quinta-feira, 29 de novembro de 2012

Ensaio sobre a Traição

(Este texto foi escrito segundo as normas do antigo acordo ortográfico e com recurso a um iPad, pelo que poderiam existir erros decorrentes da sensibilidade e pressão com que se bate no teclado. Para a sublimação do mesmo o autor reservou-se o direito de ouvir Bat for Lashes)

Ontem preso no trânsito entre a Avenida da República e Entrecampos deparei-me a reflectir sobre a hora do sexo do Quintino Aires. O tema, já discutido, prendia-se com a Traição e se era ou não possível perdoa-la. É um tema pesado pela carga emocional que tem associada. Quem traí não tem a mais pálida ideia do mal que inflige ao outro. A traição para além do simples acto de trair, desligada ou não de sentimentos, é um acto de egoísmo, de mentira, de omissão, de hipocrisia, de desrespeito máximo por aquele que se diz amar. A traição assim só poderia ser cometida por seres humanos que de humanos só teriam o nome. O acto de trair seria então somente um impulso animal digno das mais estúpidas bestas.
 Foi realizado um estudo onde 75% dos homens admitiam ter traído pelo menos uma vez na vida e cerca de 70% das mulheres admitiram ter cometido "adultério".  Então como se explica isto? Que a maioria das pessoas está com os outros por mero interesse? Segundo o Quintino quem ama verdadeiramente não trai, não sente necessidade de trair, mas segundo ele pode admirar uma pessoa na rua e mesmo desejá-la mas sem trair. Bem, não será o pensamento em si mesmo uma traição. Se se ama verdadeiramente então não se tem olhos para mais ninguém. De facto, não é verdade.
O acto de trair é barbáro. Discutia-se na hora do sexo que é impossivel perdoar uma traição. Nisso acabo por concordar parcialmente. Até se pode controlar sintomas e sinais, como se de uma doença crónica se tratasse, mas curar essa ferida de verdade não é de todo possível.  É uma dor recorrente invadida por fantasmas que mais cedo ou mais tarde podem aparecer. Se quiseres destruir o amor próprio de alguém trai-o. A traição, em última instância, corresponde a promover o mal a quem nos ama. É de facto a pior atitude que se pode ter com alguém que confiando em nós nos ama incondicionalmente. É uma dupla maldade. Não passível, segundo Quintino Aires, de ser perdoável. Eu discordo, apesar de ser uma atitude execrável e cobarde, é possível de se perdoar. Não quero com isto afirmar que as feridas fecham, porque de facto não fecham.
A traição é má, mas e confessar uma traição? Será uma atitude correcta e respeitadora. Penso que não, uma pessoa que comete uma traição e que ainda por cima não consegue gerir os sentimentos de culpa que daí adveém confessa a traição para aliviar o seu espírito. Se outro ficar por lá então a dominância sobre o outro está ganha. E trair é como matar, só custa a primeira vez. Segundo Quintino Aires, o traído só fica na relação por medo de ficar sozinho. Discordo, o traído pode ficar na relação porque na realidade ama o traidor. E será possível amar quem nos traiu? Acredito piamente que sim. Embora com lágrimas e sofrimento.

quarta-feira, 28 de novembro de 2012

Recorrências

A mente e o pensamento são recorrentes. Insistimos na nossa felicidade e preferimos não encarar a realidade com que nos defrontamos. Existem momentos em que devemos fazer tábua rasa. Não adianta insistir em pessoas e relações que teimam em não acontecer. É difícil compreender as relações. Na realidade é impossível. Ando numa espiral da qual não consigo sair. Quando sinto que a corrente de ar diminuiu e me lança novamente à terra rapidamente renasce. É recorrente pensar em ti, mesmo quando em mim não pensas. Quero desistir como tu mas insistes em alimentar a minha infelicidade. Quero bloquear os meus pensamentos, quero eliminar-te da minha existência. Tu não deixas. Quando penso que não passas de memórias reapareces, como se adivinhasses que me poderias perder, quando na realidade já nos perdemos aos dois. Alimentas o meu sofrimento como se dele te viesse algum ganho, algum prazer mórbido. Sou para ti um nutriente para o teu ego. Queres-me e ao mesmo tempo não me queres. Alguém me dizia que as pessoas só se ligam às outras quando são mal-tratadas. Pois talvez por isso não te consiga esquecer. As mulheres e os homens veneram bad boys and bad girls. Talvez não seja a regra, mas a conheço grande quantidade de pessoas, inteligentes, cultas e sensíveis que se mantêm estaticamente à espera de quem as tratou ou trata mal. A volatilidade com que te relacionas comigo é confundente. A ultima vez que conversamos ao telefone foste doce, delicada, contrastando com aquilo que é habitual. Percebi que tinhas plateia, onde sou um mero pagliaccio. É factual, corto o cordão imaginário que me une a ti. Não é possível continuar nesta indecisão. Parto.


quinta-feira, 15 de novembro de 2012

What Time is it?

O tempo é relativo. Como o espaço o é. A relação espaço-tempo toma, por vezes, proporções interessantes na nossa vivência. Esperamos mais tempo do que espaço. Estou habituado a esperar. Especialmente na minha área, que em grego significa isso mesmo: saber esperar. E espero até que o espaço se esgote. Mas este tende para o infinito. E infinito vezes zero é zero. O único e verdadeiro elemento absorvente. Quando nada mais existe o tempo e o espaço esfumam-se e este atinge o seu limite. O ponto de exaustão. Sinto formigueiros em ambas as mãos. E esgoto a minha ampulheta que me canso de virar diariamente.

domingo, 11 de novembro de 2012

Skyfall.

Este último James Bond foi um turnover moralista do próprio. Um verdadeiro tradutor da substituição da violência pelo amor. Este James Bond repleto de explosões e mais explosões não teve uma única cena de paixão ardente. As Bond Girls desapareceram por completo. Á única pequena cena que houve, foi no chuveiro com a chinesa e passado pouco tempo a miúda acabou com um tiro na cabeça. Ainda bem que não se candidatou à nossa presidência da república. Para além disso, o James ainda foi assediado pelo vilão de serviço. Enfim... que desilusão de filme. Perdeu-se o glamour de outros tempos. O Double O Seven tem os dias contados. 



nota: Este para mim continua a ser um dos melhores momentos humorísticos de sempre. 

segunda-feira, 5 de novembro de 2012

Indifference

Haverá alguma coisa pior nas relações entre seres do que a indiferença? A indiferença é o desprezo total e absoluto por outro. A indiferença mata, corrói, dilacera. Muito pior do que odiar. A indiferença é algo que só sente, ou melhor não se sente, quando alguém é transparente, volátil, sem importância. Quando alguém morre, se o amamos ou odiamos, sentimos a perda. Por razões diferentes, naturalmente. Mas quando alguém é indiferente nem sequer sabemos ou queremos saber, porque na realidade não nos importamos. Cultivar a indiferença de alguém significa que a pessoa saiu, deixou de existir, foi apagada de qualquer memória, por mais pequena que seja. A indiferença é a pior forma de não se gostar. Na realidade nem se chega a não se gostar, porque a indiferença é vazia de sentimentos, de conteúdo, de alma. Um ser indiferente é um não-ser, é um patamar muito abaixo do ser humano, dos animais, dos vermes.  Pior, não tem existência. De facto, quando Andy Warhol afirmava que preferia que falassem mal dele do que não falassem, estava repleto de razão. Alguém sentir a indiferença dos outros é a anulação completa do seu ser, da sua personalidade. Ninguém deveria ser obrigado a transformar-se em vidro, em plástico, num saco transparente e isso é a indiferença. As pessoas acabam as relações. Faz parte das vicissitudes da vida. Existem inúmeras razões para tal se suceder. Normalmente as culpas são arremessadas de um lado para o outro da rede sem que ninguém as deixe cair no chão. A seguir ao amor vem o ódio, o escárnio, o orgulho, as feridas reabertas, as divagações. No entanto, esses sentimentos por muito negativos que sejam demonstram respeito pelo outro ser. Demonstram que se pensa. A indiferença não. A indiferença corresponde à eliminação total, ao despejo, ao arremesso. Para alguém se tornar indiferente implica que o outro ser o esqueceu por completo, racional ou irracionalmente. A indiferença é indiferente. And we use to get closer than this (aqui usado com sentido).

domingo, 4 de novembro de 2012

perfume

As paredes envelhecidas observadas de frente pelos lentes de outrora. O bengaleiro, pé de galo, amarelado jazia encostado ao armário de metal enferrujado semi-aberto. A tua roupa repousava nele. Queria-te marcar. Depositei as minhas roupas por cima. O cheiro de anjo penetrou-as intensamente. Disseste-me mais tarde que quando chegaste a casa e cheiraste o casaco veio-te à memória a minha pessoa, o meu ser, o meu cheiro. Não há nada mais erótico, marcante, envolvente que o cheiro. Essa é a marca animal que nos atinge inesperadamente. Podemos não ser giros, especialmente simpáticos, brilhantemente inteligentes mas alguém algures ficará enebriado com o nosso cheiro. A verdadeira essência da paixão reside aí, nas feromonas. Somos animais domesticados, mas a essência está lá. Conheço imensas mulheres, umas lindas, outras inteligentíssimas, outras sensuais e nenhuma me prendeu como tu. Não têm o teu cheiro, a tua alma. Também eu recordo o teu cheiro misturado com o meu na minha roupa que me acompanhou durante o dia seguinte. Cada vez que te vejo quero-te beijar o pescoço, sentir o teu suor, inspirar-te... Sou teu e a culpa são das feromonas. Enfeitiçaste-me com o teu odor. Queria agarra-lo, mete-lo no meu frasco, fecha-lo bem para não fugir. Para mim és e serás sempre a minha princesa feiticeira...

quinta-feira, 1 de novembro de 2012

Can´t Follow Me

Para onde eu vou não me podes seguir. Decidi mudar de rumo, mudar de vida. Quando tudo deixa de fazer sentido partimos para parte incerta. Decidi deixar tudo para trás. Faço uma tábua rasa da minha vida passada e presente. Procuro no futuro algo que aqui nunca encontrei. Não me podes seguir. Para onde eu vou só se vai quando se é chamado. Ou então procura-se um atalho. Compra-se um bilhete de ida no mercado negro. Lamento, mas não me podes acompanhar. Abandono o meu amor depois de o  distorcer com vivências, comportamentos, frases inacabadas. Abandono o meu amor corroído. Facilita-me a viagem tortuosa que me espera. Para onde eu vou não me podes seguir. Mas também não estou certo que o quisesses. O tempo tudo muda. O tempo transforma-nos naquilo que queremos e não queremos. O tempo e o espaço para onde vou deixam de fazer sentido. Acabam-se as mesquinhices, os horários, as pressões, os receios. Não tenho medo de partir porque já há muito parti. Para onde eu vou irei reencontrar-te um dia. Quem sabe talvez me reconheças. Antes de ti já muitos partiram e eu na altura não os segui. Desta vez irei, sem olhar para trás, sem lançar lágrimas, sem me despedir. Para onde eu vou não me podes seguir porque partiste antes de mim. A vida a dois é uma cedência continua. A presunção que os outros erram enquanto nós somos impolutos é um ode ao insucesso. Espera-me a barcaça de madeira onde entrarei sozinho. Atravesso o oceano de almas perdidas até reencontrar algumas das pessoas que perdi. Pessoas que me amavam e que eu amei. Iremos fazer uma festa. Tenho saudades de lhes passar a mão pelo cabelo, de sentir as suas festas na minha face, de beija-la, de abraça-las. Já tantos partiram antes de mim que não é nada de especial.
A vida é feita de amizades e de amor. Podemos amar as pessoas em vários contextos. Há imensos amigos que eu amo do fundo do meu ser. Nunca tive medo de o afirmar. Mesmo quando a ti te parece estranho. Talvez nunca tenhas tido uma verdadeira relação de amizade. As pessoas amam-se e tocam-se espiritualmente. As pessoas magoam e perdoam. As pessoas genuínas não mastigam os outros. Tenho saudades de muitas dessas. Afasto-me por vezes dos meus amigos. Há períodos. Momentos em que cometo distracções, erros, uns mais banais do que outros. Preciso dos meus momentos de isolamento, de introspecção para pensar neles. Fico perdido perante tantas evidências de que nunca me amaste verdadeiramente. Ou se me amaste deixaste-o de fazer deixando-me numa dúvida perpétua. Há palavras que já não saiem da tua boca. Deixaram-te de te fazer sentido. Embora a mim o façam e afirmo-o aos sete ventos o quanto te amo. Para onde eu vou não me podes seguir nem me poderás amar. Deixo tudo para trás. Não levo ninguém. Deixo o meu amor pela última vez. Transfiro os meus valores e modo de pensar com todos os seus defeitos e virtudes aos pequenos querubins. Para onde eu vou ninguém me pode seguir.



Lyrics
When darkness falls
And surrounds you
When you fall down
When you're scared, and you're lost
Be brave
I'm, coming to hold you now
When all your strength has gone
And you feel wrong
Like your life has slipped away

Follow me, you can follow me
And I, I will not desert you now
When your fire has died out
No ones there, they have left you for dead

Follow me, you can follow me
I will keep you safe
Follow me, you can follow
I will protect you.

Ooo, I wont let them, harm, harm you
Ooo, when, when your heart is breaking

You can follow me, you can follow me
I will always keep you safe
Follow me, you can trust in me
I will always protect you, love

quarta-feira, 31 de outubro de 2012

Chocolate Muffin

Percorremos as ruas frias e escorregadias envolvidos um no outro. Os prédios de fachadas tortas caiem à nossa volta. Amparamos-nos mutuamente. Andamos às voltas num chão de algodão macio e terno. Os neons iluminam as nossas faces apaixonadas. Perdemos-nos nas montras de mil e um objectos coloridos. Tocas-me, sinto pequenos choques e formigueiros ao longo de todo o corpo. Paro no tempo e no espaço. Só tu interessas. Olha para o mapa do nosso amor e desperto com o teu beijo húmido no meu ouvido. Ao longe ouço em surdina as pessoas caminhando. O rapaz emagrecido carregando a bicicleta negra parece-nos dirigir palavra. Não entendo. Só tu interessas. Os cisnes dançam nos canais gelados desviando-se dos barcos que lentamente rasgam as águas geladas. Só tu interessas. Perco-me no teu olhar, na tua voz, no calor do teu corpo. Um saco de plástico agita-se e viramos-nos como se alguém nos perseguisse. Percorremos as ruas frias e chegamos a casa. Andamos às voltas, perdidos nos braços um do outro. O tempo passa lentamente, mais do que o habitual. Nessa noite entregamos-nos um ao outro com a intensidade do primeiro amor, da primeira paixão. Amamos-nos durante a noite. Ao longe o relógio lentamente transpirava segundos demorados. Senti o teu corpo em perfeita sintonia com o meu. Fundimos-nos num só. Penetrei-te lentamente. A corrente percorria os nossos dois corpos como se de um só se tratasse. Cada poro teu era meu. Cada pedacinho de pele pertencia-me. E eu a ti. Fomos um só ser percorrendo as ruas frias e escorregadias que tu agora percorres sozinha. O elefante cor-de-rosa olha-nos de cima. O nosso amor abençoado por Ganesha. Ignorámos tudo e todos à nossa volta. Só tu e eu interessávamos. O chocolate derretido envolvia-nos em mil cores, em mil sons, em mil emoções que sentimos intensamente. Os cânticos dos homens vestidos de hawaianos envolvem-nos. Rimos do fundo do nosso espírito. Beijamos-nos intensamente como se só beijam os seres uníssonos. Quando nos despedimos foi como se tivesse sido arrancado de ti. Separam-nos como se de dois siameses toracopagos nos tratássemos. O coração era único. Levaste-o contigo para longe, para a cidade do amor em espelho. Fiquei ressequido vendo-te partir. Desesperei até ao próximo encontro. Mantive-te sempre em pensamento. Cada dia, cada hora, cada minuto do meu tempo. Que saudades tenho de comer um muffin de chocolate.



sábado, 27 de outubro de 2012

Chopin´s Nocturnes

Há sensivelmente um ano passeava-me por Varsóvia. Passeávamos. Foi a nossa última viagem a dois. A nossa última comunhão. O que nos procurámos a igreja onde jaze o coração de Chopin. Encontrámos. O que nós gostámos do museu de Chopin. Ainda guardas o teu cartão? O meu continua arrumado na mala azul de rodas desgastadas. É curioso como Chopin está presente em alguns momentos marcantes da nossa vida. Bem, não tão marcantes assim. Na realidade os momentos deixam de ser marcantes quando os esquecemos. E tu provavelmente já o fizeste. Ouço os nocturnos de Chopin  da Maria João Pires. Não comprei no museu porque não fazia sentido. Conversámos sobre isso. Encontrei hoje uma belíssima edição da deutschgramophone e não pensei duas vezes. Nesse dia chovia a potes e nós sem chapéu. Recordo o teu cabelo liso e escorrido. Recordo-me do abraço terno que demos para nos mantermos quentes. Nesse dia nada mais interessava a não ser a nossa cumplicidade. Esta amorosa. Nesse dia comemos aquele fantástico apfelstrudel naquela casa de chá deslumbrante. Como nós nos amávamos. Como compartilhávamos cada momento. Como bastava um olhar para nos entendermos. Chopin esteve e está presente nas nossas vidas. Pelo menos na minha, já que me traz à memória ternas recordações. Á medida que ouço esta melodia terna e envolvente recordo o Pianista de Roman Polansky. Estava uma tarde de inverno fria e cinzenta e debaixo das mantas laranja e castanha emocionámos-nos ouvindo Chopin teclado pelas mãos magras e cinzentas do pianista. Adoro Chopin e as recordações que brotam a cada minuto na minha mente. De facto, um homem é um conjunto de experiências irrepetíveis. E como eu as guardo com saudade.

quinta-feira, 25 de outubro de 2012

linhas tortas

Há linhas que me envolvem. Estou manietado perante ti. Não consigo contradizer os teus raciocínios, as tuas ideias, as tuas certezas. Há uma altura na vida em que nos devemos conformar. Há momentos em que nos devemos confrontar com o inevitável. Já o disse várias vezes, mas é tão difícil. Não se deve desistir de alguém em quem se pensa diariamente. Mas não é possível não desistir se somos ignorados. Se deixámos de ser amados. Se nos querem presos a uma ilusão. Se nos tratam mal com base em premissas e ideias fantasiosas. Quer-se e não se quer. Há linhas que me envolvem e não me consigo desenrolar. Preciso de alguém que me puxe o fio e me faça rodopiar até à libertação. Mas até nestes momentos os amigos mais íntimos andam atarefados nas suas vidas. Estou enrolado sobre mim mesmo. Não é possível continuar a insistir no inevitável. Irei passar um pano branco e húmido nas acusações injustas que me foram dirigidas e seguir em frente. Vou ignorar as pragas lançadas sobre mim, ignorar os atestados de insucesso. Vou reagir contra a maldade, contra quem me quer mal. Vou gritar alto e não esmorecer. Vou destruir as linhas de arame que me envolvem. Liberto-me verdadeiramente, já que até ao momento não consegui. Desisto. Desisto de ti. Desisto de nós. 

domingo, 14 de outubro de 2012

Marcas


Estou deitado no sofá. Dói-me o corpo. Tenho a alma ferida. Olho para o lagarto luminoso pendurado na parede. Já lá não está. O nosso lagarto luminoso. Levaste-o e à Union Jack. Eram tuas, foste tu que as pagaste, mas também eram nossas. Foram compradas pelos dois. Eram as tuas últimas marcas. Decidiste-as vir buscar, talvez com receio que não te as desse, fruto da tua experiência anterior. Mas eu não sou assim. Desmontaste a minha imagem e reconstruíste-a de forma a te ser mais fácil eliminares-me da tua mente, das tuas memórias. Constróis no teu espírito ideias, situações, episódios que não aconteceram. Que não acontecem. Não entendes nem queres entender. Aceito muita coisa menos injustiça. Um dia a tua mãe confidenciou-me que aceitavas tudo menos injustiças. Que quando eras pequenina prejudicavas-te a defender os outros que achavas vítimas de injustiça. Pois bem, perdeste os teus valores primordiais. Disseste-me muitas coisas vis e feias. Não as aceito. Desculpas os teus comportamentos projectando farpas nos outros. Em mim. Levaste as tuas marcas. No sítio deixaste um gancho. Talvez me possa pendurar nele e balouçar até à libertação. De facto passámos muitos momentos inesquecíveis. De facto não há nada mais injusto que estragar um quadro com borrões. Quiseste-te libertar e ao mesmo tempo manteres-me preso. E tentas. Não sei com que objectivo. Que ganho secundário tem alguém em manter o outro engaiolado. É cruel. O teu ego desmanchou-se ao perceberes que continuei a viver. Viste e interpretaste tudo de uma forma falaciosa. Cometeste e cometes injustiças. De facto as pessoas só se dão a conhecer em situações limite. Vem ao topo a mesquinhez, o egoísmo, o egocentrismo e a maledicência. Dizem-se coisas que não se querem dizer. Pensam-se coisas que não se querem pensar. Mas o ser humano é assim. O que distingue uns de outros é a capacidade de perdoar. A capacidade de se pedir desculpas. A capacidade da auto-crítica. Estou deitado no sofá e a cabeça pesada. Vim ao quarto escrever, porque tinha que escrever, tinha que libertar a minha alma desta dor que se apodera de mim. Já tive várias relações e várias relações acabaram. Nunca tinha tido uma que acabasse e alguém quisesse andar em liberdade e manter-me em cativeiro. Há limites para o sadismo. De facto, se há pessoas incompreensíveis tu ultrapassas todos os meus conceitos. Dissecando este fim-de-semana, foi no mínimo bizarro. Ponho um ponto final em nós, em ti. De facto não te conheço. Nem te conheci. Não me prendes mais. Deita fora as fotos a preto e branco que tens na tua mesa de cabeceira. Desta vez não precisas somente de as esconder. Liberto-me finalmente. E ajudaste-me com tudo que disseste e que pensaste. Liberto-me perante a tua condenação injusta. Deito-me em paz. E isso de facto é o que é mais importante para mim. Estou em paz comigo mesmo. Sinto-me bem a olhar-me para o espelho. Sinto-me tranquilo com a minha consciência. O amor e o ódio de facto tocam-se. São dois sentimentos tão intensos e profundos que quase se sente o mesmo formigueiro quando se experimenta. Faz-se amor com alguém que depois nos vem a odiar. Será possível fazer-se ódio com alguém que depois nos vem a amar?

Agree? or Not?


and injustice for all...

sábado, 13 de outubro de 2012

Wall-E

Wall-E. Wall-E. Brilliant Movie. Unexpected Love. Sometimes happens. Love this movie. Minimalist. 

domingo, 7 de outubro de 2012

unexpected you

unexpected you. unexpected voice. unexpected talkings. unexpected feelings. unexpected life. unexpected pain. unexpected injustice. unexpected sorrow. unexpected borrow. unexpected love. unexpected beginning. unexpected end. unexpected kiss. unexpected memories. unexpected photos. enexpected suffering. unexpected passion. unexpected sex. unexpected music. unexpected lies. unexpected truths. unexpected edges. unexpected art. unexpected intrigues. unexpected darkness. unexpected mind. unexpected perpetual love. unexpected closed heart. unexpected black heart. unexpected bloody soul. unexpected phone call. unexpected you... unexpected love...


Cant Get No Sleep. AGAIN.

Habitualmente é assim. Quando alguma coisa me perturba o meu sono ressente-se. Nada de novo me perturba, mas o meu sono ressente-se na mesma. Acordo a meio da noite completamente desperto. Tem sido assim praticamente dia sim dia não. Felizmente amanhã de manhã, ou melhor hoje, poderei dormir.  Não estou certo disso. Andei assim quase 3 meses em 2010. O que eu sofri. Não há nada pior do que a abstinência de sono. Agora passados 2 anos surgem-me os mesmos sintomas. Desfasados. Questiono-me do porquê. Já não têm sentido. Ou nunca tiveram, estava eu desligado da realidade, da verdadeira realidade. Não obstante, sofri cada dia e noite a fio durante esses 3 meses. Estava zombieficado.
 Ponho tudo em causa. E porque não? Porque não colocar tudo em causa. A História também pode ser posta em causa. E preze a minha morte ser tão anónima como um grão de areia na meia-praia, tenho a minha História, as minhas estórias. E ponho tudo em causa. Tudo. Inclusivé a mim. E ao meu sofrimento trimestral que ninguém merece. De facto, não há nada mais injusto do que o amor cego e aquilo que dele advém. E esse amor mantêm-se. E esse eu não consigo pôr em causa. Mesmo racionalizando, argumentando, vendo o copo desta vez meio vazio, amplificando defeitos, diminuindo virtudes, esse amor que já não deveria existir, mantêm-se cego, caminhando entre as pessoas às apalpadelas e acordando-me a meio da noite. E eu sei porquê. Sei porque acordo especificamente algumas noites. Chama-se percepção extrassensorial. Mito urbano ou não, o facto é que tenho comprovado a posteriori muitos dos meus serões forçados. Vou tentar mais uma vez dormir... Ahh e cometo a profunda estupidez de fumar um cigarro a meio da noite quando isto me acontece. Á janela, na cozinha, contemplando o estádio da luz e a orda de prédios atrás até chegar ao teu e imaginar-te deitada, nua, pele dourada, contrastando com a parede verde abacate, lendo... lendo-me.

PS: Aparentemente as fotos do meu ídolo de sempre, Prof. Albert Einstein, não têm absolutamente relação com o texto acima. E de facto não têm. Mas tudo é relativo. 



terça-feira, 2 de outubro de 2012

Rascunho

Sou um rascunho do amor que por ti senti. Um papel sujo e amarrotado que alguém levou. As palavras desbotadas de uma qualquer bic azul desenham o sofrimento que ainda me corrói. 

Obssession

Hoje estive perto de ti. Passei nesse bloco cinzento e envidraçado onde trabalhas. Imaginei-te no teu fato verde igual ao meu mas em ti melhor. Vi-me reflectido e apercebi-me que as lágrimas me escorriam. Imaginei-te enclausurada como eu. Mas essa foi a vida que escolhemos. Nunca me arrependi. De facto amo o que faço. Faz-me sentir humano, mais humano. Estive perto de ti sem saber se lá estavas. É pouco importante. Na realidade já nem sequer tem sentido. Tudo não passa já de memórias que se vão distorcendo na minha mente. Escrevo quando devia estar a preparar a aula de amanhã. Mas a tua imagem invade o meu pensamento. Estou a um passo de voltar à grupanálise. Esta obsessão não me larga. E no entanto é tão somente amor, paixão, um sentimento inominato. Na realidade nem sequer já sei é a ti que eu amo. A ti ser palpável. Nem sei se te reconhecerei quando eventualmente te vir. Deixaste de existir porque deixei de existir para ti. Podia ter chegado a Lisboa mais cedo. Mas enfiei-me pelo caminho que fazes diariamente na esperança de nos cruzarmos, de te ver escondida no teu pequeno carro cinzento. Apreciei as montanhas verdes ao longe. Recordei os nossos passeios na Regaleira. Parecem tão distantes esses passeios que dávamos e tu com as tuas amigas para a tua mãe não se meter na tua vida. Vejo as fotos que tirámos. Estava gordo e disforme e tu mesmo assim dizias-me amar. Nunca me senti tão bem, tão amado, tão querido, tão compreendido. Como foi possível que tudo se dissolvesse. Demorei o dobro do tempo a chegar a casa. Os meus pensamentos vaguearam à tua volta. Não te vi. Observava todos os carros que por mim passavam na esperança de estares num deles. Hoje estive perto de ti. E no entanto tão longe. Esta obsessão tem que me abandonar. Continuo preso mesmo não querendo. Devolve-me a chave do meu coração. Peço-te. Liberta-me. Vi-me reflectido e só nesse momento me apercebi que chorava por ti.

sábado, 29 de setembro de 2012

Vislumbres

Hoje vi-te. Estavas de costas, com as tuas calças cinzentas largas de aladino e os cabelos soltos baloiçando-se pelo vento. Hoje vi-te, distante, longe, de costas. Estavas a namorar. As mãos masculinas  percorriam-te as costas. Beijava-lo intensamente, de costas, com os teus cabelos soltos baloiçando-se pelo vento. Hoje vi-te beijando um rapaz que não era eu. Beijava-lo com a mesma intensidade com que nós nos beijámos naquele tram em Amsterdão, alheios a tudo, alheios a todos, sozinhos e eu percorrendo-te as mãos pelas costas. Hoje vi-te e respirei de alívio. Libertaste-me. Repousavas nuns braços que não eram os meus. Arranquei-me de dentro do meu corpo sofrido e sublimei-me. Sabia que um dia teria de me confrontar com o facto de não sermos um do outro. Mas eu continuava teu, tua... teu. Não te consegui arrancar do pensamento até este dia, em que de costas beijavas outro. E eu vomitei como sempre soube que iria acontecer. Vomitei e libertei-me de ti. Estavas de costas e eu transparente passei por ti, deixando um rasto de vómito ensanguetado passeio fora. Encostei-me a um árvore e salpiquei-te os pés. Transparente não me viste e continuaste envolvida com aquele ser que agora te possui. Vi-te e libertei-me. Ao longe ouvia-se Temper Trap. Consegui ouvir-te dizer que essa seria a nossa música. Não a mim, que não te beijava, que não te tinha, que não te percorria as costas com as minha mãos sempre quentes. Não a mim transparente, salpicado de vómito ensanguetado. Transferiste a nossa música, o nosso ambiente, a nossa realidade para outro. Reiniciaste outro mundo, igual, mas sem mim. E de costas eu via-te caminhando de mãos dadas pelas ruelas sujas do bairro, do nosso bairro que agora deixara de ser meu. Hoje vi-te e esqueci-te no momento seguinte. Libertaste-me sem sequer saberes que ainda existo. Estavas de costas com as tuas calças cizentas de aladino. Eu, transparente, esvoacei e sublimei-me em mil tons de arco-íris por cima de ti cinzenta beijando alguém que deixou de ser eu.

quinta-feira, 27 de setembro de 2012

Se me queres dizer algo porque não me ligas?

Se me queres dizer algo por nunca me ligas? O meu telefone está ligado. O branco, o da paz. O outro deixei-o moribundo dentro de uma gaveta fechada. Esqueci o número. Esqueci as 300 e picos mensagens que imortalizaram o teu amor por mim. Se me queres dizer algo porque não me telefonas? Desces até à rua e ligas-me daquela cabine telefónica antiga, suja, com uma lâmpada fluorescente instável. Podes-me ligar a cobrar no destinatário que não te recusarei a chamada. Mesmo se estiveres em Hong Kong. Faz um reset ao sistema. Deixa o som fluir sem me olhares nos olhos. Se me queres dizer algo liga-me e para de me invadir os sonhos. Quero dormir em paz. Não quero acordar a meio da noite suado como naquela noite de baile de máscaras em que despertei sem saber porquê. Acordei vestido de branco e com uma máscara veneziana com nariz pontiagudo. Daquelas que se usavam por causa da peste. Se me queres dizer algo para de interferires nos meus sonhos. Não te quero ver à minha volta perturbando a minha existência pacífica. Quero nadar sozinho nas águas quentes do mar morto. Quero flutuar sem ti, sem esforço. Agradeço que não invadas o meu espaço sideral. Quero sonhar em paz. Estou cansado de acordar a meio da noite. Chego a casa e tu não estás. Perdeste a chave da nuvenzinha onde vivíamos. Se me queres dizer algo podes sempre escrever. É injusto só leres. É um desequilíbrio. Sinto-me pendurado pelos pés, pelas pontas dos dedos, na corda roupa, naquele 4º andar onde o lixo abundava nas traseiras, no baldio, onde os gatos se divertiam marchando e copulando estridentemente. Recordo essa febre que me prostou e me deixou ligado a ti. Ao menos escreve qualquer coisa. Podem ser frases curtas, em inglês, em espanhol, em italiano. Podes sempre mandar-me aquela parte. Mandar-me foder. Sem me queres dizer algo fá-lo sem me invadires os sonhos. Os sonhos são a minha realidade paralela onde vivo feliz e sonho com a vida que levo deste lado quando estou acordado. Nos meus sonhos namoramos, amamos-nos, viajamos, ouvimos a mesma musica, dançamos, bebemos, cantamos, gritamos, vemos filmes, enrroscamos-nos, fazemos amor, andamos à chuva, desaparecemos para cidades incertas, eclipsamos-nos. Nos meus sonhos ainda existes e não precisas de me ligar, basta falares. Se me queres dizer algo não me ligues, porque nos meus sonhos és feliz.

Life Goes On

Ligo o computador e admiro-te. Continuas com o teu ambiente de trabalho como se ainda vivesses cá, como se existisses, como se nunca tivesses partido, como se nunca tivesses morrido. A morte é uma inexistência na vida de outro. É um atentado à esperança. E essa matei-a quando assumi que tinhas partido para sempre. Disseste-me através de terceiros para continuar a minha vida. Também o disseste directamente. Não quis ouvir. Eu tento, mas está a ser difícil. No auge da paixão fugiste para Roma. Sofri, emagreci, não dormia, distraia-me, olhava para as pessoas sem as ouvir, mas sabia que te iria reeencontrar. Em Amsterdão, em Roma, em Lisboa. Agora sei que não te vou reencontrar. Sei que não te encontrarei por mais que me esforce. Ando perdido pelos sítios que gostávamos na esperança de te ver. É estúpido eu sei. Continuo obcecado, apaixonado, mal-amado, desprezado e no entanto não te consigo tirar da minha cabeça. Não o mereces eu sei, ninguém merece, mas é a realidade por mim vivida. De ti nada sei e continuas no meu computador e eu admiro-te cada vez que o ligo. E o que me custa desliga-lo. Vejo as nossas fotografias vezes sem fim e recordo as nossas canções. Como é possível que o livro italiano daquele escritor que eu não sei o nome seja tão parecido com a nossa história. E como muitas vezes pensei à medida que o lia, ao teu lado, deitado na areia quente do nosso secret spot, que isto ia acabar mal. E acabou não acabando. Despedimos-nos com um beijo nos lábios, com promessas de amor eterno, impossível e nunca mais te telefonei. Nem tu. Desististe de mim quando no momento em que eu quis desistir não me permitiste. Dizes-me por terceiros para continuar a minha vida. Não precisavas, eu sei que continuaste a tua. Embora nada mais saiba, porque morreste no meu espaço vital. Harakiri na realidade. Uso este blog como escape. Apercebo-me que a pessoa que mais vezes cá vem sou eu. A nossa história tornou-se desinteressante de tão repetitiva que é. Mas é o meu sofrimento isolado que a mantêm viva no meu espírito. Life Still Goes On.

terça-feira, 25 de setembro de 2012

Lisbon Alien

Fui ao Chiado. A minha zona favorita de Lisboa. O tempo estava cinzento e a rua repleta de pessoas deambulando. Comprei a Photo e mais um livro sobre o holocausto. Dirige-me ao Fábulas na esperança de te encontrar. Chovia. As mesas ocupadas não davam sinais de libertação. Ao fundo dois rapazes sentados. Aproximei-me e perguntei s podia compartilhar a mesa. Algo habitual em todo o mundo. Nunca fiquei à espera que vagasse um lugar em nenhum lado do globo se duas pessoas ocupam uma mesa de quatro. Parece lógico, mas não em Portugal. Disseram-me sim com desdém. Um deles com um sorrisinho estúpido nos lábios denotava admiração e reprova. Ignorei a sua ignóbil presença. Pedi um café, acompanhado por um pequeno cubo de bolo de chocolate, acendi um cigarro e desfolhei a minha Photo. Sempre na esperança de te encontrar. Sempre na esperança de levantar o pescoço e ver-te a caminhar entre as cadeiras amarelas. Desfolhei a Photo e paguei. 1€ e 20 cêntimos. Foi concerteza o cubinho de bolo de chocolate o inflaccionador. Paguei com 2€ e deixei lá o troco. Às vezes é preciso demonstrar aos outros que também é possível dar. Um lugar desocupado não é assim algo de tão especial. Fiquei a pensar se aqueles rapazes mentecaptos não se teriam abotoado com a gorja. Fumei outro cigarro pelo caminho. As mulheres hoje estavam especialmente bonitas. E no entanto eu procurava-te. Sem sucesso como habitualmente. Passei pela gelataria e deu-me vontade de comer o clássico morango e côco. O teu clássico. Procurei-te em todos os bancos e sofás vermelhos na esperança de te ver deliciada escorrendo pingos escarlates desenhando os teus lábios carnudos. Procurei-te sabendo que não te iria encontrar. Nunca te encontro. Vim-me embora. Chovia. O trânsito caótico deixou-me aprisionado quase  uma hora para fazer a rua da escola politécnica. Ouvi Keane. Eu que nem gostava muito. Encontrei o casal sussurando palavras amorosas encostados à ombreira de uma porta apodrecida. Li-lhes os lábios. Amavam-se. Procurei-te, podias ser tu. No meu íntimo desejo-te ver-te finalmente nos braços de outro homem. Para me libertar de ti. Vomitar-me-ei. Mas libertar-me-ei de ti para todo o sempre. Não eras. Em sentido contrário vinha uma miúda numa vespa preta com bancos castanhos claros de camurça. Chorava. Pude perceber que para além da chuva chorava. Procurei-te mas não eras tu. Tu nunca chorarias por mim. Não se chora alguém que se esqueceu. É como se nunca tivesse existido na tua vida. E no entanto eu procuro-te. E não te encontro. Fui ao Chiado. A minha zona favorita de Lisboa. Como se não pertencesse ali flutuo e desapareço.