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domingo, 8 de abril de 2012

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Rodo a chave e entro. As paredes velhas, vazias de sentimentos esperam-me. Olho em redor, não reconheço o local onde me encontro. Abeiro-me de um espelho cinzento, salpicado de manchas violáceas, rachado nos cantos, adulterado, e não me reconheço. Não reconheço no que se transformou esta vida vazia de amor. Sinto frio à minha volta. Adormeço mas não durmo. Entro nesta casa que é minha sem que me sinta confortável. Para onde quer que olhe encontro-te a sorrir. Em slideshow encontras-te dispersa por este local. Vejo-te. Vejo-nos. Quanto tempo vai durar até ganhar coragem e apagar-te de vez das minhas recordações. É precisamente o contrário do que dizias sentir. Tu estás presente para onde quer que me volte. A sorrir ao meu lado navegando no beagel channel. Sentada no chão acariciada pelas cobras que lentamente se enrolavam no teus braços, no teu pescoço, com o café Argana por detrás, ainda inteiro, ainda vivo. No mar cristalino do meu, nosso secret spot. E no entanto nada te fazia sentido. Queixavas-te que a moldura da Patagónia se encontrava por preencher. Como se isso tivesse importância. Como se isso fosse sagrado quando milhares de outras recordações, dinâmicas, nos entravam pelos olhos dentro. Como se as pequenas coisas tivessem realmente importância. E têm. A vida é feita de pormenores. Quando vividos a dois transformam-se em toda uma vivência. Coloco a minha playlist "listen, feel and cry" e deixo-me me envolver mais uma vez pelas nossas cantigas. Pareço um disco riscado, ao pensar e escrever o mesmo. Mas as ideias estão lá. Penso em ligar-te mas não consigo. Por respeito. Por censura. Nada nem ninguém nos pode obrigar a gostarmos de alguém. As chamas morrem quando o combustível se extingue. É tão fácil olharmos em nosso redor e vermos tudo cizento. Atirarmos ao lado, transferirmos emoções, porque não nos encontramos. Mesmo inconscientemente dizemos e actuamos com dolo não assumido. É uma cobardia jogarmos à roleta russa com todas as balas no carregador. Não deixamos hipóteses de sobrevivência. Actuamos com dolo quando sabemos que aquilo que fazemos irá seguramente despertar dor no outro. Nessa atitude sádica despejamos cano abaixo tudo aquilo que não queremos assumir. Passamos a bola para o outro lado e o outro que decida a rotura que não admitimos dentro de nós próprios. É um jogo ganho à partida. Vamos preenchendo a nossa vida com cartões amarelos à espera do apito final. E ele surge quando menos se espera. Rodo a chave e entro. Sento-me na bola negra e sinto a cabeça a andar à roda. Sinto a cabeça pesada. Trabalhei a noite toda e não consigo dormir. Fecho os olhos e não adormeço. No caminho para casa observo os carros cheios de famílias felizes e desespero. Desespero porque cada vez mais se vislumbra no meu espírito que não existem segundas oportunidades. Porque não nos é permitido. Pagamos até à morte por um erro da nossa vida. Quando conseguimos perdoar rapidamente se tomam as diligências necessárias para que se perceba qual é o nosso verdadeiro papel. O quão relativos, voláteis e descartáveis somos. Pior do que uma mentira é nunca mais se conseguir voltar a acreditar numa verdade. Quando a ferida está prestes a sarar os dedos finos desbridam, aprofundam, perfuram até ao limite das emoções. Sem pudor, sem analgesia, sem compaixão, sem empatia, sem amor, sem amor-próprio. Entro a custo nesta casa que é minha e não é. Não reconheço nada nem ninguém. Não me preencho. Não te preencho. Não te consigo encontrar porque queimaste o teu mapa. De um lado grafittis do outro paredes cinzentas nos separam. Tudo é tão relativo. Amamos-nos de cada lado da barricado. Paramos defronte a Checkpoint Charlie e cada um escolheu a sua vida. A vida é feita de escolhas. Nalguns casos implicam somente dor e sofrimento. Olho a volta e vejo-te, sinto-te, recordo-te, emociono-me com o que já tivemos. E perdemos. Não há culpas. Só sentimentos contraditórios. Nunca a bateria do meu Nokia durou tanto tempo. Fecho os olhos e tento dormir, sonhar com a vida e o amor que já tivemos e viver assim uma vida alternativa em sonhos, com o desejo que a realidade não passe de um sonho mau, de um pesadelo prestes a terminar.

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