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terça-feira, 12 de março de 2013

Hoje fui feliz (parte II)

Acorda-se de manhã com a sensação de que não se descansou. No Hospital, nas poucas horas em que nos conseguimos recostar, isso é uma constante. Os colchões velhos e esburacados moldados por milhentos corpos que por ali passaram e as almofadas plastificadas não nos dão descanso. Mesmo que se consiga fechar os olhos o estado de alerta subjacente à necessidade de ter que saltar a mil a hora numa situação emergente impede-nos de descansar. Assim, mesmo que numa das raras calmas noites no meu Hospital, no outro dia de manhã necessito obrigatoriamente de me deitar na minha cama. É estranho inverter os horários tão frequentemente. Só quem nunca os fez poderá achar que isso não nos tira anos de vida e não nos coloca mais umas rugas à volta dos olhos. Deito-me de manhã com a persiana entreaberta. Tenho por hábito adormecer a ouvir música. O sono durante a manhã é estranhamente gélido. Quando acordamos de manhã depois de uma noite bem dormida normalmente estamos quentinhos. O contrário se passa quando nos deitamos às 9:30 da manhã. Acordo normalmente às 13-14h cheio de frio, com o mesmo pijama e edredon que nos manteve ao rubro na noite anterior. Habituei-me ultimamente a dormir de polar. Depois há os sonhos que são sempre relembrados quando dormimos de manhã. E acreditem, acho que a razão de nos esquecermos frequentemente dos sonhos se deve ao facto de serem normalmente coisas muito bizarras e estranhas. Mas se há coisas muito aborrecidas é sermos acordados a meio da manhã por um carteiro, homem da luz ou água ou simplesmente pelos tipos da mediamarkt que vêm elegantemente depositar panfletos promocionais nas caixas do correio e tocam ininterruptamente em todas as campainhas. Claro que habitualmente desligo o intercomunicador, mas há sempre uns palhaços da Meo ou Zon que se dão ao luxo de vir bater à porta. Um dia destes sou mal-criado. Não há pior do que o meu acordar mal-humorado. Desapareçam-me da frente antes de fumar um cigarro e beber o meu ristretto. Na realidade habitualmente acordo bem-disposto, excepto quando sou violentado nos meus direitos básicos. Dormir é um deles.
 Durante a manhã sonhei com mil e uma coisas, lamentavelmente não me recordo, mas devem ter sido boas dado o estado de vasodilatação em que acordei. Pela primeira vez não tive o habitual frio. Assim, provavelmente hoje fui feliz mas não dei conta.

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