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quarta-feira, 31 de outubro de 2012

Chocolate Muffin

Percorremos as ruas frias e escorregadias envolvidos um no outro. Os prédios de fachadas tortas caiem à nossa volta. Amparamos-nos mutuamente. Andamos às voltas num chão de algodão macio e terno. Os neons iluminam as nossas faces apaixonadas. Perdemos-nos nas montras de mil e um objectos coloridos. Tocas-me, sinto pequenos choques e formigueiros ao longo de todo o corpo. Paro no tempo e no espaço. Só tu interessas. Olha para o mapa do nosso amor e desperto com o teu beijo húmido no meu ouvido. Ao longe ouço em surdina as pessoas caminhando. O rapaz emagrecido carregando a bicicleta negra parece-nos dirigir palavra. Não entendo. Só tu interessas. Os cisnes dançam nos canais gelados desviando-se dos barcos que lentamente rasgam as águas geladas. Só tu interessas. Perco-me no teu olhar, na tua voz, no calor do teu corpo. Um saco de plástico agita-se e viramos-nos como se alguém nos perseguisse. Percorremos as ruas frias e chegamos a casa. Andamos às voltas, perdidos nos braços um do outro. O tempo passa lentamente, mais do que o habitual. Nessa noite entregamos-nos um ao outro com a intensidade do primeiro amor, da primeira paixão. Amamos-nos durante a noite. Ao longe o relógio lentamente transpirava segundos demorados. Senti o teu corpo em perfeita sintonia com o meu. Fundimos-nos num só. Penetrei-te lentamente. A corrente percorria os nossos dois corpos como se de um só se tratasse. Cada poro teu era meu. Cada pedacinho de pele pertencia-me. E eu a ti. Fomos um só ser percorrendo as ruas frias e escorregadias que tu agora percorres sozinha. O elefante cor-de-rosa olha-nos de cima. O nosso amor abençoado por Ganesha. Ignorámos tudo e todos à nossa volta. Só tu e eu interessávamos. O chocolate derretido envolvia-nos em mil cores, em mil sons, em mil emoções que sentimos intensamente. Os cânticos dos homens vestidos de hawaianos envolvem-nos. Rimos do fundo do nosso espírito. Beijamos-nos intensamente como se só beijam os seres uníssonos. Quando nos despedimos foi como se tivesse sido arrancado de ti. Separam-nos como se de dois siameses toracopagos nos tratássemos. O coração era único. Levaste-o contigo para longe, para a cidade do amor em espelho. Fiquei ressequido vendo-te partir. Desesperei até ao próximo encontro. Mantive-te sempre em pensamento. Cada dia, cada hora, cada minuto do meu tempo. Que saudades tenho de comer um muffin de chocolate.



sábado, 27 de outubro de 2012

Chopin´s Nocturnes

Há sensivelmente um ano passeava-me por Varsóvia. Passeávamos. Foi a nossa última viagem a dois. A nossa última comunhão. O que nos procurámos a igreja onde jaze o coração de Chopin. Encontrámos. O que nós gostámos do museu de Chopin. Ainda guardas o teu cartão? O meu continua arrumado na mala azul de rodas desgastadas. É curioso como Chopin está presente em alguns momentos marcantes da nossa vida. Bem, não tão marcantes assim. Na realidade os momentos deixam de ser marcantes quando os esquecemos. E tu provavelmente já o fizeste. Ouço os nocturnos de Chopin  da Maria João Pires. Não comprei no museu porque não fazia sentido. Conversámos sobre isso. Encontrei hoje uma belíssima edição da deutschgramophone e não pensei duas vezes. Nesse dia chovia a potes e nós sem chapéu. Recordo o teu cabelo liso e escorrido. Recordo-me do abraço terno que demos para nos mantermos quentes. Nesse dia nada mais interessava a não ser a nossa cumplicidade. Esta amorosa. Nesse dia comemos aquele fantástico apfelstrudel naquela casa de chá deslumbrante. Como nós nos amávamos. Como compartilhávamos cada momento. Como bastava um olhar para nos entendermos. Chopin esteve e está presente nas nossas vidas. Pelo menos na minha, já que me traz à memória ternas recordações. Á medida que ouço esta melodia terna e envolvente recordo o Pianista de Roman Polansky. Estava uma tarde de inverno fria e cinzenta e debaixo das mantas laranja e castanha emocionámos-nos ouvindo Chopin teclado pelas mãos magras e cinzentas do pianista. Adoro Chopin e as recordações que brotam a cada minuto na minha mente. De facto, um homem é um conjunto de experiências irrepetíveis. E como eu as guardo com saudade.

quinta-feira, 25 de outubro de 2012

linhas tortas

Há linhas que me envolvem. Estou manietado perante ti. Não consigo contradizer os teus raciocínios, as tuas ideias, as tuas certezas. Há uma altura na vida em que nos devemos conformar. Há momentos em que nos devemos confrontar com o inevitável. Já o disse várias vezes, mas é tão difícil. Não se deve desistir de alguém em quem se pensa diariamente. Mas não é possível não desistir se somos ignorados. Se deixámos de ser amados. Se nos querem presos a uma ilusão. Se nos tratam mal com base em premissas e ideias fantasiosas. Quer-se e não se quer. Há linhas que me envolvem e não me consigo desenrolar. Preciso de alguém que me puxe o fio e me faça rodopiar até à libertação. Mas até nestes momentos os amigos mais íntimos andam atarefados nas suas vidas. Estou enrolado sobre mim mesmo. Não é possível continuar a insistir no inevitável. Irei passar um pano branco e húmido nas acusações injustas que me foram dirigidas e seguir em frente. Vou ignorar as pragas lançadas sobre mim, ignorar os atestados de insucesso. Vou reagir contra a maldade, contra quem me quer mal. Vou gritar alto e não esmorecer. Vou destruir as linhas de arame que me envolvem. Liberto-me verdadeiramente, já que até ao momento não consegui. Desisto. Desisto de ti. Desisto de nós. 

domingo, 14 de outubro de 2012

Marcas


Estou deitado no sofá. Dói-me o corpo. Tenho a alma ferida. Olho para o lagarto luminoso pendurado na parede. Já lá não está. O nosso lagarto luminoso. Levaste-o e à Union Jack. Eram tuas, foste tu que as pagaste, mas também eram nossas. Foram compradas pelos dois. Eram as tuas últimas marcas. Decidiste-as vir buscar, talvez com receio que não te as desse, fruto da tua experiência anterior. Mas eu não sou assim. Desmontaste a minha imagem e reconstruíste-a de forma a te ser mais fácil eliminares-me da tua mente, das tuas memórias. Constróis no teu espírito ideias, situações, episódios que não aconteceram. Que não acontecem. Não entendes nem queres entender. Aceito muita coisa menos injustiça. Um dia a tua mãe confidenciou-me que aceitavas tudo menos injustiças. Que quando eras pequenina prejudicavas-te a defender os outros que achavas vítimas de injustiça. Pois bem, perdeste os teus valores primordiais. Disseste-me muitas coisas vis e feias. Não as aceito. Desculpas os teus comportamentos projectando farpas nos outros. Em mim. Levaste as tuas marcas. No sítio deixaste um gancho. Talvez me possa pendurar nele e balouçar até à libertação. De facto passámos muitos momentos inesquecíveis. De facto não há nada mais injusto que estragar um quadro com borrões. Quiseste-te libertar e ao mesmo tempo manteres-me preso. E tentas. Não sei com que objectivo. Que ganho secundário tem alguém em manter o outro engaiolado. É cruel. O teu ego desmanchou-se ao perceberes que continuei a viver. Viste e interpretaste tudo de uma forma falaciosa. Cometeste e cometes injustiças. De facto as pessoas só se dão a conhecer em situações limite. Vem ao topo a mesquinhez, o egoísmo, o egocentrismo e a maledicência. Dizem-se coisas que não se querem dizer. Pensam-se coisas que não se querem pensar. Mas o ser humano é assim. O que distingue uns de outros é a capacidade de perdoar. A capacidade de se pedir desculpas. A capacidade da auto-crítica. Estou deitado no sofá e a cabeça pesada. Vim ao quarto escrever, porque tinha que escrever, tinha que libertar a minha alma desta dor que se apodera de mim. Já tive várias relações e várias relações acabaram. Nunca tinha tido uma que acabasse e alguém quisesse andar em liberdade e manter-me em cativeiro. Há limites para o sadismo. De facto, se há pessoas incompreensíveis tu ultrapassas todos os meus conceitos. Dissecando este fim-de-semana, foi no mínimo bizarro. Ponho um ponto final em nós, em ti. De facto não te conheço. Nem te conheci. Não me prendes mais. Deita fora as fotos a preto e branco que tens na tua mesa de cabeceira. Desta vez não precisas somente de as esconder. Liberto-me finalmente. E ajudaste-me com tudo que disseste e que pensaste. Liberto-me perante a tua condenação injusta. Deito-me em paz. E isso de facto é o que é mais importante para mim. Estou em paz comigo mesmo. Sinto-me bem a olhar-me para o espelho. Sinto-me tranquilo com a minha consciência. O amor e o ódio de facto tocam-se. São dois sentimentos tão intensos e profundos que quase se sente o mesmo formigueiro quando se experimenta. Faz-se amor com alguém que depois nos vem a odiar. Será possível fazer-se ódio com alguém que depois nos vem a amar?

Agree? or Not?


and injustice for all...

sábado, 13 de outubro de 2012

domingo, 7 de outubro de 2012

unexpected you

unexpected you. unexpected voice. unexpected talkings. unexpected feelings. unexpected life. unexpected pain. unexpected injustice. unexpected sorrow. unexpected borrow. unexpected love. unexpected beginning. unexpected end. unexpected kiss. unexpected memories. unexpected photos. enexpected suffering. unexpected passion. unexpected sex. unexpected music. unexpected lies. unexpected truths. unexpected edges. unexpected art. unexpected intrigues. unexpected darkness. unexpected mind. unexpected perpetual love. unexpected closed heart. unexpected black heart. unexpected bloody soul. unexpected phone call. unexpected you... unexpected love...


Cant Get No Sleep. AGAIN.

Habitualmente é assim. Quando alguma coisa me perturba o meu sono ressente-se. Nada de novo me perturba, mas o meu sono ressente-se na mesma. Acordo a meio da noite completamente desperto. Tem sido assim praticamente dia sim dia não. Felizmente amanhã de manhã, ou melhor hoje, poderei dormir.  Não estou certo disso. Andei assim quase 3 meses em 2010. O que eu sofri. Não há nada pior do que a abstinência de sono. Agora passados 2 anos surgem-me os mesmos sintomas. Desfasados. Questiono-me do porquê. Já não têm sentido. Ou nunca tiveram, estava eu desligado da realidade, da verdadeira realidade. Não obstante, sofri cada dia e noite a fio durante esses 3 meses. Estava zombieficado.
 Ponho tudo em causa. E porque não? Porque não colocar tudo em causa. A História também pode ser posta em causa. E preze a minha morte ser tão anónima como um grão de areia na meia-praia, tenho a minha História, as minhas estórias. E ponho tudo em causa. Tudo. Inclusivé a mim. E ao meu sofrimento trimestral que ninguém merece. De facto, não há nada mais injusto do que o amor cego e aquilo que dele advém. E esse amor mantêm-se. E esse eu não consigo pôr em causa. Mesmo racionalizando, argumentando, vendo o copo desta vez meio vazio, amplificando defeitos, diminuindo virtudes, esse amor que já não deveria existir, mantêm-se cego, caminhando entre as pessoas às apalpadelas e acordando-me a meio da noite. E eu sei porquê. Sei porque acordo especificamente algumas noites. Chama-se percepção extrassensorial. Mito urbano ou não, o facto é que tenho comprovado a posteriori muitos dos meus serões forçados. Vou tentar mais uma vez dormir... Ahh e cometo a profunda estupidez de fumar um cigarro a meio da noite quando isto me acontece. Á janela, na cozinha, contemplando o estádio da luz e a orda de prédios atrás até chegar ao teu e imaginar-te deitada, nua, pele dourada, contrastando com a parede verde abacate, lendo... lendo-me.

PS: Aparentemente as fotos do meu ídolo de sempre, Prof. Albert Einstein, não têm absolutamente relação com o texto acima. E de facto não têm. Mas tudo é relativo



terça-feira, 2 de outubro de 2012

Rascunho

Sou um rascunho do amor que por ti senti. Um papel sujo e amarrotado que alguém levou. As palavras desbotadas de uma qualquer bic azul desenham o sofrimento que ainda me corrói. 

Obssession

Hoje estive perto de ti. Passei nesse bloco cinzento e envidraçado onde trabalhas. Imaginei-te no teu fato verde igual ao meu mas em ti melhor. Vi-me reflectido e apercebi-me que as lágrimas me escorriam. Imaginei-te enclausurada como eu. Mas essa foi a vida que escolhemos. Nunca me arrependi. De facto amo o que faço. Faz-me sentir humano, mais humano. Estive perto de ti sem saber se lá estavas. É pouco importante. Na realidade já nem sequer tem sentido. Tudo não passa já de memórias que se vão distorcendo na minha mente. Escrevo quando devia estar a preparar a aula de amanhã. Mas a tua imagem invade o meu pensamento. Estou a um passo de voltar à grupanálise. Esta obsessão não me larga. E no entanto é tão somente amor, paixão, um sentimento inominato. Na realidade nem sequer já sei é a ti que eu amo. A ti ser palpável. Nem sei se te reconhecerei quando eventualmente te vir. Deixaste de existir porque deixei de existir para ti. Podia ter chegado a Lisboa mais cedo. Mas enfiei-me pelo caminho que fazes diariamente na esperança de nos cruzarmos, de te ver escondida no teu pequeno carro cinzento. Apreciei as montanhas verdes ao longe. Recordei os nossos passeios na Regaleira. Parecem tão distantes esses passeios que dávamos e tu com as tuas amigas para a tua mãe não se meter na tua vida. Vejo as fotos que tirámos. Estava gordo e disforme e tu mesmo assim dizias-me amar. Nunca me senti tão bem, tão amado, tão querido, tão compreendido. Como foi possível que tudo se dissolvesse. Demorei o dobro do tempo a chegar a casa. Os meus pensamentos vaguearam à tua volta. Não te vi. Observava todos os carros que por mim passavam na esperança de estares num deles. Hoje estive perto de ti. E no entanto tão longe. Esta obsessão tem que me abandonar. Continuo preso mesmo não querendo. Devolve-me a chave do meu coração. Peço-te. Liberta-me. Vi-me reflectido e só nesse momento me apercebi que chorava por ti.