Hoje vi-te. Estavas de costas, com as tuas calças cinzentas largas de aladino e os cabelos soltos baloiçando-se pelo vento. Hoje vi-te, distante, longe, de costas. Estavas a namorar. As mãos masculinas percorriam-te as costas. Beijava-lo intensamente, de costas, com os teus cabelos soltos baloiçando-se pelo vento. Hoje vi-te beijando um rapaz que não era eu. Beijava-lo com a mesma intensidade com que nós nos beijámos naquele tram em Amsterdão, alheios a tudo, alheios a todos, sozinhos e eu percorrendo-te as mãos pelas costas. Hoje vi-te e respirei de alívio. Libertaste-me. Repousavas nuns braços que não eram os meus. Arranquei-me de dentro do meu corpo sofrido e sublimei-me. Sabia que um dia teria de me confrontar com o facto de não sermos um do outro. Mas eu continuava teu, tua... teu. Não te consegui arrancar do pensamento até este dia, em que de costas beijavas outro. E eu vomitei como sempre soube que iria acontecer. Vomitei e libertei-me de ti. Estavas de costas e eu transparente passei por ti, deixando um rasto de vómito ensanguetado passeio fora. Encostei-me a um árvore e salpiquei-te os pés. Transparente não me viste e continuaste envolvida com aquele ser que agora te possui. Vi-te e libertei-me. Ao longe ouvia-se Temper Trap. Consegui ouvir-te dizer que essa seria a nossa música. Não a mim, que não te beijava, que não te tinha, que não te percorria as costas com as minha mãos sempre quentes. Não a mim transparente, salpicado de vómito ensanguetado. Transferiste a nossa música, o nosso ambiente, a nossa realidade para outro. Reiniciaste outro mundo, igual, mas sem mim. E de costas eu via-te caminhando de mãos dadas pelas ruelas sujas do bairro, do nosso bairro que agora deixara de ser meu. Hoje vi-te e esqueci-te no momento seguinte. Libertaste-me sem sequer saberes que ainda existo. Estavas de costas com as tuas calças cizentas de aladino. Eu, transparente, esvoacei e sublimei-me em mil tons de arco-íris por cima de ti cinzenta beijando alguém que deixou de ser eu.
sábado, 29 de setembro de 2012
quinta-feira, 27 de setembro de 2012
Se me queres dizer algo porque não me ligas?
Se me queres dizer algo por nunca me ligas? O meu telefone está ligado. O branco, o da paz. O outro deixei-o moribundo dentro de uma gaveta fechada. Esqueci o número. Esqueci as 300 e picos mensagens que imortalizaram o teu amor por mim. Se me queres dizer algo porque não me telefonas? Desces até à rua e ligas-me daquela cabine telefónica antiga, suja, com uma lâmpada fluorescente instável. Podes-me ligar a cobrar no destinatário que não te recusarei a chamada. Mesmo se estiveres em Hong Kong. Faz um reset ao sistema. Deixa o som fluir sem me olhares nos olhos. Se me queres dizer algo liga-me e para de me invadir os sonhos. Quero dormir em paz. Não quero acordar a meio da noite suado como naquela noite de baile de máscaras em que despertei sem saber porquê. Acordei vestido de branco e com uma máscara veneziana com nariz pontiagudo. Daquelas que se usavam por causa da peste. Se me queres dizer algo para de interferires nos meus sonhos. Não te quero ver à minha volta perturbando a minha existência pacífica. Quero nadar sozinho nas águas quentes do mar morto. Quero flutuar sem ti, sem esforço. Agradeço que não invadas o meu espaço sideral. Quero sonhar em paz. Estou cansado de acordar a meio da noite. Chego a casa e tu não estás. Perdeste a chave da nuvenzinha onde vivíamos. Se me queres dizer algo podes sempre escrever. É injusto só leres. É um desequilíbrio. Sinto-me pendurado pelos pés, pelas pontas dos dedos, na corda roupa, naquele 4º andar onde o lixo abundava nas traseiras, no baldio, onde os gatos se divertiam marchando e copulando estridentemente. Recordo essa febre que me prostou e me deixou ligado a ti. Ao menos escreve qualquer coisa. Podem ser frases curtas, em inglês, em espanhol, em italiano. Podes sempre mandar-me aquela parte. Mandar-me foder. Sem me queres dizer algo fá-lo sem me invadires os sonhos. Os sonhos são a minha realidade paralela onde vivo feliz e sonho com a vida que levo deste lado quando estou acordado. Nos meus sonhos namoramos, amamos-nos, viajamos, ouvimos a mesma musica, dançamos, bebemos, cantamos, gritamos, vemos filmes, enrroscamos-nos, fazemos amor, andamos à chuva, desaparecemos para cidades incertas, eclipsamos-nos. Nos meus sonhos ainda existes e não precisas de me ligar, basta falares. Se me queres dizer algo não me ligues, porque nos meus sonhos és feliz.
Life Goes On
Ligo o computador e admiro-te. Continuas com o teu ambiente de trabalho como se ainda vivesses cá, como se existisses, como se nunca tivesses partido, como se nunca tivesses morrido. A morte é uma inexistência na vida de outro. É um atentado à esperança. E essa matei-a quando assumi que tinhas partido para sempre. Disseste-me através de terceiros para continuar a minha vida. Também o disseste directamente. Não quis ouvir. Eu tento, mas está a ser difícil. No auge da paixão fugiste para Roma. Sofri, emagreci, não dormia, distraia-me, olhava para as pessoas sem as ouvir, mas sabia que te iria reeencontrar. Em Amsterdão, em Roma, em Lisboa. Agora sei que não te vou reencontrar. Sei que não te encontrarei por mais que me esforce. Ando perdido pelos sítios que gostávamos na esperança de te ver. É estúpido eu sei. Continuo obcecado, apaixonado, mal-amado, desprezado e no entanto não te consigo tirar da minha cabeça. Não o mereces eu sei, ninguém merece, mas é a realidade por mim vivida. De ti nada sei e continuas no meu computador e eu admiro-te cada vez que o ligo. E o que me custa desliga-lo. Vejo as nossas fotografias vezes sem fim e recordo as nossas canções. Como é possível que o livro italiano daquele escritor que eu não sei o nome seja tão parecido com a nossa história. E como muitas vezes pensei à medida que o lia, ao teu lado, deitado na areia quente do nosso secret spot, que isto ia acabar mal. E acabou não acabando. Despedimos-nos com um beijo nos lábios, com promessas de amor eterno, impossível e nunca mais te telefonei. Nem tu. Desististe de mim quando no momento em que eu quis desistir não me permitiste. Dizes-me por terceiros para continuar a minha vida. Não precisavas, eu sei que continuaste a tua. Embora nada mais saiba, porque morreste no meu espaço vital. Harakiri na realidade. Uso este blog como escape. Apercebo-me que a pessoa que mais vezes cá vem sou eu. A nossa história tornou-se desinteressante de tão repetitiva que é. Mas é o meu sofrimento isolado que a mantêm viva no meu espírito. Life Still Goes On.
terça-feira, 25 de setembro de 2012
Lisbon Alien
Fui ao Chiado. A minha zona favorita de Lisboa. O tempo estava cinzento e a rua repleta de pessoas deambulando. Comprei a Photo e mais um livro sobre o holocausto. Dirige-me ao Fábulas na esperança de te encontrar. Chovia. As mesas ocupadas não davam sinais de libertação. Ao fundo dois rapazes sentados. Aproximei-me e perguntei s podia compartilhar a mesa. Algo habitual em todo o mundo. Nunca fiquei à espera que vagasse um lugar em nenhum lado do globo se duas pessoas ocupam uma mesa de quatro. Parece lógico, mas não em Portugal. Disseram-me sim com desdém. Um deles com um sorrisinho estúpido nos lábios denotava admiração e reprova. Ignorei a sua ignóbil presença. Pedi um café, acompanhado por um pequeno cubo de bolo de chocolate, acendi um cigarro e desfolhei a minha Photo. Sempre na esperança de te encontrar. Sempre na esperança de levantar o pescoço e ver-te a caminhar entre as cadeiras amarelas. Desfolhei a Photo e paguei. 1€ e 20 cêntimos. Foi concerteza o cubinho de bolo de chocolate o inflaccionador. Paguei com 2€ e deixei lá o troco. Às vezes é preciso demonstrar aos outros que também é possível dar. Um lugar desocupado não é assim algo de tão especial. Fiquei a pensar se aqueles rapazes mentecaptos não se teriam abotoado com a gorja. Fumei outro cigarro pelo caminho. As mulheres hoje estavam especialmente bonitas. E no entanto eu procurava-te. Sem sucesso como habitualmente. Passei pela gelataria e deu-me vontade de comer o clássico morango e côco. O teu clássico. Procurei-te em todos os bancos e sofás vermelhos na esperança de te ver deliciada escorrendo pingos escarlates desenhando os teus lábios carnudos. Procurei-te sabendo que não te iria encontrar. Nunca te encontro. Vim-me embora. Chovia. O trânsito caótico deixou-me aprisionado quase uma hora para fazer a rua da escola politécnica. Ouvi Keane. Eu que nem gostava muito. Encontrei o casal sussurando palavras amorosas encostados à ombreira de uma porta apodrecida. Li-lhes os lábios. Amavam-se. Procurei-te, podias ser tu. No meu íntimo desejo-te ver-te finalmente nos braços de outro homem. Para me libertar de ti. Vomitar-me-ei. Mas libertar-me-ei de ti para todo o sempre. Não eras. Em sentido contrário vinha uma miúda numa vespa preta com bancos castanhos claros de camurça. Chorava. Pude perceber que para além da chuva chorava. Procurei-te mas não eras tu. Tu nunca chorarias por mim. Não se chora alguém que se esqueceu. É como se nunca tivesse existido na tua vida. E no entanto eu procuro-te. E não te encontro. Fui ao Chiado. A minha zona favorita de Lisboa. Como se não pertencesse ali flutuo e desapareço.
Jazigo
No dia em que te conheci não te liguei. Ignorei-te forçadamente. Não te quis dar confiança. Mas fixei-te. Retive o teu olhar doce. Guardei o teu cheiro açucarado perto de mim. Imaginei o sabor dos teus lábios tal como os senti mais tarde. No dia em que te conheci comecei a morrer. A pouco e pouco despedacei-me até ao dia em que nos separámos. No dia em que te conheci nasci. Renasci. Para imediamente comecar a morrer. Desapareceste da minha vida e no entanto estás tão presente. E fazes por isso. Mesmo sem sentido. No dia em que te conheci quis-te possuir, fazer amor contigo, encostar-te á parede, penetrar-te, sentir-te escorrer, morder os teus lábios. Mas ignorei-te e comecei a morrer. Matas-me com cada pensamento teu. Cada memória tua é uma farpa no meu espírito. Atraiçoas-me mesmo sem estares presente, sem estares na minha vida. Quero-te longe de mim e no entanto não te consigo esquecer. Mataste-me e eu permiti. Por ti magoei, por ti magoei-me. Apaixonei-me, e isso é incontrolável. Não quis deixar de viver algo que sabia que poderia ser a minha relação mais intensa. E de facto foi-o. No dia em que conheci comecei a morrer. Habito um jazigo sem a tua presença. Também tu morreste para mim. Resta-me amar as nossas memórias.
domingo, 23 de setembro de 2012
Closed heart
Há pessoas que nos marcam, mesmo que não o admitamos. Há pessoas, que mesmo sem saberem, mudam o curso das nossas vidas. Umas vezes bem outras mal. Há pessoas que entram e desaparecem das nossas vidas mas ficam tatuadas para sempre no nosso espírito. Há pessoas que fogem mas levam com elas a chave do nosso coração. Estou fechado para o mundo. A minha mente, o meu espírito, o meu coração ficou parado no tempo. No tempo em que tu existias. Não é justo, quero amar e ser amado. Não te persigo, porque não se perseguem os pássaros selvagens. E tu seguiste o teu caminho migratório. Deus sabe como eu tento esquecer-te, olhar para outras mulheres, dar-me uma hipótese a mim mesmo de continuar a viver. Não consigo, emolduraste o meu amor por ti e agora não consigo amar mais ninguém. Deus sabe como eu tentei e tento, mas a minha mente corre sempre para o lado errado. Não é justo, não te consigo amputar da minha memória e tu não o mereces, porque me esqueceste, porque não me amas, porque continuaste a tua vida, deixando-me num pausa permanente. Tento imaginar-te com outros homens, namorando, passeando-te com um qualquer pelas ruas de Veneza, sem surtir efeito. Continuo a amar-te como ontem e tu já nem sequer existes. Queria ir ver o último filme do Woody Allen que se passa na nossa Roma. De Roma com Amor. Recordo de imediato a carta escrita que me enviaste Roma-Amor. Até nisso estás sempre presente. Quero amar e ser amado, mas enquanto viveres em mim estou fechado para o mundo. Odeio-te como te Amo. Liberta-me. Deixa-me viver. Aparece-me inesperadamente com o teu novo namorado. Faz-me vomitar os sentimentos que guardo dentro da minha caixinha e talvez possa continuar a viver.
quarta-feira, 19 de setembro de 2012
terça-feira, 18 de setembro de 2012
vacuum cleaner
Hoje estive a limpar a casa. Na realidade a aspira-la. É impressionante como as pessoas deixam sempre algumas marcas. Naturalmente, desde que abandonaste esta casa ela já tinha sido limpa várias vezes. Não obstante, algures num canto escondido encontro um cabelo teu sedoso, comprido, liso, que guardei dentro uma caixinha de recordações com um cadeado prateado. Arremessei a chave janela fora. Há medida que limpava ouvia XX. O último. Muito bom. E, mesmo contra a minha vontade, a minha mente flutuava até ti. Não consigo deixar de pensar em ti. Onde estás, como estás, se estás feliz, se estás triste, com quem estás, se o teu coração já se abriu para alguém, não consigo deixar de pensar em ti. É um inferno. Já disse tantas vezes que não voltava a escrever sobre ti e tantas vezes me menti a mim mesmo. Odeio-me por isso. Quero-te esquecer. Quero esquecer os bons e os maus momentos que contigo passei. Não que eu queira na realidade esquecer-te mas deixa-me doido. Estou fechado para o mundo. Enquanto te amar como te amo não vivo. E a minha vida continua. Não posso ficar agarrado a uma ideia, a um ser que se tornou abstrato, inexistente. Tudo na vida tem um momento. Uns perduram como tantas vezes quisemos acreditar. Outros não. O nosso passou do arco-íris ao obscurantismo. E no entanto amamos-nos. Ou melhor, pelo menos eu amo-te. E continuas presente nesta casa. Nas fotografias. Na fotografia, naquela do Cine Azurro que tanto gostamos. Uma vez disse-te que tinha que esconder as tuas marcas nesta casa. Não é possível. Não consigo. E ainda que consiga estás presente na minha memória. Passei as nossas últimas férias sozinho. Não sozinho, estive com amigos, uns velhos e outros recém-adquiridos, mas viajei muito sozinho. Nesses instantes olhando pelas janelas do autocarro, do comboio, no metro, o meu olhar via-te do outro lado da linha, sorridente e com o teu olhar terno de que tenho tantas saudades. Hoje estive a limpar casa. Na realidade a aspira-la e no entanto não consigo que as tuas memórias me abandonem. E sofro por isso.
segunda-feira, 17 de setembro de 2012
quinta-feira, 13 de setembro de 2012
sábado, 8 de setembro de 2012
quinta-feira, 6 de setembro de 2012
quinta-feira, 30 de agosto de 2012
segunda-feira, 27 de agosto de 2012
Sands of Time
Recordo-me perfeitamente de termos vistos este filme. E como o apreciámos dentro do género. Revi-o agora com os meus rebentos, em casa, longe de ti, longe de outra vida. Como eu gostava de controlar o tempo e voltar ao passado. Provavelmente teria sido tudo igual porque o destino só a nós nos pertence e seríamos as mesmas pessoas noutros tempos noutros lugares. Teríamos cometido os mesmo erros e virtudes. Teríamos vivido os mesmos momentos intensos que vivemos e que soubemos manter vivos nas nossas memórias. Teríamos-nos encarado da mesma maneira e beijado à tangente no parque de estacionamento do Monumental. Teria sido tudo igual e agora estaria aqui a escrever que gostaria de controlar o tempo e voltar ao passado. E teríamos cometido os mesmos erros e as mesmas virtudes. Teríamos nos abandonado mutuamente como nos abandonámos. O telefone manter-se-ia desligado e não nos teríamos encontrado semanas a fio. Porque foi assim que quisemos. Embora erradamente pensando que isso seria o mais acertado. Teríamos vivido os mesmos momentos intensos e esqueceria-mos-nos logo a seguir. Porque o tempo e as memórias não se apagam. Recordo-me perfeitamente de termos visto este filme e pensado como seria bom recordar e viver as memórias vezes e vezes sem fim. Encostados um ao outro no Beagel Channel bebendo chocolate quente e admirando aquela paisagem de poster de sala dos anos 70. Como eu me recordo de ter visto este filme contigo tendo voltado atrás no tempo e repetido os mesmos erros e as mesmas virtudes. Acompanhado dos meus rebentos, longe de ti, noutro tempo, noutra vida, noutro lugar. Como eu me recordo de tudo aquilo que se esfumou em areia, numa espiral desenfreada onde o amor que nos sentimos escorreu ampulheta abaixo, diluindo-se numa pequena partícula de areia no deserto dourado do Sahara onde nos amámos observados pelas estrelas do passado. Como eu me recordo perfeitamente e agora não. Se eu pudesse voltar atrás no tempo tudo teria sido igual porque somos as mesmas pessoas noutros tempos noutros lugares e estaria neste momento a escrever como gostaria de controlar o tempo. Só voltando atrás no tempo seria possível eu escrever estas palavras e faltar à promessa de não mais escrever sobre ti, sobre nós, noutro tempo, noutro lugar, noutra vida que criámos separadas.
Ensaios Humanos
Ensaios Humanos
O comportamento humano é e continuará indecifrável. Ao longo da minha vida tenho encontrado pelo caminho seres de toda a espécie e feitio. Alguns são amigos para a vida, outro inimigos para a vida, outros indiferentes, mas sobretudo não consigo agradar a gregos e troianos, aliás uma característica que me põe de pé atrás em relação às pessoas. Isso e aquele género de racionais que perante o poder das chefias baixa a bolinha mas morde nos do lado e sobretudo nos que lhe estão abaixo, esse é realmente o género de pessoas que me provoca vómitos e infelizmente vamos encontrando pessoas assim pela nossa vida. Esse género de vil pessoa quando se arroga de ser grande defensor dos seus princípios morais torna-se num agente verdadeiramente emético. Eu conheço uns quantos. Mas, sem querer fugir aos ensaios humanos, outra característica interessante nalgumas pessoas é que só se interessam por nós quando estamos casados ou num relacionamento estável. O que me leva a pensar que o interesse não é no próprio em si, mas em tentar lixar a relação de alguém. E isso eu já sofri na pele, de uma forma ingénua e imperceptível para mim, alguém tentou minar e explodir a confiança depositada por mim. E quando existem as armas e os argumentos certos, ainda que porventura falsos, tal é possível. Não há nada mais pernicioso para uma relação do que a dúvida. Nunca mais nada será igual, pelo menos até que se faça tábua rasa.
É possível testar esse género de pessoas num qualquer ensaio humano, basta que se acabe a relação e é vê-las a desaparecer após o seu terrorismo emocional. E isso para mim é incompreensível, mas de facto realista, há pessoas que só sentem prazer em afastar os outros. A razão nunca saberei. Mas é passível de ser testado e comprovado. E assim se vão conhecendo melhor as pessoas com que nos vamos defrontando ao longo de uma vida e aprender a avaliar melhor os outros, pelo menos mais cautelosamente.
Ainda há pouco tempo fiz a experiência e voilá após uma hipótese e análise dos resultados, concluí que de facto há pessoas que de uma forma dissimulada, cobertas por pêlo de ovelha, se aproximam e tentam seduzir alguém que não lhes pertence. E se não é fácil à partida usam-se todas as armas de forma a destruir uma relação. Após esta estar destruída, perde-se o interesse. Há gente filha-da-puta. Devemos estar preparados para embater de frente com este género de seres humanos destruidores e não nos deixarmos influenciar por palavras venenosas. Não obstante, por vezes queremos e ansiamos ser envenenados acabando por agir contra a nossa vontade primordial. Felizmente a isso sempre resisti.
domingo, 26 de agosto de 2012
The Moon
As noites de lua nova sempre me incomodaram. Habitualmente gosto de conduzir à noite, excepto nas noites de lua nova. Nunca percebi o porquê da definição de lua nova se ela não existe, se está completamente oculta, do outro lado do planeta. Não gosta da escuridão das estradas sem o brilho cintilante da nossa lua. A lua nova é na realidade como o meu mais recente amor. Não existe, embrenhando-me nas trevas. Se fosse possível apreciaria a permanência constante da lua cheia e brilhante. Adoro-a. E o meu amor real não teria dado lugar a um amor inexistente.
Hoje morreu o Neil Armstrong, o primeiro homem a pisar o solo lunar... Se há experiências incríveis, essa deverá ter sido a sua derradeira. Ver o planeta azul ao longe, pisando o solo poeirento da lua só poderá ter sido fenomenal.
Nós, comuns mortais, podemos-nos contentar em conseguir ver a Lua dos terraços e varandas dos nossos prédios. Tenho imensas dúvidas acerca da mesma, mas de facto, se esse satélite natural da terra consegue influenciar as marés pelas suas forças gravitacionais porque raio não há-de influenciar o ser humano, já que somos 75% água. Esta ideia não é originalmente minha, mas sim do senhor Antony (& the Jonhsons). Acho que ele está coberto de razão. E agora, vou dormir a pensar no meu lado lunar.
sexta-feira, 24 de agosto de 2012
domingo, 19 de agosto de 2012
Dark Pool
Hoje encontrei uns óculos negros de natação. Lembro-me perfeitamente de os ter comprado. Como me lembro da toca cinzenta que usei uma única vez naquela piscina interior onde nos banhámos debaixo de mil e um olhares surpresos. Há momentos inesquecíveis e esse foi um deles. Curto. Muito curto. Mas marcante por tudo o que significou. A pouco e pouco as memórias vão-me surgindo e dilacerando-me por dentro. Questiono-me como posso impedi-las de me assolarem o espírito. Não são más memórias, muito pelo contrário, mas fazem-me sofrer porque fazem parte de um passado irrepetível. Lutei contra tantos preconceitos por te amar. E no final perdi-te na escuridão que nos assolou.
Tento encontrar uma luz com esta escrita que ignoras. I dive into the dark pool without no return.
The worst scar is in my Heart
The worst scar is in my Heart. Don't You ever think about The opposite. Im not superficial, even when its the only thing i let people know...
quinta-feira, 16 de agosto de 2012
i tried. saudade. i tried. saudade. i tried.
I tried. I really tried. But i can´t take it anymore. How deep has to be the pain? And, in The End two people that love each other, or at least its the way that i understand, have to follow different routes. Abort Mission of loving you. You will stay forever alive in my memories. Now its for Real. If you deeply love me you will return. But right now i have to continue my life with tears and feeling lost. We never know if it will be to late. Saudade, the portuguese word that has no translation, its destroying me.
quinta-feira, 12 de julho de 2012
my rainbow will be forever alive in my spirit
probably you dont know this song. you haven´t born yet when i played this over and over again. after, almost 30 year, i dedicate to You... because you will be always in my heart as a never ending story.
domingo, 8 de julho de 2012
the day i was forgotten
O dia em que eu fui esquecido adivinhava-se quente, luminoso e veraneante. Já fui esquecido há mais tempo, mas só hoje me confrontei com essa dura realidade. Desta vez não fui eu a esquecer, fui sim o alvo do esquecimento. Dói mais. Talvez seja importante sentirmos a dor que já infligimos. No entanto, todas as vezes que esqueci deveu-se ao facto de as memórias não serem dignas de arquivamento. Hoje (talvez ontem) fui esquecido. As memórias afinal não perduram. É uma mentira, como tantas outras. Deitei fora a garrafa de Moet&Chandon que tinha guardada no frigorífico para alguma ocasião especial nossa. Para a próxima será Ruinart ou Perignon. Não obstante, não morro de amores por Champagne. Hoje fui esquecido e podes comemorar sozinha. Ou talvez não. Vi na televisão um campeonato de golfe em Marrakeche. Recordei os bons momentos que lá vivemos. Os jantares no Terrasse des Epices em que nos perdíamos nos olhos um do outro. Mas isso foi antes de me teres esquecido. Foi antes de eu ter entrado na tua indiferença. Deitei-me tarde, muito tarde. Encontrei alguém que me perguntou por ti. Não sabia o que responder. Não foi preciso. A mensagem foi captada brilhantemente. Era suposto. Morri verdadeiramente para ti. Não física, porque eventualmente ainda te irás cruzar comigo, mas emocionalmente. Mata-se alguém quando dela nos esquecemos. Deixa de existir no nosso espírito, na nossa mente. Transformaste-me num John Doe espiritual. Hoje hibernei. Passei o dia em casa. Adormecido. Num silêncio inocente. No meu sofrimento único e que não transpareço cá para fora.
segunda-feira, 2 de julho de 2012
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