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sábado, 9 de novembro de 2013

Club Noir

Já algumas vezes tinha passado à porta. Imaginei que se tratasse de um daqueles locais de culto nocturnos para populações seleccionadas. E é-o, mais ou menos. Paguei um euro à porta para entrar. Acho que fui literalmente roubado. Mas não convinha chatear o segurança de 2x1 metros. Nunca pago direitos de admissão. Acho uma verdadeira afronta. Passo normalmente directo. E acabo sempre por consumir mais do que me irritar e virar-lhes costas. Mas neste caso específico, queria mesmo entrar e resolvi dar uma moedinha ao arrumador de almas à porta do club noir. As escadas que dão acesso à cave têm um ar soturno e enigmático. Gostei sobretudo de uma pintura da capa do mítico filme de David Lynch, Eraserhead. Tive uma t-shirt assim que ofereci a uma espécie de namorada gótica dos tempos da faculdade. Hoje é uma tiazoca respeitável. Na altura gótica. Cá por baixo o ambiente é eclético. A música de gótica não tem nada. Zero. Porém muito boa para a minha faixa etária. The Cure. Peter Murphy. Bauhaus. Waterboys. etc. As pinturas b&w de ícones como Nick Cave, Bjork, Eduardo-mãos-de-tesoura, O Padrinho e Robert Smith estavam espalhadas pelas paredes. A fauna era mista e variada. As pessoas, sobretudo as chicks, dançavam de uma forma libertadora e despretensiosa. Ou seja, nas antípodas dos sítiozinhos da moda onde all eyes are on us. E isso agradou-me. Fiquei com vontade de ficar por lá mais tempo. Mas os meus amigos cortaram-se e quiseram mudar de ares. Não seria boa educação não acompanha-los. Sobretudo porque eu fui o taxista, bêbado, de serviço. Irei regressar. Club Nu-Arrrrr...

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