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quarta-feira, 8 de julho de 2009

Secret Spot


Há locais secretos que guardamos só para nós. Na maioria das vezes imaginários, embora por vezes a realidade se misture com a ficção. Chama-se a isso delírio. Eu tenho um local secreto de meditação. A única companhia são as gaivotas, o vento salgado na face e as ondas do mar no seu ritmo constante. Sento-me num círculo e deixo o meu pensamento flutuar até ao branco, ao vazio... A areia é grossa e magoa-me. Acordo sem nunca ter fechado os olhos. Leio os pensamentos daquela pessoa que se encontra a olhar para mim movendo os lábios numa língua imperceptível. Não estava ali quando tudo começou. Observo-a com atenção por detrás das minhas lentes cinzento-escuras. Parece reparar que estou a olhar para ela e continua naquela mímica labial. Tento-me abstrair daquela triste figura de costelas salientes e mamilos imponentes pelo Sol, que se esconde atrás das rochas. Reinicio "a minha andorinha" do MEC que me acompanhou até à minha praia. Donde raio apareceram estas pessoas no meu spot secreto. Um Argentino obeso, licenciado em Geografia, pede-me para fotografa-lo. Acedi, embora a sua presença estivesse a interromper o meu descanso. Queria-me fotografar com a desculpa de ver a sua imagem espelhada nos meus Prada cinzento-escuros. Naturalmente, recusei. Felizmente o tipo já estava em Portugal há cerca de 10 dias, ultrapassando o período de incubação do H1N1. Afastou-se do meu círculo tentando fotografar a italiana que se banhava nas águas gélidas e cristalinas. Bizarros hábitos estes. É assim que quando menos se espera aparecem fotografias por essa net fora sem que os seus protagonistas sonhem sequer.
De repente o meu secret spot parecia uma reunião da ONU. Felizmente, com o esconder do Sol, rapidamente se puseram a milhas ficando eu novamente com a sua hegemonia.

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