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domingo, 22 de março de 2009

American Beauty

Passaram-se 10 anos desde que fomos os dois ver o American Beauty ao Cine-Teatro Avenida. Recordo-me como se fosse ontem a perturbação que aquele filme gerou em nós. Algo que sempre nos uniu foi o gosto pelo cinema. Caminhamos ao longo da escuridão que nos envolvia e sentimos cada momento do filme como se fosse só nosso. Ficamos sentados no terreiro em frente ao José Falcão, a meia distância entre a minha e a tua casa e conversámos enquanto fumávamos dois ou três cigarros. Resolvemos ir ao Tropical encontrar os nossos amigos e queimar conversa antes de rumarmos à States. Nos raros fins-de-semana em que não partias para o conforto do lar paternal vivíamos numa comunhão própria das pessoas que se amam muito. E eu amei-te muito. Já não vou a Coimbra há alguns anos mas a última vez que fui parei defronte aquele prédio velho com portões de ferro oxidados e perdi-me em memórias enquanto observava as águas furtadas onde tantas noites ficamos a estudar até que o sol raiasse. Recordo-me das loucuras da tua companheira de casa que também era minha. Nunca me esquecerei daquele domingo soalheiro, o dia de Baleia Branca em que o namorado, eu e tu a tivemos que arrastar do cimo do telhado como veio ao mundo em homenagem à Baleia Branca... a diferença é que não estávamos em Oxford... As memórias vão e vêm como ondas espumadas. 
Estive hoje a rever o American Beauty e todos os sentimentos que vivenciei há dez anos atrás percorreram-me a mente... hoje, na solidão do meu mar, depois de rumos em direcções opostas, mas fez-me recordar de ti e escrever enquanto ouço Heroes do David Bowie uma das tuas músicas preferidas.

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