quinta-feira, 2 de julho de 2009

Black Vodka

O Vodka preto da nossa relação. A primeira vez que o bebi foi num terraço decorado com motivos cubanos num Agosto quente de 2000 e picos. Recordo esse momento longínquo em que fomos apresentados. Anos mais tarde projecto-te nesses momentos com as tuas tranças adolescentes. Foi a última vez que bebi Vodka preto. O sabor blueberry não ultrapassa a desvantagem da língua petrolífera. Nunca pensei voltar a beber Vodka preto excepto quando te reencontrei. O café do desabafo que se tornou numa troca de olhares, nuns breves momentos em que as peles se tocaram e os calores se fundiram. Prolongamos a nossa conversa entre alcatifas, bolas espelhadas no tecto e Vodka preto. Nunca daí passou, nem poderia ter passado. Há relações que são sem nunca o terem sido. E a nossa foi assim. Uma amizade onde as retinas se cruzaram e os espíritos se envolveram. Sabíamos à partida que o futuro era tão negro como o Vodka que me atordoava o espírito. Encontramos-nos mais duas ou três vezes sem que o platonismo se transformasse no que quer que fosse. E ainda bem. Bebo mais um golo do Vodka Preto que enche metade do meu copo dos Simpsons. Ouço Rui Veloso e penso nas verdadeiras razões, nas tuas verdadeiras razões. Não consigo entender, ou entendo agora, a inteligência das nossas atitudes. De facto há relações que não passam de trocas de olhares. E a nossa foi assim. Porventura mais forte e intensa do que... Levantei-me e fui encher mais um copo de Vodka preto que começa agora a surtir os seus efeitos. Apetece-me telefonar-te mas resisto. Sempre resisti aos meus impulsos mais instintivos. Na realidade, a forma como tudo aconteceu dilacerou-me por dentro sem que tu ou eu tivéssemos sequer tido tempo para notar. São 3:50 e apetece-me sair de casa para me refrescar. Quero um cigarro...

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