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sexta-feira, 3 de abril de 2009

riders on the storm


Riders on the storm
Riders on the storm
Into this house were born
Into this world were thrown
Like a dog without a bone
An actor out on a loan
Riders on the storm
(The Doors)

Há momentos que se vivem uma ou duas vezes na vida e recordar-se-ão cinquenta. As primeiras paixões, pela sua própria definição, são imortais. Se forem platónicas expandem-se a velocidade da luz. Quando olho para Vénus vejo as imagens do passado que se torna presente. Vejo imagens do passado, com segundos de intervalo, mas do passado... Quando há 17 anos  me disseste que tinhas algo para me dizer, os meus olhos brilharam, o coração palpitou, a tensão baixou repentinamente e o ego envolveu-me com uma aura brilhante que só mais tarde viria a conhecer ser capaz de existir em mim. Disseste-me realmente que estavas apaixonada por alguém sem conseguires demonstrar como e eu ajudei-te, mesmo amando-te profundamente... 

Passados 17 anos reencontrei-te inesperadamente. A nossa relação sempre se baseou em encontros ocasionais... Na realidade nunca fomos amigos nem nunca chegaremos a ser. Mas ajudei-te sempre que necessitaste. A última dessas ajudas será mais importante do que alguma vez pensarás ser. Desta vez não te amei profundamente e não consigo definir o sentimento que por ti alguma vez nutri. Na realidade senti-me envolvido por todo o caos que preenchia a tua mente. Ouvi-te nas tuas lamentações e deixei que me levasses pelos caminhos tortuosos do teu pensamento. Cruzámos várias vezes o olhar e a distância de segurança dos 50 cm foi algumas vezes ultrapassada. Enquanto subíamos em direcção ao céu naquelas escadas-rolantes cinzentas várias vezes tiveste vontade de me morder os lábios e eu senti-o... As emoções são aquilo que nos queremos sentir e não aquilo que sentimos verdadeiramente. Desta vez não foi a mim que disseste estar apaixonada e permitiste com isso transformar a tempestade numa manhã amena e soalheira como nos contos de fada. Continuei a minha caminhada por entre nuvens tempestuosas a procura da saída para o labirinto para onde me lançaste. Recordo a lenda oriental onde o escorpião pica a tartaruga que o ajuda atravessar o rio, mesmo sabendo que morreriam os dois, quando questionado respondeu ser essa a minha natureza. O meu iPod grita Stairway to Heaven de Led Zeppelin e afundo-me no puff cor-de-laranja a pensar na injustiça dos nossos sentimentos e na ingratidão das nossas atitudes, com a certeza de que nada acontece por acaso.

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