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sábado, 1 de novembro de 2008

Tempo

É assustadora a forma como o tempo se esvai por entre os nossos dedos. Que sociedade é esta que nós estamos a criar ? E que legado vamos deixar para os nossos filhos? 
Apesar da esperança média de vida aumentar 1 minuto a cada minuto que passa, o facto é que cada vez vivemos menos. O tempo é realmente relativo. A velocidade que nos impomos a nós mesmos no mundo actual diminui-nos o tempo de vida, embora vivamos mais... Não sei se me conseguem compreender. Eu próprio não compreendo como as semanas chegam ao fim como se de um salto em comprimento se tratasse. É assustador. As segundas-feiras já não me deixam mal-disposto. Nos intervalos dos sonos rapidamente chego a próximo fim-de-semana. Tenho um ritmo que não pedi a ninguém. A minha vontade começa a ser fugir para alguma oásis onde o tempo passasse como antigamente. Acordo em stress para despachar os miúdos para ir para a escola e chegar a tempo ao hospital de forma a marcar a hora de entrada com controlo digital dentro do horário por mim definido. A hora de entrada tem que bater certo, já a de saída é uma incógnita e ninguém me paga mais por isso. Saio a correr do Hospital para o consultório para ao fim-da-tarde ir buscar novamente os rebentos e vir a correr para casa fazer trabalhos de casa e preparar o jantar. Entretanto saio a correr para os ir levar à mãe de forma a que não se deitem depois das 21.30. No dia seguinte estou de banco de 24h... frequentemente sem saída de banco no dia seguinte. Chego a casa à tarde onde me deito (um luxo) durante a tarde... isto quando não tenho consultório à tarde. A meio da semana o meu estado de zombie haitiano agrava-se... Quinta-feira é seguramente o pior dia. O dia after-after-day é aquele em que só me apetece meter-me nos meus lençois e babar em cima da almofada... Mas não me deixam. Sexta-feira another day of work... E rapidamente a semana chegou ao fim. Sem cinemas, sem leituras, sem televisão, o tempo (escasso) livre que tenho serve para estudar e programar a minha vida futura. Mas que porra de vida esta. Posto isto, naturalmente que os meus escapes são as viagens onde frequentemente me recuso a transportar um relógio por mais elegante que seja. Foda-se. Já estamos no Natal e ainda agora estou a acabar de desembrulhar os milhentos pijamas, boxers e meias que me ofereceram há 1 ano atrás. Ano esse que mais pareceram 2 ou 3 meses. Algo de muito errado se está a passar connosco e com a sociedade hipertiroideia que estamos alegremente a desenvolver. Qualquer dia morro de AVC, EAM, acidente de viação ou qualquer outra merda que me ponha termo à vida (Neo do pulmão por exemplo) e esta pouco significado teve... É fodido não é.

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