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quinta-feira, 19 de setembro de 2013

A1

As quinta-feiras passo-as a trabalhar fora de Lisboa. Conheço o início da A1 de olhos fechados. Sei exactamente os locais onde não me posso esticar. Um deles é aquela descida onde, inexplicavelmente, muda para os 100 km/h. Houve um dia que vi um taxi encostado à berma, com uns pinos cor-de-rosa antes. Á frente, do capot aberto, um radar. Não me chateei, sempre imaginei aquele como o local previlegiado para a caça à multa. Recordo tantas viagens nesse pequeno troço de 40 km até desviar para dentro em direcção à Serra do Montejunto. Conheço as curvas, a paisagem, as pedreiras, os semáforos no meio das terreolas. É um dos meus momentos Zen essa pequena viagem semanal de 40-50 minutos. Ouço normalmente a Antena 3. E penso, penso, penso. O regresso, também habitualmente à mesma hora, fica frequentemente marcado por um desvio para o KFC da 2ª circular onde compro lixo para destruir as coronárias. A questão é que não me apetece cozinhar às horas que chego a casa. O curioso é que tenho as melhores e as piores recordações destes momentos de introspecção. Podem achar bizarro, mas faço verdadeira meditação enquanto conduzo. Para mim, o ouro sobre azul reside numa boa intempérie. Quando a protecção anuncia alerta amarelo, ou mesmo vermelho, é quando eu gosto de conduzir. Gosto da chuva cerrada, do nevoeiro impenetrável, dos lençois de água, adoro sentir o ESP do carro a equilibra-lo no meio de um aqua-planning. De facto, sou tudo menos normal. E gosto de ser assim. Um dia destes alguém irá identificar o meu cadáver estropiado debaixo de um dos enormes camiões TIR que circulam naquela estrada merdosa. 
Há 3 anos atrás as quintas-feiras e a suas viagens estavam marcadas pelas saudades. Telefonava para a Itália sem me preocupar com nada. A sensação de que podia estar a ser excessivo maçava-me, mas era irresistível. Passei três meses com a cabeça no ar. Foi a primeira vez que consegui que uma dieta fosse tão eficaz. Perdi 12 kilos. Comecei a gostar mais de mim. Foi uma dieta forçada. Pura e simplesmente não tinha vontade de comer. Sabem, borboletas no estômago e a cabeça vazia. Questiono-me como não fiz nenhuma merda durante esse trimestre. A distracção envolvia-me e a minha mente voava a 3000 kilometros de Lisboa. Queria telefonar para Roma a toda a hora. De facto há emoções que nunca se esquecem. Agora que penso nisso consigo vivenciar parte daquilo que sentia a cada minuto, cada segundo que passava. Queria-me despachar a todo o custo. Corria para casa à procura do Skype. Passávamos horas a falar aos soluços pela noite dentro. Chegava ao trabalhava como se estivesse a borgar a noite toda. Ou pior, a fazer múltiplas urgências. Recordo o frigorífico branco decorado com rótulos de cerveja atrás de ti. Uma paixão interrompida pela distância só pode trazer mau resultado. Andava doente e a minha doença era o amor e paixão loucos que me assolaram assim que te vi entrar. Cheguei a abandonar o cinema, com a desculpa que o filme era uma merda só para te ver à distância. E as conversas com os amigos no à margem em que eu desligava de tudo e de todos. As vezes que fotografei a nossa ponte, o nosso Tejo iluminado pela nossa Lua e te enviei fotos só para que matasses saudades. Só se ama assim uma vez na Vida. Só se perde um amor assim uma vez na Vida. O teu regresso foi o princípio do fim. 

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