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sexta-feira, 28 de novembro de 2008

momentos estáticos.

Faunas sobre mim. Playa del Carmen. México, há uns anitos atrás. Sempre gostei de bichos. Mas não de todos. Não sou assim tão eclético no que toca à bicheza. Na realidade odeio insectos voadores. Aliás, já passa para o conceito da fobia. Quando tenho abelhas à minha volta fujo sem olhar para trás... Uma vez ia-me espetando de carro à conta de uma Mr. Bee. Apesar de tudo adorei o filme "The Bee Movie". Tenho saudades dos tempos em que os Lagartos e os Papagaios se metiam comigo.
Estilo Indiana Jones no topo da pirâmide de Chinchiniza... Lamento, mas se ainda não foram lá nunca mais poderão ter uma foto desta amplitude. É que há coisa de 2 ou 3 anos, conta-se que caiu por lá uma alemã... e não ficou  para contar a estória. Mas acho que é mentira, na realidade os milhares de pessoas que subiam e desciam os seus degraus estavam a dar cabo daquilo que é tão somente património da humanidade. Estas pelo menos sobreviveram à destruição castelhana. ;)
Esta pérola do narcisismo foi captada pela minha priminha A., que para além de ser um borracho, é uma belíssima fotografia e dominou a minha Canon Eos 450D como uma princesa... Aliás ela é uma princesa.

Esta não conto... Se quiserem adivinhem... Assim como assim, já postei umas quantas no melhor blogue de fotografia da net... http://aturmadoespelho.blogspot.com
Gosto da perspectiva. Campo de Criptana, Rota do Dom Quixote, Terras de La Mancha, 2008.
Peço desculpa por ter alterado a ordem dos comentários. Mas eu sou assim, gosto de confundir as pessoas!

quinta-feira, 20 de novembro de 2008

O Amor é Fodido, Miguel Esteves Cardoso

"Nascemos todos com vontade de amar. Ser amado é secundário. Prejudica o amor que muitas vezes o antecede. Um amor não pode pertencer a duas pessoas, por muito que o queiramos. Cada um tem o amor que tem, fora dele. É esse afastamento que nos magoa, que nos põe doidos, sempre à procura do eco que não vem. Os que vêm são bem-vindos, às vezes, mas não são os que queremos. Quando somos honestos, ou estamos apaixonados, é apenas um que se pretende. Tenho a certeza que não se pode ter o que se ama. Ser amado não corresponde jamais ao amor que temo, porque não nos pertence. Por isso escrevemos romances - porque ninguém acredita neles, excepto quem os escrevew. Viver é outra coisa. Amar e ser amado distrai-nos irremediavelmente. O amor apouca-se e perde-se quando se dá aos dias e às pessoas. Traduz-se e deixa ser o que é. Só na solidão permanece..."

Adoro o pensamento do MEC, sempre adorei. Apesar de no início me irritar a sua vertente direita, de facto acho que no fundo sempre foi um homem de esquerda. Algo que veio a assumir há relativamente pouco tempo. Diz ele que virou à esquerda, eu acho que nunca tinha estado na direita, foram somente as más companhias. Sempre gostei do que ele escreve, mais do que fala. Era fã na minha adolescência da defunta revista K, para mim um marco naquilo que de melhor  se publicou em Portugal. Deixo aqui um excerto do Amor é Fodido. Um livro que já li, mas infelizmente não tenho... Pode ser que alguém me o ofereça entretanto.

segunda-feira, 17 de novembro de 2008

Desilusão


Cada vez mais compreendo as pessoas que são duras, frias, impenetráveis e distantes. Na realidade cada vez me convenço mais que são elas a ter razão. Quando, de uma forma natural,  se é genuíno, quente, despretencioso e de relacionamento fácil mais os outros têm tendência para ultrapassar os limites do bom senso. Há duas ou três frases-chavões com as quais eu não posso deixar de concordar. As coisas só correm mal quando nós nos pomos a jeito e se não nos pomos a pau eles sobem por nós acima e fazem por nós abaixo... Esta última, especialmente, é de uma inteligência e perspicácia porque é realmente isto que acontece...
Na minha vida tenho tido alguma dificuldade em impôr limites às pessoas... seja em relacionamentos amorosos, de amizade e mesmo profissionais... O que me tem trazido alguns dissabores. No entanto tenho a perfeita noção que não consigo mudar esta minha personalidade (superficialmente) adolescente... Quando mais eu penso que estou a ser transparente mais os outros perdem o respeito e deixam de me levar a sério. Quando na realidade eu sinto não me merecer que não me levem a sério. Sinto-me às vezes um verdadeiro "Santana Lopes"... o que não é nada abonatório a meu favor. Excepto a parte das gajas... Sim, porque sucesso entre as gajas não lhe falta. Percebem o que eu quero dizer... Lá estou eu a avacalhar a minha reflexão. Por isto tudo sinto-me desiludido, não com os outros por subirem por mim acima... mas comigo mesmo por não impôr limites. Isso faz-me recordar que tentarei ser mais frio, distante e começar a dar menos confiança. Porque há sempre quem não mereça.

domingo, 16 de novembro de 2008

Daguerreótipos

Linda. Costa Vicentina. Inverno de 2006. 
Passagem de ano de 2007
Ponte sobre o Tejo. Adoro esta foto. Secret place in Monsanto. Amo-te Lisboa.
"Twin Peaks", David Lynch. Facultat de Medicina, Barcelona
Las Ramblas. Cada vez com ambiente mais bizarro... Muito mesmo! Não por isto obviamente. ;)

quinta-feira, 13 de novembro de 2008

Prioridades

Estou sentado na cama de um quarto de Hotel. Abro a janela e sinto os 5 graus nocturnos que envolvem Barcelona. Regresso a esta cidade donde sinto nunca ter partido. As razões que aqui me prendem são mais que muitas. Já aqui vivi momentos inesquecíveis... O meu filho Francisco é a prova viva. Ouço o "Oceano Pacífico" via WEB à medida que escrevo estas palavras. Elas fluem numa tentativa de aliviar o meu espírito envolto em arrependimento. Há momentos na vida de uma pessoa em que tudo parece desabar à nossa volta. Ocorrem-me quando sinto que me passo para o outro lado do razoável e trespasso os limites que a mim mesmo imponho. Cada vez mais considero que as crianças nunca se portam mal. Nós é que temos mais ou menos tolerância. Sinto-me destroçado por dentro. Zanguei-me com a minha filha Mafalda por uma asneira que ela fez... Isso não é dramático, faz parte do processo educacional zangarmos-nos com os nossos filhos. A forma como o fazemos é que pode ser mais ou menos adequada. Seja como fôr, cada vez que me zango com os meus filhos fico com um peso na consciência que me gela o coração. Ela compreendeu que tinha errado. Pediu-me desculpas, que imediatamente aceitei, mas mais importante do que pedir desculpas é uma criança perceber porque é que está a pedir desculpas - e ela soube exactamente onde tinha errado. Escrevo estas palavras porque hoje quando falei com os meus nenucos ao telefone senti na vozinha da Mafalda uma tristeza inconsolável, só comparável com a tristeza inconsolável que eu também sinto... E isso faz-me pensar nas prioridades que coloco na minha vida e em tudo o que eu gostaria de mudar no meu relacionamento com os outros... Porque, em última instância, tudo se resume no nosso relacionamento com os outros. De um momento para outro uma pessoa parte para o desconhecido e ficam enciclopédias de coisas por dizer, por fazer, por mudar, por sentir... e tudo deixa de fazer sentido. Vou voltar para a minha cama... ou melhor para a cama do Hotel quando na realidade queria era estar numa tenda beduína no meio do Sahara... é assim que me sinto, perdido numa imensidão de areia gelada nocturna onde os escorpiões andam a minha volta à espera do momento oportuno... E no entanto também eu errei... E por isso me arrependo.

sábado, 1 de novembro de 2008

Tempo

É assustadora a forma como o tempo se esvai por entre os nossos dedos. Que sociedade é esta que nós estamos a criar ? E que legado vamos deixar para os nossos filhos? 
Apesar da esperança média de vida aumentar 1 minuto a cada minuto que passa, o facto é que cada vez vivemos menos. O tempo é realmente relativo. A velocidade que nos impomos a nós mesmos no mundo actual diminui-nos o tempo de vida, embora vivamos mais... Não sei se me conseguem compreender. Eu próprio não compreendo como as semanas chegam ao fim como se de um salto em comprimento se tratasse. É assustador. As segundas-feiras já não me deixam mal-disposto. Nos intervalos dos sonos rapidamente chego a próximo fim-de-semana. Tenho um ritmo que não pedi a ninguém. A minha vontade começa a ser fugir para alguma oásis onde o tempo passasse como antigamente. Acordo em stress para despachar os miúdos para ir para a escola e chegar a tempo ao hospital de forma a marcar a hora de entrada com controlo digital dentro do horário por mim definido. A hora de entrada tem que bater certo, já a de saída é uma incógnita e ninguém me paga mais por isso. Saio a correr do Hospital para o consultório para ao fim-da-tarde ir buscar novamente os rebentos e vir a correr para casa fazer trabalhos de casa e preparar o jantar. Entretanto saio a correr para os ir levar à mãe de forma a que não se deitem depois das 21.30. No dia seguinte estou de banco de 24h... frequentemente sem saída de banco no dia seguinte. Chego a casa à tarde onde me deito (um luxo) durante a tarde... isto quando não tenho consultório à tarde. A meio da semana o meu estado de zombie haitiano agrava-se... Quinta-feira é seguramente o pior dia. O dia after-after-day é aquele em que só me apetece meter-me nos meus lençois e babar em cima da almofada... Mas não me deixam. Sexta-feira another day of work... E rapidamente a semana chegou ao fim. Sem cinemas, sem leituras, sem televisão, o tempo (escasso) livre que tenho serve para estudar e programar a minha vida futura. Mas que porra de vida esta. Posto isto, naturalmente que os meus escapes são as viagens onde frequentemente me recuso a transportar um relógio por mais elegante que seja. Foda-se. Já estamos no Natal e ainda agora estou a acabar de desembrulhar os milhentos pijamas, boxers e meias que me ofereceram há 1 ano atrás. Ano esse que mais pareceram 2 ou 3 meses. Algo de muito errado se está a passar connosco e com a sociedade hipertiroideia que estamos alegremente a desenvolver. Qualquer dia morro de AVC, EAM, acidente de viação ou qualquer outra merda que me ponha termo à vida (Neo do pulmão por exemplo) e esta pouco significado teve... É fodido não é.