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terça-feira, 19 de junho de 2012

o meu fim

Chegou o meu fim. Sinto-o a cada minuto que passa. Nunca chega e quando chegar será inesperado, como todos os fins. Adormeço deitado no sofá onde tantas vezes adormecemos, só que agora estou sozinho. Agarro-me às almofadas salpicadas pelos pingos de líxivia que escorrem do tecto numa vã tentativa de limpar a minha alma ferida e poluta. Chegou o meu fim só que ainda não me dei conta. Acendo o lagarto escarlate trepando a parede sem fim. A sua luz suave acalma-me porque sei que o quererás de volta e talvez nesse dia os nossos olhos se cruzarão novamente. Chegou o nosso fim sem que nos apercebamos. As paredes tremem e ruiem à nossa volta. Os vidros caiem do 9ª andar e estilhaçam-se no meu corpo, cravam-se no meu crânio expondo todo o meu pensamento que se espalha pelo chão cizento de cimento frio. O sangue escorre-me atordoando-me os parcos minutos que ainda me restam. Chegou o meu fim e ao certo não sei quando ocorrerá. Recordei-te este sábado caminhando pela igreja onde nunca chegámos a entrar os dois. Mas de facto também nunca fui convidado. Chegou o meu fim no dia em que fui banido. Ao certo sem me dar conta do momento. Adormeço e deixo-me cair nos teus braços que me lançam neste abismo de vida terrena. Chegou o meu fim quando te libertaste e me mantiveste preso na indefinição do nosso estado. Tanto quanto sei, pode ter chegado o teu fim e eu continuo a teclar sem saber onde pairas. Talvez no Quénia, ou Ásia... Em qualquer lugar longe do meu olhar, mais ainda assim sempre próximo do meu coração. Chegou o meu fim quando de ti nada soube.

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