quarta-feira, 11 de abril de 2012

thank you for your love

As palavras voaram com estes ventos do norte que se fazem sentir. Acordo a meio da noite e tenho frio. Enrolo-me, mumificado, perco-me nos meus pensamentos. Fazem-se apostas perdidas à partida. Tomam-se opções contra todas as correntes porque o amor é maior. Quer-se acreditar na pureza dos sentimentos, mas a essência humana está lá. Ontem, vi o Tejo à noite, com o mesmo luar, a mesma ponte iluminada de há 3 anos atrás, quando em silêncio sofria e tu longe te olhavas ao espelho, atrás de uma máscara que nunca desapareceu. Os sentimentos de perda foram os mesmos, só que na altura eram provisórios. Em Portugal o provisório é definitivo. Foi esse o meu erro. Inocentemente, pasme-se, entendi a pureza dos meus sentimentos como partilhada. Foi redondo o meu engano. Nunca tinha experimentado sentimentos maiores do que por ti senti. E se um dia compreenderes tudo aquilo porque passei poderás ter a compreensão derradeira do mal que conseguiste infligir. Recordo cada minuto longe de ti como um banho de ácido que corroía a pele e ardia no estômago cada vez que respirava. Circulava de nascer do Sol a pôr-do-Sol de uma forma errante, desejando que os dias passassem mais depressa, desejando ardentemente que nos voltássemos a reencontrar. Não conseguia manter uma conversa com os meus amigos até ao fim. Desejava a todo o momento vir para casa para que te pudesse ver e falar contigo, ainda que desfocada e com a tua voz, que me era tão querida, aos soluços, com cortes. Nunca pensei que fosse possível sofrer tanto sem que estivesse doente. Talvez o amor e paixão que senti fosse mesmo uma doença. Foram meses de intensa dor e solidão. Cada dia era passado com a esperança de voltar a ver. Mantinha-me quieto no meu canto, hibernando, pensando em ti. Tu, longe, olhavas-te ao espelho atrás de uma máscara... Como se todas as atitudes que tomamos não tivessem consequências só porque estamos escondidos noutro local, noutro ambiente, com outras pessoas, efémeras que nada te diziam. Entristece-me que por algo circunstancial tivesses posto em causa tudo aquilo em que sempre pensei que sentias. Recordo os nossos reencontros. Os dois. Sobretudo o segundo, onde foram os 5 cinco dias mais felizes que contigo passei, numa cidade que nunca me atraiu verdadeiramente. Passei a vê-la com outros olhos. Desejei lá voltar contigo, abraçar-te, sentir-te como sempre te senti. Tinhas uma máscara... desta vez invisível. Só mais tarde me apercebi o quanto pagliaccio fui nesses dias. Não posso ser feliz. Quando no regresso a Portugal as farpas agudizaram-se e dilaceraram-me por dentro. Foi só o inicio do fim. Só agora me apercebo. A pouco e pouco, cada vez que me reconquistavas, espetavas uma agulhinha no meu corpo de Vodu. Fui perdoando mas as marcas ficam. E como já referi, pior do que uma mentira é não se conseguir voltar a acreditar numa verdade. Nada pode ser descontextualizado na nossa vivência. E só assim se poderá compreender todos os sentimentos envolvidos entre duas pessoas que se amam (ou supostamente) e sofrem porque morreram para a outra. Podemos encontrar mil e uma desculpas para os nossos comportamentos. Atirar ao lado, projectar-mos emoções, desculparmos-nos... mas na realidade o que está em causa é um amor maior que se calhar só existiu na minha imaginação. E isso dilacera-me.

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