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sábado, 22 de setembro de 2007

Baahahahaha...



A cidadania é um conceito interessante. É essencialmente um conceito político, onde cada cidadão pode e deve intervir na geração do poder estatal, directa ou indirectamente. No entanto, frequentemente cidadania assume uma definição mais lata e corresponde ao simples exercício do direito individual enquanto ser humano livre e integrado numa sociedade, ao abrigo das suas regras, nomeadamente questionando as forças geradoras de poder com base num estado dito democrático. Em resumo, significa reclamar perante as autoridades quando estas eventualmente possam adoptar uma atitude prepotente. Significa também reclamar perante o que se pensa estar mal sem o mínimo receio de represálias por parte das mesmas forças. Infelizmente, nos últimos tempos têm-se verificado alguns abusos de poder e asfixia da liberdade de expressão no nosso país. O clima de medo de represálias ocasionalmente parece brotar. Esta introdução somente para exercer o meu direito de cidadania em relação às condutas frequentemente prepotentes das nossas forças de segurança perante os cidadãos. Tal facto ocorre essencialmente por déficit de formação intelectual por parte de muitos agentes, que pura e simplesmente não entendem qual o papel que desempenham na nossa sociedade. Só para contar um pequeno episódio, quando o meu carro foi assaltado em Alfragide num intervalo de 5 minutos, entrei imediatamente em contacto com a PSP da área solicitando auxílio no local. Com um intervalo de tempo tão curto seria possível que numa curta ronda de um carro-patrulha se pudessem identificar os criminosos. Foi-me dito, curto e grosso, nós não vamos aí fazer nada, se o senhor QUISER venha cá à esquadra fazer a participação... Lá fui eu, num carro pejado de vidros até à esquadra da PSP da área onde estive, sem exagero, duas horas para que se escrevessem duas folhas. Questionei o agente acerca de impressões digitais e qual o procedimento... Algo que foi me completamente demovido. Olhe, se o senhor quiser vá à PJ, mas não diga que fomos nós que o mandamos. De qualquer maneira, chega lá e mandam-no embora. Impressões digitais só para crimes de sangue. Foi pena o ladrão não se ter cortado no vidro - pensei. Resta-nos a acomodação perante o sistema que pura e simplesmente não funciona na defesa de pequenos crimes como estes. Bem, na realidade nem em grandes crimes - alguém ainda se recorda do caso "Casa Pia", se houve condenações... ???;
Na realidade entendo os jovens agentes, com o 9º ano de escolaridade, sem equipamento decente, com ordenados miseráveis para o risco que correm... estão-se a borrifar para estas merdices que ocorrem diariamente. Mais uma vez a culpa vem de cima.
O segundo episódio ocorreu hoje. Estava encostado junto à entrada superior do Colombo a falar ao telemóvel, para não violar a lei. Segundo o senhor agente estaria no meio da faixa de rodagem. Abordou-me a viatura e disse-me que eu não poderia estar ali parado. Perguntei-lhe se havia algum sinal de paragem proibida. Respondeu-me que estava no meio da faixa de rodagem. Não admitindo do alto do seu bivaque azul que eu o questionasse imediatamente me pediu os documentos do carro. Deu duas voltas à viatura à procura da mais pequena falha para me autuar. Naturalmente não encontrou, porque na mesma medida em que exerço o meu direito de cidadania também sou apologista dos deveres. Isto tudo só para salientar que estes indivíduos exercem a sua actividade policial de uma forma muitas vezes anéncefala quando aquilo que seria realmente importante fazer não o fazem. Ou pelo menos, não o fazem bem.

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