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domingo, 20 de julho de 2008

Black Hole.



"Estes dias cinzentos entorpecem-me a mente. Estes dias cinzentos em que me fazes falta. São cinzentos porque me asfixiam. Penso em deixar de pensar, mas não consigo. Por vezes a pior forma de defesa é aquela que se nos cabe usar. Afastarmos-nos de tudo e de todos. Impedirmos alguém de se aproximar sequer da nossa intimidade. Nada acontece por acaso, nem o inevitável nem o evitável. Todas as vezes que se cede um bocadinho e a intimidade é exposta surgem as desilusões, os fracassos, as mentiras e as omissões. E o pior de todos os males: a vingança. Onde estavas tu quando eu por motivos de força maior não podia estar contigo? Eu sei onde estavas... e nem em pensamento foi ao meu lado. Limitavas-te a comunicar por telefone factos que me atormentavam como se o meu insucesso pudesse ser alma-mater para o teu sadismo."
De repente acordo, visto-me à pressa e vou para a praia. Todos os pensamentos que em espiral rodearam o meu espírito durante a noite se esfumam. Percebo os meus erros e a minha ansiedade em expô-los perante o mundo. Errare humano est. Mas alguns são demasiado recidivantes. Aqueles que se prendem com os sentimentos. A praia, apesar do cinzento do céu que nos brinda hoje, está agradável... A minha cadela Shiva, labrador, dócil e carinhosa, diverte-se a afugentar as gaivotas. Brinco com a minha reflex e saco uns negativos. Sim, porque as máquinas digitais não captam os verdadeiros momentos de luz. Entretanto chegas bamboleante como se nada de errado tivesse ocorrido entre nós... Tens o espírito menos pesado porque me atraiçoaste. O sabor da vigança faz-te sorrir perante mim. No teu íntimo julgas ter a razão do teu lado. Os teus mecanismos auto-desculpatórios sempre me fascinaram. Gostava de ser mais como tu. Mas não consigo. Os nossos diálogos nunca chegam a nenhum lado inteligível. Escrevo na areia o meu nome + o teu (Pedro + Sofia) e envolvo-os com um coração pingando gotas de sangue... Mais cedo ou mais tarde também esse deixará de pulsar. Mas essa é a história da nossa vida não é?

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