Sons de Violino no Telhado

Cheguei a casa e cansado deitei-me no sofá de pele. Está calor e este cola-se ao corpo. É uma sensação desagradável no inicio mas depois de o aquecermos ficamos envolvidos no sofá ternurento. Adoro o meu sofá. Não sou grande adepto de devoções a objectos, mas este é aquele que me atura nos dias de cansaço extremo. As minhas lamúrias são ouvidas por ele sem estrebuchar. O meu sofá é meu amigo. E frequentemente cá em casa a minha única companhia. Ele e o meu sistema de hifi bose. O Olive 3 HD apesar de ter uma boa memória e ter guardadas quase 4000 músicas anda-me a pregar partidas. De um momento para o outro decidiu que não engolia mais CDs e deixou-me pendurado. Voltei às pilhas de CDs como se de torres instáveis gémeas se tratassem. Cheguei a casa, acendi um cigarro e bebi uma weissbier. Afinal é sexta-feira. E, enquanto espero por um casal amigo para irmos atacar umas sapateiras para os lados de Algés resolvi novamente nadar no meu sofá, italiano, cinzento-tabaco e ouvir música. De repente ouço sons de violino no telhado. Alguém arranha nas cordas sem dó nem piedade, dos meus ouvidos. É uma das desvantagens de se viver no último andar. Os vizinhos que estendem roupa passam pela minha porta aos Sábados de manhã, as infiltrações fruto das construções de merda que se fazem em Portugal e os sons de violino no telhado. Não os pedi, mas eles lá estão. Raios partam a miúda que não toca um caralho. E eu que só sentia borboletas no estômago, agora tenho que comer com sons de violino no telhado. 

quarta-feira, 4 de setembro de 2013

Unforgettable fire

Acabei de beber duas weissbier. Adoro. Se há cerveja que aprecio é a weissbier. Nunca estive no oktoberfest. Estive uma semana antes. Não obstante, quem lá esteve queixou-se do cheiro a gases de cerveja fermentada nos intestinos e demasiado barulho. Há cerca de um ano atrás estava a apanhar o voo para Munich para umas férias à ultima da hora decididas. Fiquei na casa de uma grande amiga minha que agora vive no Luxemburgo. Correu atrás do amor da vida dela. Parece-me bem. As pessoas quando amam verdadeiramente não devem desistir à primeira adversidade. Foi agradável estar em Munich. Ela trabalhava todo o dia e eu dediquei-me a conhecer a zona. Fui a neuschwanstein e a Salzburgo. Cidade interessante. Apanhei chuva que me fartei. Acabámos por passar um fim-de-semana os três em Ljubljana. Eu a aminha amiga e o recém-amigo colorido dela. Que entretanto foi para as urtigas. Essas férias foram inesperadas porque deviam ter sido passadas de outra maneira. Mas há imprevisibilidades que nos colocam noutros caminhos. Eu na Alemanha, Austria e Eslovénia e tu na Sicilia. São opções. Ficaste muito zangada por eu ter ido de férias. Não sei o que esperarias. Talvez que não saísse de Lisboa e me limitasse a ir às piscinas de Barcarena. Não o fiz. Mas confesso que apesar da companhia agradabilíssima da minha amiga a maior parte do tempo andei sozinho. E pensei em ti, em nós em cada passo que dava. Talvez o único momento em que andei mais distraído tenha sido em Lubjlana fruto das litradas de cerveja que os três emborcámos. Andar a viajar com um inglês é sempre arriscado. No sábado acabamos numa discoteca chamada Circus. E que de facto o era. Que noite de loucura. WTF. Apesar de estar a escrever estas superficialidades, o meu pensamento está em todo o lugar menos aqui. Na realidade está longe a pairar sobre ti. Mas decidi começar a controlar a tristeza e as saudades que em mim se abatem. Estou provavelmente mais sensível efeito do litro de weissbier que já bebi. Talvez não seja isso. Talvez seja eu mais uma vez a enganar-me a mim próprio. Resolvi voltar à psicanálise. Não consigo tirar o meu pensamento de ti, de nós, de tudo o que tivemos, de tudo o que perdi e de facto começa a ser impeditivo de voltar a viver. Nesse sentido, já nem as viagens reais ou virtuais aliviam a minha dor. De facto és um unforgettable fire.