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segunda-feira, 26 de novembro de 2007

Circo



Odeio circo. Sempre odiei. Bem, nem sempre, talvez nos primórdios longínquos da minha infância gostasse do circo. Porém não me recordo. As únicas lembranças que tenho do circo são um misto de repulsa, melancolia e pena. Por isso odeio-o. Não suporto ter pena do que quer que seja. É talvez a forma mais hipócrita e desumana de sentimento: a pena. Ter pena é considerar o outro um coitadinho. E isso, para mim é insuportável, não gosto de ver e considerar as pessoas como coitadinhas. Quando isso se sucede é porque realmente a desgraça pairou por cima de alguém.
Todo os pseudo-espectáculos do circo são para mim degradantes. Os palhaços sem graça nenhuma, os equilibristas alcoolizados, os leões anoréticos, as lantejoulas baças, o cheiro, os bancos de madeira... tudo... o próprio conceito em si. Nem mesmo os circos de grande qualidade, daqueles que passam na televisão, me conseguem cativar. Lamento se isto possa ser arrogante, mas está de tal forma enraizado em mim que alguma explicação psicanalítica deve ter.
Assim, fico nauseado com a possibilidade de ir ao circo. Felizmente as minhas crias têm mais companhias para os levar...
O único circo que seria capaz de me interessar seria o do Papalazarous.
Tento perceber o porquê deste sentimento tão hostil em relação ao circo. Na realidade tudo se resume ao papel de palhaço que assumo perante a trapezista. Com tantos saltos e ameaças de queda inconcretizáveis o papel de palhaço triste assenta-me como uma luva. Prostado perante as evidências de saltos de trapézio em trapézio abandono o meu papel, arremesso o nariz vermelho, lavo a cara da tinta branca, escondo a peruca na gaveta da rollote, arranco as lantejoulas do palhaço rico e parto para outro circo. Noutro papel, noutro tempo... Quem sabe de domador de leões.

1 comentário:

  1. Sorri com este post porque nós tb não gostamos de circo, pelo menos não da forma como vulgarmente o encontramos, principalmente nesta época natalícia. Gosto de palhaços, tenho amigos palhaços e encontro algum sentido nesta personagem, mas não há nada pior do que um palhaço degradante, entre animais maltratados e outras coisitas mais...

    Tenho no meu imaginário um circo diferente e é esse que passo às minhas crianças, que... não têm ninguém que as leve ao circo!

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