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domingo, 24 de maio de 2009

Intolerâncias

A intolerância por si só é de repudiar. Talvez por isso quando sinto intolerância em relação ao que quer que seja fico com um sabor estranho na boca e uma sensação desagradável no estômago. É um sentimento que não gosto de experimentar, embora por vezes ocorra. Mesmo que as minhas intolerâncias sejam por mim largamente justificadas e até hipoteticamente correctas não deixam de ser fruto do meu extremismo intelectual, algo que também me deixa mal-disposto. Na realidade sinto intolerância pelos intolerantes e apesar, de na minha moral ser justificável, não deixa de ser em si também uma atitude intolerante e atentória da liberdade de quem pretende e é intolerante. Todos, mas todos mesmo, temos o direito intelectual à intolerância, ao extremismo, ao radicalismo, mesmo que isso possa contrariar a postura da maioria social e os torne de alguma forma marginais. Apesar de não concordar com a maioria das ideias dos intolerantes e de eu próprio ser intolerante contra eles, tenho que concordar que nutro um sentimento nocivo e criticável... Passo a explicar, há determinado tipo de ideias que me dão vómitos: racismo, xenofobia, homofobia, discriminação sexual, penalização de tudo o que foge ao mediano da curva de Gauss etc etc etc... Apesar de tudo, quando eu me torno intolerante contra estes indivíduos padeço do mesmo mal. Assim, tenho que respeitar que hajam pessoas com estas ideias, apesar de as considerar profundamente anormais. Algo que se calhar também sou considerado nesses meios. Tudo se resume à liberdade intelectual e mesmo que as ideias sejam bizarras, anencéfalas e injustas, deverão ser respeitadas. Embora esta postura seja perigosa e permita que ideias radicais possam se transformar em agressões perante os outros e isso sim é condenável. Apesar de tudo continuo a sentir intolerância pelos comportamentos que põem em causa a integridade emocional dos outros e por vezes de mim próprio. Estranho este texto. E mais estranho ainda o porquê de eu reflectir sobre isto, quando na realidade aparentemente não tem nenhuma relação. Mas tudo se iniciou com um comportamento que acho profundamente injusto de quem eu sempre ajudei e isso causa-me intolerância.

domingo, 17 de maio de 2009

Sebastião Salgado




Não me apetece escrever. Ponto final. Mas deixo aqui algumas fotos fabulosas de Sebastião Salgado. Como eu gostava de conseguir captar a realidade assim nas lentes da minha reflex. Por muito que o Mundo feche os olhos à miséria humana alguém há-de gritar mais alto e agitar 1 mm que seja as nossas mentes comodistas ocidentais.

terça-feira, 12 de maio de 2009

MySpace.Mao


Estou em casa. Hoje, excepcionalmente, não trabalhei à tarde. Almocei num restaurante aqui perto e assim que pude enfiei-me na falsa protecção do meu lar. Nunca estamos protegidos de nós mesmos. Raramente posso envolver-me pelo silêncio negro do alto da minha torre. Ao longe vejo os carros em correrias lentas nas grandes circulares que me envolvem. Sinto-me em paz comigo mesmo, mas vazio... Como este lar que se foi esvaziando ao longo destes últimos anos. As memórias ficam e as os registos fotográficos de outros tempos e vivências transportam-me para as alegrias que aqui já vivi. Queimo óleo de Jasmim. Tudo tem um fim. As pessoas morrem, as famílias desmoronam-se, os amigos partem, os namoros dilaceram-se e tudo aquilo que nós temos desaparece quando finalmente  também nós partirmos. Sempre tive uma má relação com a morte. Na realidade temo-a embora afirme o contrário. Não a minha mas a dos outros. Temo a solidão e no entanto aprecio-a numa atitude masoquista. Quero ser feliz como se esse fosse o objectivo primordial das nossas vidas mesquinhas. Mas não consigo. Não assim, não afastando tudo e todos aqueles que tentam trespassar a barreira do superficial. Adsorvo as essências de Jasmim que me transportam para outros lugares. Em mim tudo corre como se não existisse amanhã. Sou emotivo em tudo o que faço. Vivo intensamente tudo o que se depara à minha volta. E só consigo ser desagradável para as pessoas de quem eu realmente gosto. Não tendo que me esconder atrás da boa-educação factual. Raras são as vezes que nos apercebemos disso. E isso magoa. A tendência é a solidão. O meu espaço é meu. Como já aqui escrevi. Quero continuar a dormir na diagonal e afasto do da minha intimidade quem se quer interpor. Ouço Sigur Ros sem perceber uma palavra que seja, fecho os olhos e vejo quem realmente sou. O meu pesadelo recorrente em que me liberto... fica para a próxima vez.

sábado, 2 de maio de 2009

pequeno ensaio sobre o moralismo


Moral, do latim mores, relativo aos costumes, conjunto de regras de condutas consideradas como válidas, éticas, quer de modo absoluto, para qualquer tempo ou lugar, quer para grupos ou pessoa determinada.

Desde tenra idade sempre tive alguma relutância em aceitar as dicotomias certo/errado, branco/preto, verdade/mentira, sagrado/profano etc/etc. De facto existe um meio termo... aliás, é somente o que existe na maioria das vezes.
 Para desconforto da família não cheguei a completar a catequese nem a realizar a primeira comunhão. Em certo medida desiludi-os um pouco, embora nem eles saibam bem o porquê, já que nunca fomos realmente praticantes de qualquer tipo de religião no seio familiar. Católicos sim mas não praticantes... Definição estranha esta - como é que se pode ser algo que não se pratica. A afirmação de que sou atleta de decatlo mas não praticante é uma verdade semelhante. Seja como fôr, a verdadeira razão de ter abandonado a catequese prendeu-se com o facto de, já nessa altura, me tentarem enfiar à força na cabeça os conceitos dicotómicos atrás referidos. Algo que sempre me fez pouco ou nenhum sentido. Nem sempre as pessoas são genuinamente más ou boas. Ninguém é assim...ok, excepto os psicopatas. Mas na maioria das vezes há sempre algum grau de virtude e defeito. Naturalmente, há quem tenda mais para um lado do que para o outro.
O conceito de moral surge assim como forma de simplificar e bipartir a nossa complexidade humana. Na realidade, a moral e ética são essenciais para a nossa existência enquanto sociedade. Não obstante, não há conceitos mais plásticos e moldáveis, variando ao longo do tempo e do espaço como um cubo mágico com os seus cubículozinhos coloridos. Em última instância a moral é a tentativa  de um grupo ou  indivíduo levarem os outros a actuarem pelos seus princípios arrogantemente tidos como correctos. O objectivo maior na maioria das vezes, ainda que inconsciente, é tornar os outros infelizes e com sentimentos de culpa quando as regras não são cumpridas. Tendo em conta que as mesmas mudam ao longo do tempo e do espaço, não há nada mais cruel do que permitir que uma moral se possa atravessar na felicidade individual de cada um. Claro que a moral até pode ser superficialmente ignorada... mas sem que nos apercebamos é frequentemente um elemento gerador de mau estar. Nesse sentido é uma arma cruel que tem sido usada ao longo dos séculos pelos defensores das doutrinas morais. Na realidade, a influência que o catolicismo tem na nossa formação, com ideias enraizadas desde tenra idade, mesmo que não nos façam sentido hoje em dia, deixam sempre alguma sensação de mal-estar quando algum dos princípios morais é violado... muitas vezes sem gravidade nenhuma, excepto aos olhos daqueles que os produzem.

sexta-feira, 1 de maio de 2009

Quarentena

Estou de quarentena em casa desde 3ª feira. Febre, Mialgias, Artralgias, Odinofagia, Amigdalite eritemato-pultácea, Conjuntivite e uma estranha metaformose nas cordas vocais que me puseram a roncar e o nariz a ficar circular e com dois buracos tipo tomada de electricidade. Não me recordo de ter tido contacto directo com mexicanos... mas com estas incursões pelos aeroportos nunca se sabe... Em Madrid-Barajas viajam centenas de latino-americanos e dei de caras com alguns deles. Seja como fôr o diagnóstico está feito (por mim of course) já que não fui empatar os SU com casos não urgentes (algo que a população deveria aprender!): Amigdalite eritemato-pultácea! Bacteriana ou viral... who cares mas acho que contraí um EBV ou CMV... pelo menos tive reacção exantemática à amoxicilina, coisa que nunca me tinha acontecido antes... Pelo sim pelo não resolvi tomar Azitromicina... E apesar de estar um bocadinho melhor continuo muito asténico, o que me coloca na pista de Mononucleose... Ahmmm, aos 34 anos... Essa é que é essa. Nunca vi tanta televisão como nos últimos 5 dias. Aliás eu não vejo televisão.