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segunda-feira, 8 de junho de 2009

5º dimensão

Pertencemos a dimensões diferentes. Não vemos os objectos com os mesmo formatos nem com as mesma cores. Talvez por isso nos tenhamos afastado apesar daquilo que nos aproxima ser muito forte. Não nos toleramos mutuamente. Há pequenas coisas que se transformam em grandes coisas e grandes coisas que se transformam em pequenas coisas. Aquilo que para ti é importante para mim não tem o mais pequeno significado e vice-versa. As dimensões em que nos movemos estão nas antípodas. Tu és excêntrica como eu sou excêntrico numa perspectiva completamente diferente. Tu percorres caminhos cinzentos onde o meu cérebro tenta deslindar as cores psicadélicas da tua mente sórdida e complexa. Os teus períodos REM de olhos abertos abanam a minha existência colocando-me num mundo fechado e absorto daquilo que me envolve. Os nossos mundos são diferentes apesar de se interceptarem. As tuas vivências lançam-me em caminhos obscuros que não vivo conscientemente. As horas de sono que me abstenho deixam-me anestesiado perante toda a realidade consciente ou inconsciente que me envolve. Deixo de conseguir equilibrar o tabuleiro deixando todas as peças em auto-gestão. A tua imaginação obsessiva há muito perdeu os limites do razoável. Não és mais do que um fantasma vagueante numa dimensão paralela à minha. Sinto-te a percorrer cada veia, vénula, artéria e arteríola do meu corpo como se cada eritrócito estivesse infectado pela negação da tua existência. Na realidade pertencemos a dimensões diferentes e assim vamos continuar. Há mundos que não se trespassam. Os minutos megalómanos do nosso relógio intemporal assumem-se na sua fragilidade. A relatividade do tempo é tal perante a selectividade da minha memória que os momentos deixam de fazer sentido. Sinto-me como se padecesse do Síndrome de Alice no País das Maravilhas. No entanto são as portas ogres do Inferno que se abrem para a minha negra existência. Desligo a televisão TeleFunken a preto e branco e abandono ao seu destino as personagens paralisadas e intemporais da Twilight Zone. Percorro com o olhar resquícios de oculto nas paredes do meu quarto almofadado e escondo-me debaixo no negro manto que me protege de ti... Embora tenhas sido tu a lança-lo sobre o meu leito de descanso.

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