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sexta-feira, 6 de abril de 2012

saudosismos

De facto sou um saudosista. E isso é mau? As saudades significam tão somente que as memórias passadas nos são queridas. Os momentos inesquecíveis vividos ficam marcados e trazem saudades. O saudosismo por si só significa tão somente que a História não se apaga. Há que saber gerir o futuro em função das virtudes e dos erros do passado. Eu sou o conjunto de pessoas que conheci até hoje. Sou saudosista porque as minhas memórias são um cinema vivo de tudo o que contigo vivi. E se não compreendes isso é triste porque só demonstra insensibilidade. A maioria dos filmes terminam com um brilhante e majestoso "The End". Filmes que emocionaram, comoveram, acabaram e ponto final. Não obstante, alguns acabam em "To be continued"... E aí entra a esperança das relações mal acabadas ou das quais se precisa um tempo. Apesar de eu achar que "quando se dá um tempo" ou "quando se pede um tempo" se está somente a adiar o inevitável. Ou então eu estou profundamente enganado e as pessoas precisam, as vezes, de um tempo para se encontrarem, para se reencontrarem. Sou de facto um saudosista, um emocional, vivo os momentos intensamente, os bons e os maus. Mas recordo cada momento como se fosse hoje. Quando te pedi para me acompanhares para comprar tabaco, as fugas à máquina de café, os raptos, os primeiros passeios, a emoção das primeiras despedidas, dos primeiros semi-beijos, dos almoços cobertos de Roquefort, dos passeios por Sintra, do dormires em casa das tuas amigas... Recordo com intensidade a amargura e a dor da distância imposta, de te ver e ouvir através de um computador durante semanas, das saudades e do meu pensamento sempre em ti enquanto de carro deambulava por essa Lisboa fora. Recordo a emoção do reencontro em Amsterdão, em Roma... O cine azzuro onde revi Fellini na tua companhia. Recordo as nossas sessões de cinema em casa embrulhados no colo um do outro. Recordo as conversas intermináveis. As saudades que eu tenho de falar contigo ao telefone. A estratégia de termos uma assinatura de minutos ilimitada entre nós. Que irei deixar caducar. Deixou de fazer sentido. Só usava esse telefone para ti. De facto as saudades ficam, das viagens... De Marrocos, da Argentina, de Inglaterra, da Alemanha, da Polónia, da Hungria, de Sevilla... De todos os locais maravilhosos onde não chegamos a viajar. "To be continued."

2 comentários:

  1. Mao Mao, concordo com vocé: as memórias-em definitiva, as nossas- são um cinema; e o melhor tema dos filmes fica sendo o tempo.Também a memória mora no sabor, no cheiro, nas ruas.Bela escrita, uma alegría conhecer o seu blog. Saludos desde Argentina, Ignacio

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  2. Obrigado. Fico muito feliz que tenha gostado... E um prazer agradar com a nossa escrita.

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