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sábado, 31 de agosto de 2013

Chocapic Recheado

Christ. Doi-me a cabeça fruto dos excessos de ontem de madrugada. As misturas, que não as raciais :), nunca deram em mim bom resultado. E de facto, misturar sangria de espumante e frutos silvestres, com caipirinha e vodka-redbull não dá bom resultado. Ontem foi a minha "reentré" na noite alfacinha depois das férias no Algarve. Há que esquecer que se está no Joe´s Garage aos saltos. As coisas por aqui não funcionam assim. Nem a idade o permite. Não obstante, continuo fixo à minha ideia que noite em Lisboa é no Bairro e depois Lux. Tudo o resto é um desfilar de parolice e bimbalhada. Na minha arrogante opinião. Dirão o mesmo de mim. Ontem depois de um jantar fantástico no novo espaço desenvolvido pelo café buenos aires lá me convenceram a ir aos meninos do rio. Não, não... Aquilo não existe. Tirando a vista fabulosa, a música é de cortar os pulsos e o ambiente de vomitar em jacto. Mas como o mais importante são as pessoas, diverti-me a conversar e a cortar na casaca dos demais. Não há exercício mais interessante do que não ter espelhos em casa. Whatever, se uma pessoa sai à noite para beber uns copos conversar e ouvir boa música, se a música "stinks" resta beber uns copos e conversar. E nada mais hilariante do que cortar nos penteados dos outros. Sim, porque os nossos estão sempre fabulosos. Na despedida, não consegui demover ninguém dos impulsos de regressarem ao leito. E, como não me faço rogado, apanhei um taxi e rumei ao lux, onde me desgracei sozinho. Daí a dor de cabeça. Cá em baixo parecia a festa da mangueira, lá em cima estava o tiro-liro-liro e o efeito do último vodka redbull foi demasiado intenso. Ou não ou não. As indicações dadas ao taxista para regressar ao meu carro foram todas erradas, bem, não todas, só algumas. Mas demos umas voltinhas na zona do chiado á procura do meu carro que estava em frente à santa casa. O regresso a casa, comigo ao volante, deu-se sem incidentes, correndo ruas e vielas evitando propositadamente qualquer resquício de via rápida. Já me tentei recordar o caminho. Impossível, mas cheguei à garagem sem riscos no carro. O que já não é mau. Posto isto tudo está-me a dar uma vontade irresistível de comer chocapic recheados que é que vou realmente fazer...

sexta-feira, 30 de agosto de 2013

"Inter-Rail"

Conversávamos enquanto o comboio deslizava pela noite fora. Os vagões-cama sempre me intrigaram. Conversamos quando deviamos ter feito amor. Seria uma experiência. Optamos pelo decoro e pela moral não fosse o diabo tecê-las e alguém entrar de repente como em Marrocos naqueles comboios fantasmagóricos deserto fora. Recordei o susto que apanhamos com aqueles polícias todos de metralhadora a passearem-se no comboio escuro. Essa noite estava fria. Tu disfarçaste-te de muçulmana  e eu dormia com um olho aberto e outro fechado. Mas nessa noite rumo a Budapeste conversamos a noite toda. Ou pelo menos assim o sonhei. A última experiência de comboio na Polónia não tinha sido fantástica. Viajamos praticamente 3h em pé de Berlin até Gdansk. Não me recordo se fizemos amor em Gdansk. Mas também não é relevante para o caso. De todas as viagens em que nos entregamos um ao outro verdadeiramente recordo El Calafate na Patagónia depois de termos trocado aquela camarata hiperlotada por um quarto mais ou menos decente e aí fomos um só. Na Patagónia não andamos de comboio. Na realidade nem sei se existe algum. Existirá? E depois há a Madeira, Londres, Amsterdão, Roma... Ahhh Roma... que saudades, Berlin, Varsóvia, Cracóvia, Budapeste, Fes, Marrakeche, Casablanca e o deserto do Sahara onde a comunhão espiritual entre nós atingiu o sublime... Recordo o silêncio e o céu estrelado como nunca havera visto e o cheiro a erva que se disseminava daqueles espanhóis que passaram a noite a fumar "porros". E depois conversávamos horas a fio sem que eu desviasse o olhar do teu. E Sevilla quando fomos dado como mortos. Que saudades dessas loucuras saudáveis. Descarrilámos...

quinta-feira, 29 de agosto de 2013

Dream Dream Dream

Tenho tido sonhos recurrentes ultimamente. Provavelmente já os tenho há algum tempo. Mas agora consigo recorda-los. Passei por uma fase de sonhos camuflados. É uma fase negra da nossa existência. Quando acordamos e não sentimos sequer que sonhamos. Não há maior privação de liberdade do que negar os sonhos e a sua existência. Por outro lado, a ditadura dos despertadores interrompem os meus períodos REM e acordo no meio dos sonhos. Voltei a descreve-los no meu pequeno dream book. Freud tinha razão... passados poucos segundos já o sonho se esfumou das nossas memórias. E mesmo assim não há nada mais falível do que reler os sonhos. Provavelmente não foi nada daquilo que ali jaz escrito. Seja como for, cheguei à conclusão que tenho sonhos recurrentes, não no tema, mas nas personagens. Sonho com as mesmas pessoas, embora distorcidas ou metamorfoseadas. Mas sei quem são, embora com aspectos e géneros diferentes. De facto não há limite para o mundo dos sonhos. Poderiam ser intrigantes, mas não passam de desejos e culpas retratados. E agora vou sonhar, once again, na esperança de que os universos se misturem.

terça-feira, 20 de agosto de 2013

Saudades

Já aqui várias vezes escrevi sobre a saudade. Eu e milhares de portugueses. Só nós conseguimos descrever este sentimento que em última instância se traduz num fado. Os outros podem-lhe chamar melancolia, nostalgia, mas a verdadeira saudade só nós entendemos. E ela varia de pessoa para pessoa, de geração em geração. As saudades que eu sinto hoje da minha infância são seguramente diferentes das saudades que sinto de pessoas que já morreram. E depois vem a saudade mal resolvida. Aquela que só existe porque se amou ou ainda se ama alguém que já não está ao nosso lado. As saudades surgem quando menos se espera. Naturalmente, procurar evocações de memória não ajuda a curar as saudades. Mas será que há cura. E mais importante que isso, será que é necessário curar. Estas férias já terminadas geraram-me saudades. As paisagens e praias onde o nosso amor só tinha comparação com o brilho do Sol trouxeram-me à memória momentos ímpares que me fizeram sorrir. Recordei tantas situações, tantos minutos, tantas conversas, os nossos banhos a dois, coisinhas pequenas como espalhar o protector solar, grandes como bebermos uns copos a dois até ao limite da euforia. Recordei os sabores que me ensinaste a gostar e que não mais desapareceram do meu espírito. Aliás, até ao momento continuo a comer somente gelado de côco e morango.  As nossas músicas de Verão. E de Inverno que sempre que ouvia me levavam até ti. Os livros que lemos. A delicadeza do teu olhar, do teu sorriso, do teu tom de voz. Encontrei fotos nossos em livros perdidos que resolvi ler estas férias. As saudades surgiram. Na realidade nunca desapareceram. Que diz que o tempo cura tudo engana-se redondamente. Quando se ama verdadeiramente alguém não há cura possível.