Há medida que vamos envelhecendo também os hábitos e vivências se vão modificando. Os dados nunca são adquiridos. Existem coisas que pensávamos impensáveis há uns anos e que se transformam em duras realidades mais tarde. É um dia como os outros já me responderam. Então porque é que nos juntamos todos à volta de uma mesa e pelo menos uma vez por ano sentimos que existe família e união. Este ano por vicissitudes da vida vai mesmo ser um dia igual aos demais. Tenho alguma esperança que dê algum filme de Natal na noite da consoada que me preencha a solidão e as saudades daqueles que este ano não a podem comigo passar. Não me posso esquecer de comprar jantar um dia antes ou corro o risco de, para além de sozinho, passar fome. Cozinhar não vai ser opção. O silêncio da casa arranjarei maneira de o violar. Tenho os pássaros para fazer barulho. Este ano não vou ver o Nighmare before Christmas que todos os anos nos tem acompanhado no Natal. Naturalmente não fiz árvore. Para quê? Para a ver cintilar em milhares de cores durante a noite. Para isso tomo LSD e esqueço que o mundo não acabou. Quando era criança o Natal era inviolável. Era o dia em que de manhã encontrava as prendas na base da árvore de Natal e me prendia de pijama, roupão e pantufas quase todo o dia. No prédio era habitual encontrarmos-nos uns com os outros e mostrarmos os novos brinquedos. Não obstante o Natal foi desaparecendo à medida que as avós, tias e tios foram morrendo. Depois surgem os divórcios e os filhos a serem distribuídos como se trabalhassem por turnos. A seguir acabam as relações que nunca tiveram verdadeiramente tempo para amadurecer. De repente o Natal está tão disfuncional como o modelo de família que já não existe. Este ano confronto-me com uma consoada completamente sozinho. Poderia eventualmente ir para a casa dos meus primos mas confesso que não me apetece. Não me apetece forçar sentimentos quando na realidade o que me faz sentido é estar com os meus filhos, com os meus pais, irmã e sobrinha. Não sendo possível vou beber uma garrafa de Moet&Chandon e ouvir Faith no Moore até de madrugada. O Natal do ano passado já tinha sido um pouco estranho. Apesar de ter a casa cheia apercebi-me meses mais tarde que tinha sido o início do fim. Talvez por insensibilidade minha em não entender algumas das coisas que nunca me disseste. Ou então não passou de mais uma das tuas mil e uma desculpas que na tua mente constrois. Ou então mais uma construção tua que tão habilmente usas para justificar actos e decisões. Mas enfim, sem me estender por questões paralelas, as vidas somos nós que as construimos com base nas nossas opções. De facto enviaste-me um sms com essa mensagem e eu concordo plenamente. As atitudes e aquilo que colhemos posteriormente só dependem das opções que tomámos. Eu este ano passo o Natal com os meus pássaros. Tu um dia poderás olhar para trás e perceber o erro que tomaste perante as tuas opções. Ou não. Despeço. Merry Fucking Christmas.
sábado, 22 de dezembro de 2012
sexta-feira, 21 de dezembro de 2012
The End of the World
Bullshit. Uma vez tem piada. Agora a toda a hora na rádio, televisão, jornais e revistas já enjoa. Dentro de um par de horas estou a comemorar o fim-do-mundo a ouvir Moonspell, Bizarra Locomotiva e a ouvir Metal até que me doam os ouvidos. O fim-do-mundo que não há meio de chegar começa num restaurante merdoso lá para os lados do Cais do Sodré rodeado de velhos amigos há mais de 20 anos. Assim, espero mesmo que não chegue. Não quero ir para o além rodeado de homens. Não obstante o fim-do-mundo acontece diariamente sempre que alguém morre. And you never know when that shit will happen. Podia entrar pela tristeza das relações que terminam e as memórias e como fico todo muito triste... mas sinceramente estou farto desse discurso e a vida continua, com ou sem mundo, com ou sem ti. E por assim dizer cheguei ao limite. The End, Finito, Acabadissimo... Foi muito giro enquanto durou e agora fartei-me de rastejar. Estou-me a cagar. Hasta Siempre. Beijinhos e Abraços.
quarta-feira, 19 de dezembro de 2012
Enough Injustice
Sinto muito. É um sentimento com o qual não consigo confrontar-me. O de injustiça. Já muito pensei sobre a forma como reajo as injustiças. Não só às que recaiem sobre mim mas também sobre as que recaiem sobre pessoas que eu estimo, que eu amo. O sentimento de injustiça revela o pior que há no ser humano. Fico perturbado da mesma maneira quando alguém é beneficiado só porque sim, porque tem os contactos e os genes certos, como por alguém que é prejudicado, atacado, acusado por algo que não cometeu. A injustiça podes-nos atacar em todas as vertentes da nossa vida. No trabalho, no amor, nas relações familiares, de amizade, na política. É pedra basilar do ciúme, da hipocrisia, da sacanice. Tenho tido, ultimamente, alguns exemplos de injustiça dos quais foi alvo, mas também pessoas que eu estimo. E isso entristece-me muito e confronta-me com a podridão em que a humanidade se transformou. Ou então sempre foi. Mesmo as pessoas que eu conheço que tem jogo de cintura e parecem viver felizes é só uma questão de tempo até estoirarem. A única forma de combatermos as injustiças é sermos correctos connosco e com os outros. Porque todos nós mais cedo ou mais tarde também as cometemos. Essa é a verdadeira razão de me opôr verdadeiramente á pena de morte. Quando se comete uma injustiça já é tarde de mais. No amor a injustiça assenta no ciúme cego e no egoísmo e aí não há volta a dar. Chega-se a um ponto em que temos que desistir. Um amigo meu disse-me ontem no final de um telefonema "não desistas" "não desistas". Estava desligado de qualquer contexto mas teve piada. Hoje chego á conclusão que desisto de ti porque tu desististe de mim. E não aceito mais voltas de face. Sempre que tenho tentado fugir tentas-me prender, mas no minuto seguinte me desprezares com base nas tuas injustiças. Hoje desisti. Lamento amigo mas não vou seguir o teu conselho.
domingo, 16 de dezembro de 2012
sad sad sad
hoje acordei triste. na realidade deitei-me triste e acordei no mesmo estado em que me deitara. o tempo está cinzento e chuvoso e isso também não ajuda. mas sinto-me melancólico, deprimido e triste. sinto-me longe de tudo e todos, inclusivé de mim próprio. estou pensativo e em insegurança. este estado de insatisfação leva-me à tristeza. se me perguntarem do que me queixo. pois de facto não sei, mas sinto-me perdido. não tenho aquilo que anseio... sinto-me a envelhecer e sem vislumbres. instabilidade é o que me domina. estou triste e ansioso. apetece-me chorar e não consigo. perco tempo com futilidades e não me organizo como devia. os dias e as noites vão-se sucedendo sem ordem aparente. estas épocas do ano em que a fraternidade e o equilíbrio dever-me-iam trazer paz e é precisamente o contrário. confrontam-me com o meu próprio insucesso nas relações. apetece-me um cigarro e um chá com companhia. e não tenho ou pelo menos não procuro. e isso porque estou triste e melancólico, talvez a precisar de uma boa noite de sono.
segunda-feira, 10 de dezembro de 2012
camuflagem
És linda como eu te recordo enamorada,
princesa mourisca que desapareceste na madrugada.
Perdi-me no escuro do teu cabelo,
No nevoeiro do teu olhar,
Partiste sem me levar.
Adormeço no duro chão do sofrimento,
que me dilacera a alma,
rasgando-me o coração que já não tolera,
As lágrimas de sangue escorrem-me,
humedecendo o solo que piso,
afundo-me nestas areias movediças
ao teu encontro.
E não te encontro.
Camuflada no teu ser,
envolta em mil teias flutuantes,
os tijolos nessa parede pintada que criaste,
e a minha alma dançante neste lado da escuridão.
princesa mourisca que desapareceste na madrugada.
Perdi-me no escuro do teu cabelo,
No nevoeiro do teu olhar,
Partiste sem me levar.
Adormeço no duro chão do sofrimento,
que me dilacera a alma,
rasgando-me o coração que já não tolera,
As lágrimas de sangue escorrem-me,
humedecendo o solo que piso,
afundo-me nestas areias movediças
ao teu encontro.
E não te encontro.
Camuflada no teu ser,
envolta em mil teias flutuantes,
os tijolos nessa parede pintada que criaste,
e a minha alma dançante neste lado da escuridão.
sábado, 8 de dezembro de 2012
i have been waiting for so long
Acordo de manhã cedo. Vestido e deitado no sofá. Adormeci ao som de Arcade Fire. Manipulei os meus sonhos e viajei um ano antes, aos saltos, a comer pó, adormecendo no carro, sujo mas com a alma pura e cristalina. Acordei quente, ruborizado, a suar, vitima do meu aquecedor por esquecimento ligado. Lá fora o nevoeiro denso envolvia-me na torre que habito como se voasse por entre as nuvens do teu esquecimento. Acordei sem saber onde estava. Pestanejei várias vezes até me confrontar mais uma vez com a solidão que me invade. Estou á espera, sempre á espera que digas algo, que aceites os meus convites, que tomes iniciativas, que..., que..., que... . Castigas-me por um crime que não cometi. Cada dia, hora, minuto que passam é sentido por mim com um verdadeira punição. Acenas-me com um doce que no minuto seguinte se esfuma em mil e um odores de açucar perfumado. Prendes-me e eu deixo-me prender. Não estás presente nem queres estar mas mantens-me manietado. Sabes que o fazes e sabes que é injusto. Não se pode amar indefinitivamente alguém que não o quer. Não se pode obrigar alguém a esperar eternamente por algo que poderá nunca voltar a acontecer. Despedes-te com um beijo nos lábios, com um olhar doce, com um esgar, porque sabes que têm cola. E depois volta tudo ao mesmo. Tudo aquilo que te queixavas, que não tinha tempo para ti, é em ti que eu o sinto. Quero voltar a amar. Quero quero quero. Preciso de me libertar de ti e não consigo. A ultima vez que nos vimos, que falamos, que nos beijamos, disse-te que não podia parar a minha vida à tua espera. Espero por ti há demasiado tempo sem sequer ter uma sombra de esperança, um acto de carinho, uma mensagem calorosa. Pedes-me e eu faço, talvez por isso seja tão frequentemente abusado na minha existência. É-me difícil dizer não. Não obstante é essencial que o faça, porque na realidade quando faço algo que intimamente não quero as marcas ficam, as pessoas passam de amigos a agressores. Tantos anos de grupanálise e continuo sem me saber defender dos outros. Quero sair daqui. Amanhã apanho o voo para Tóquio e liberto-me de tudo isto que me incomoda. Vai-me custar abandonar amigos, família, colegas e sobretudo tu. Mas chega-se a um ponto de exaustão, de remar contra a corrente, de voar contra o vento, de gritar no vácuo... O reconhecimento é o alimento da alma e neste campo sinto-me em inanição há demasiado tempo. Esgotei o meu tempo. Lamento. Foi um risco que correste, que corremos, que correste... Não aguento mais este sofrimento que me preenche os minutos em que comigo não estás.
domingo, 2 de dezembro de 2012
Cloud Atlas
Tudo está ligado. No passado, presente e futuro tudo se interliga. As nossas acções têm sempre repercursões. Estas não se esgotam no nosso tempo. Adorei o filme. Também em mim esta filme marca uma fronteira daquilo que foi passado, do presente e do futuro. Tornou-se claro que nunca lá estarás. Esgotaram-se as expectativas. O intervalo marcou o teu entendimento fantasioso e injusto da nossa existência. É sempre possível culpabilizar alguém pelos nossos próprios comportamentos, passados, presentes ou futuros. Chegam-se a pontos sem retorno. Há limites que atingidos marcam as nossas próprias roturas. Há sempre um momentos antes e depois. Querias-me numa redoma de vidro, isolado, manietado e de língua amputada. Querias-me numa redoma enquanto estavas e sempre estiveste do lado de fora. Tudo está ligado e nós tivemos o nosso momento de ligação que se manterá ao longo de toda a eternidade. Mesmo após muitos anos, ao lado de quem o destino permitir, olharás para trás e recordarás este filme como o último momento que estivemos juntos. Recordarás o intervalo acinzentado que criaste no teu espírito. Lembrar-te-ás que mesmo não acreditando foste mais uma vez injusta. E estarás de alguma forma ligada a mim sabendo que tornaste impossível uma conexão com base em falsas premissas. Estaremos ligados ao longo do tempo. Talvez noutra era e noutro espaço sejamos felizes. Talvez a nossa relação se torne pura e cristalina como foi no início e perdure temporalmente como a Cloud Atlas Symphonia. Deito-me para trás e repouso com a mesma walter que dentro de segundos me implodirá a alma. Associo o meu momento de ruptura a este filme que estará sempre presente no meu espírito ligado a ti. Fumei um último cigarro enquanto te via passar. Descansou-me saber que foste em paz contigo mesma, embora os teus comportamentos sejam com base em realidades que só existem no teu pensamento. Penso que esse género de exercícios mentais só servem para nos desculparmos a nós mesmo quando não amamos. A paz que sinto é efémera. Assenta num assumir que existem pontos sem retorno. E tu passaste-os. Tudo está ligado. Mesmo que aparentemente não seja perceptivel.
quinta-feira, 29 de novembro de 2012
Ensaio sobre a Traição
(Este texto foi escrito segundo as normas do antigo acordo ortográfico e com recurso a um iPad, pelo que poderiam existir erros decorrentes da sensibilidade e pressão com que se bate no teclado. Para a sublimação do mesmo o autor reservou-se o direito de ouvir Bat for Lashes)
Ontem preso no trânsito entre a Avenida da República e Entrecampos deparei-me a reflectir sobre a hora do sexo do Quintino Aires. O tema, já discutido, prendia-se com a Traição e se era ou não possível perdoa-la. É um tema pesado pela carga emocional que tem associada. Quem traí não tem a mais pálida ideia do mal que inflige ao outro. A traição para além do simples acto de trair, desligada ou não de sentimentos, é um acto de egoísmo, de mentira, de omissão, de hipocrisia, de desrespeito máximo por aquele que se diz amar. A traição assim só poderia ser cometida por seres humanos que de humanos só teriam o nome. O acto de trair seria então somente um impulso animal digno das mais estúpidas bestas.
Foi realizado um estudo onde 75% dos homens admitiam ter traído pelo menos uma vez na vida e cerca de 70% das mulheres admitiram ter cometido "adultério". Então como se explica isto? Que a maioria das pessoas está com os outros por mero interesse? Segundo o Quintino quem ama verdadeiramente não trai, não sente necessidade de trair, mas segundo ele pode admirar uma pessoa na rua e mesmo desejá-la mas sem trair. Bem, não será o pensamento em si mesmo uma traição. Se se ama verdadeiramente então não se tem olhos para mais ninguém. De facto, não é verdade.
O acto de trair é barbáro. Discutia-se na hora do sexo que é impossivel perdoar uma traição. Nisso acabo por concordar parcialmente. Até se pode controlar sintomas e sinais, como se de uma doença crónica se tratasse, mas curar essa ferida de verdade não é de todo possível. É uma dor recorrente invadida por fantasmas que mais cedo ou mais tarde podem aparecer. Se quiseres destruir o amor próprio de alguém trai-o. A traição, em última instância, corresponde a promover o mal a quem nos ama. É de facto a pior atitude que se pode ter com alguém que confiando em nós nos ama incondicionalmente. É uma dupla maldade. Não passível, segundo Quintino Aires, de ser perdoável. Eu discordo, apesar de ser uma atitude execrável e cobarde, é possível de se perdoar. Não quero com isto afirmar que as feridas fecham, porque de facto não fecham.
A traição é má, mas e confessar uma traição? Será uma atitude correcta e respeitadora. Penso que não, uma pessoa que comete uma traição e que ainda por cima não consegue gerir os sentimentos de culpa que daí adveém confessa a traição para aliviar o seu espírito. Se outro ficar por lá então a dominância sobre o outro está ganha. E trair é como matar, só custa a primeira vez. Segundo Quintino Aires, o traído só fica na relação por medo de ficar sozinho. Discordo, o traído pode ficar na relação porque na realidade ama o traidor. E será possível amar quem nos traiu? Acredito piamente que sim. Embora com lágrimas e sofrimento.
Ontem preso no trânsito entre a Avenida da República e Entrecampos deparei-me a reflectir sobre a hora do sexo do Quintino Aires. O tema, já discutido, prendia-se com a Traição e se era ou não possível perdoa-la. É um tema pesado pela carga emocional que tem associada. Quem traí não tem a mais pálida ideia do mal que inflige ao outro. A traição para além do simples acto de trair, desligada ou não de sentimentos, é um acto de egoísmo, de mentira, de omissão, de hipocrisia, de desrespeito máximo por aquele que se diz amar. A traição assim só poderia ser cometida por seres humanos que de humanos só teriam o nome. O acto de trair seria então somente um impulso animal digno das mais estúpidas bestas.
Foi realizado um estudo onde 75% dos homens admitiam ter traído pelo menos uma vez na vida e cerca de 70% das mulheres admitiram ter cometido "adultério". Então como se explica isto? Que a maioria das pessoas está com os outros por mero interesse? Segundo o Quintino quem ama verdadeiramente não trai, não sente necessidade de trair, mas segundo ele pode admirar uma pessoa na rua e mesmo desejá-la mas sem trair. Bem, não será o pensamento em si mesmo uma traição. Se se ama verdadeiramente então não se tem olhos para mais ninguém. De facto, não é verdade.
O acto de trair é barbáro. Discutia-se na hora do sexo que é impossivel perdoar uma traição. Nisso acabo por concordar parcialmente. Até se pode controlar sintomas e sinais, como se de uma doença crónica se tratasse, mas curar essa ferida de verdade não é de todo possível. É uma dor recorrente invadida por fantasmas que mais cedo ou mais tarde podem aparecer. Se quiseres destruir o amor próprio de alguém trai-o. A traição, em última instância, corresponde a promover o mal a quem nos ama. É de facto a pior atitude que se pode ter com alguém que confiando em nós nos ama incondicionalmente. É uma dupla maldade. Não passível, segundo Quintino Aires, de ser perdoável. Eu discordo, apesar de ser uma atitude execrável e cobarde, é possível de se perdoar. Não quero com isto afirmar que as feridas fecham, porque de facto não fecham.
A traição é má, mas e confessar uma traição? Será uma atitude correcta e respeitadora. Penso que não, uma pessoa que comete uma traição e que ainda por cima não consegue gerir os sentimentos de culpa que daí adveém confessa a traição para aliviar o seu espírito. Se outro ficar por lá então a dominância sobre o outro está ganha. E trair é como matar, só custa a primeira vez. Segundo Quintino Aires, o traído só fica na relação por medo de ficar sozinho. Discordo, o traído pode ficar na relação porque na realidade ama o traidor. E será possível amar quem nos traiu? Acredito piamente que sim. Embora com lágrimas e sofrimento.
quarta-feira, 28 de novembro de 2012
Recorrências
A mente e o pensamento são recorrentes. Insistimos na nossa felicidade e preferimos não encarar a realidade com que nos defrontamos. Existem momentos em que devemos fazer tábua rasa. Não adianta insistir em pessoas e relações que teimam em não acontecer. É difícil compreender as relações. Na realidade é impossível. Ando numa espiral da qual não consigo sair. Quando sinto que a corrente de ar diminuiu e me lança novamente à terra rapidamente renasce. É recorrente pensar em ti, mesmo quando em mim não pensas. Quero desistir como tu mas insistes em alimentar a minha infelicidade. Quero bloquear os meus pensamentos, quero eliminar-te da minha existência. Tu não deixas. Quando penso que não passas de memórias reapareces, como se adivinhasses que me poderias perder, quando na realidade já nos perdemos aos dois. Alimentas o meu sofrimento como se dele te viesse algum ganho, algum prazer mórbido. Sou para ti um nutriente para o teu ego. Queres-me e ao mesmo tempo não me queres. Alguém me dizia que as pessoas só se ligam às outras quando são mal-tratadas. Pois talvez por isso não te consiga esquecer. As mulheres e os homens veneram bad boys and bad girls. Talvez não seja a regra, mas a conheço grande quantidade de pessoas, inteligentes, cultas e sensíveis que se mantêm estaticamente à espera de quem as tratou ou trata mal. A volatilidade com que te relacionas comigo é confundente. A ultima vez que conversamos ao telefone foste doce, delicada, contrastando com aquilo que é habitual. Percebi que tinhas plateia, onde sou um mero pagliaccio. É factual, corto o cordão imaginário que me une a ti. Não é possível continuar nesta indecisão. Parto.
quinta-feira, 15 de novembro de 2012
What Time is it?
O tempo é relativo. Como o espaço o é. A relação espaço-tempo toma, por vezes, proporções interessantes na nossa vivência. Esperamos mais tempo do que espaço. Estou habituado a esperar. Especialmente na minha área, que em grego significa isso mesmo: saber esperar. E espero até que o espaço se esgote. Mas este tende para o infinito. E infinito vezes zero é zero. O único e verdadeiro elemento absorvente. Quando nada mais existe o tempo e o espaço esfumam-se e este atinge o seu limite. O ponto de exaustão. Sinto formigueiros em ambas as mãos. E esgoto a minha ampulheta que me canso de virar diariamente.
domingo, 11 de novembro de 2012
Skyfall.
Este último James Bond foi um turnover moralista do próprio. Um verdadeiro tradutor da substituição da violência pelo amor. Este James Bond repleto de explosões e mais explosões não teve uma única cena de paixão ardente. As Bond Girls desapareceram por completo. Á única pequena cena que houve, foi no chuveiro com a chinesa e passado pouco tempo a miúda acabou com um tiro na cabeça. Ainda bem que não se candidatou à nossa presidência da república. Para além disso, o James ainda foi assediado pelo vilão de serviço. Enfim... que desilusão de filme. Perdeu-se o glamour de outros tempos. O Double O Seven tem os dias contados.
nota: Este para mim continua a ser um dos melhores momentos humorísticos de sempre.
terça-feira, 6 de novembro de 2012
segunda-feira, 5 de novembro de 2012
Indifference
Haverá alguma coisa pior nas relações entre seres do que a indiferença? A indiferença é o desprezo total e absoluto por outro. A indiferença mata, corrói, dilacera. Muito pior do que odiar. A indiferença é algo que só sente, ou melhor não se sente, quando alguém é transparente, volátil, sem importância. Quando alguém morre, se o amamos ou odiamos, sentimos a perda. Por razões diferentes, naturalmente. Mas quando alguém é indiferente nem sequer sabemos ou queremos saber, porque na realidade não nos importamos. Cultivar a indiferença de alguém significa que a pessoa saiu, deixou de existir, foi apagada de qualquer memória, por mais pequena que seja. A indiferença é a pior forma de não se gostar. Na realidade nem se chega a não se gostar, porque a indiferença é vazia de sentimentos, de conteúdo, de alma. Um ser indiferente é um não-ser, é um patamar muito abaixo do ser humano, dos animais, dos vermes. Pior, não tem existência. De facto, quando Andy Warhol afirmava que preferia que falassem mal dele do que não falassem, estava repleto de razão. Alguém sentir a indiferença dos outros é a anulação completa do seu ser, da sua personalidade. Ninguém deveria ser obrigado a transformar-se em vidro, em plástico, num saco transparente e isso é a indiferença. As pessoas acabam as relações. Faz parte das vicissitudes da vida. Existem inúmeras razões para tal se suceder. Normalmente as culpas são arremessadas de um lado para o outro da rede sem que ninguém as deixe cair no chão. A seguir ao amor vem o ódio, o escárnio, o orgulho, as feridas reabertas, as divagações. No entanto, esses sentimentos por muito negativos que sejam demonstram respeito pelo outro ser. Demonstram que se pensa. A indiferença não. A indiferença corresponde à eliminação total, ao despejo, ao arremesso. Para alguém se tornar indiferente implica que o outro ser o esqueceu por completo, racional ou irracionalmente. A indiferença é indiferente. And we use to get closer than this (aqui usado com sentido).
domingo, 4 de novembro de 2012
perfume
As paredes envelhecidas observadas de frente pelos lentes de outrora. O bengaleiro, pé de galo, amarelado jazia encostado ao armário de metal enferrujado semi-aberto. A tua roupa repousava nele. Queria-te marcar. Depositei as minhas roupas por cima. O cheiro de anjo penetrou-as intensamente. Disseste-me mais tarde que quando chegaste a casa e cheiraste o casaco veio-te à memória a minha pessoa, o meu ser, o meu cheiro. Não há nada mais erótico, marcante, envolvente que o cheiro. Essa é a marca animal que nos atinge inesperadamente. Podemos não ser giros, especialmente simpáticos, brilhantemente inteligentes mas alguém algures ficará enebriado com o nosso cheiro. A verdadeira essência da paixão reside aí, nas feromonas. Somos animais domesticados, mas a essência está lá. Conheço imensas mulheres, umas lindas, outras inteligentíssimas, outras sensuais e nenhuma me prendeu como tu. Não têm o teu cheiro, a tua alma. Também eu recordo o teu cheiro misturado com o meu na minha roupa que me acompanhou durante o dia seguinte. Cada vez que te vejo quero-te beijar o pescoço, sentir o teu suor, inspirar-te... Sou teu e a culpa são das feromonas. Enfeitiçaste-me com o teu odor. Queria agarra-lo, mete-lo no meu frasco, fecha-lo bem para não fugir. Para mim és e serás sempre a minha princesa feiticeira...
sexta-feira, 2 de novembro de 2012
quinta-feira, 1 de novembro de 2012
Can´t Follow Me
Para onde eu vou não me podes seguir. Decidi mudar de rumo, mudar de vida. Quando tudo deixa de fazer sentido partimos para parte incerta. Decidi deixar tudo para trás. Faço uma tábua rasa da minha vida passada e presente. Procuro no futuro algo que aqui nunca encontrei. Não me podes seguir. Para onde eu vou só se vai quando se é chamado. Ou então procura-se um atalho. Compra-se um bilhete de ida no mercado negro. Lamento, mas não me podes acompanhar. Abandono o meu amor depois de o distorcer com vivências, comportamentos, frases inacabadas. Abandono o meu amor corroído. Facilita-me a viagem tortuosa que me espera. Para onde eu vou não me podes seguir. Mas também não estou certo que o quisesses. O tempo tudo muda. O tempo transforma-nos naquilo que queremos e não queremos. O tempo e o espaço para onde vou deixam de fazer sentido. Acabam-se as mesquinhices, os horários, as pressões, os receios. Não tenho medo de partir porque já há muito parti. Para onde eu vou irei reencontrar-te um dia. Quem sabe talvez me reconheças. Antes de ti já muitos partiram e eu na altura não os segui. Desta vez irei, sem olhar para trás, sem lançar lágrimas, sem me despedir. Para onde eu vou não me podes seguir porque partiste antes de mim. A vida a dois é uma cedência continua. A presunção que os outros erram enquanto nós somos impolutos é um ode ao insucesso. Espera-me a barcaça de madeira onde entrarei sozinho. Atravesso o oceano de almas perdidas até reencontrar algumas das pessoas que perdi. Pessoas que me amavam e que eu amei. Iremos fazer uma festa. Tenho saudades de lhes passar a mão pelo cabelo, de sentir as suas festas na minha face, de beija-la, de abraça-las. Já tantos partiram antes de mim que não é nada de especial.
A vida é feita de amizades e de amor. Podemos amar as pessoas em vários contextos. Há imensos amigos que eu amo do fundo do meu ser. Nunca tive medo de o afirmar. Mesmo quando a ti te parece estranho. Talvez nunca tenhas tido uma verdadeira relação de amizade. As pessoas amam-se e tocam-se espiritualmente. As pessoas magoam e perdoam. As pessoas genuínas não mastigam os outros. Tenho saudades de muitas dessas. Afasto-me por vezes dos meus amigos. Há períodos. Momentos em que cometo distracções, erros, uns mais banais do que outros. Preciso dos meus momentos de isolamento, de introspecção para pensar neles. Fico perdido perante tantas evidências de que nunca me amaste verdadeiramente. Ou se me amaste deixaste-o de fazer deixando-me numa dúvida perpétua. Há palavras que já não saiem da tua boca. Deixaram-te de te fazer sentido. Embora a mim o façam e afirmo-o aos sete ventos o quanto te amo. Para onde eu vou não me podes seguir nem me poderás amar. Deixo tudo para trás. Não levo ninguém. Deixo o meu amor pela última vez. Transfiro os meus valores e modo de pensar com todos os seus defeitos e virtudes aos pequenos querubins. Para onde eu vou ninguém me pode seguir.
A vida é feita de amizades e de amor. Podemos amar as pessoas em vários contextos. Há imensos amigos que eu amo do fundo do meu ser. Nunca tive medo de o afirmar. Mesmo quando a ti te parece estranho. Talvez nunca tenhas tido uma verdadeira relação de amizade. As pessoas amam-se e tocam-se espiritualmente. As pessoas magoam e perdoam. As pessoas genuínas não mastigam os outros. Tenho saudades de muitas dessas. Afasto-me por vezes dos meus amigos. Há períodos. Momentos em que cometo distracções, erros, uns mais banais do que outros. Preciso dos meus momentos de isolamento, de introspecção para pensar neles. Fico perdido perante tantas evidências de que nunca me amaste verdadeiramente. Ou se me amaste deixaste-o de fazer deixando-me numa dúvida perpétua. Há palavras que já não saiem da tua boca. Deixaram-te de te fazer sentido. Embora a mim o façam e afirmo-o aos sete ventos o quanto te amo. Para onde eu vou não me podes seguir nem me poderás amar. Deixo tudo para trás. Não levo ninguém. Deixo o meu amor pela última vez. Transfiro os meus valores e modo de pensar com todos os seus defeitos e virtudes aos pequenos querubins. Para onde eu vou ninguém me pode seguir.
Lyrics
When darkness falls
And surrounds you
When you fall down
When you're scared, and you're lost
Be brave
I'm, coming to hold you now
When all your strength has gone
And you feel wrong
Like your life has slipped away
Follow me, you can follow me
And I, I will not desert you now
When your fire has died out
No ones there, they have left you for dead
Follow me, you can follow me
I will keep you safe
Follow me, you can follow
I will protect you.
Ooo, I wont let them, harm, harm you
Ooo, when, when your heart is breaking
You can follow me, you can follow me
I will always keep you safe
Follow me, you can trust in me
I will always protect you, love
When darkness falls
And surrounds you
When you fall down
When you're scared, and you're lost
Be brave
I'm, coming to hold you now
When all your strength has gone
And you feel wrong
Like your life has slipped away
Follow me, you can follow me
And I, I will not desert you now
When your fire has died out
No ones there, they have left you for dead
Follow me, you can follow me
I will keep you safe
Follow me, you can follow
I will protect you.
Ooo, I wont let them, harm, harm you
Ooo, when, when your heart is breaking
You can follow me, you can follow me
I will always keep you safe
Follow me, you can trust in me
I will always protect you, love
quarta-feira, 31 de outubro de 2012
Chocolate Muffin
Percorremos as ruas frias e escorregadias envolvidos um no outro. Os prédios de fachadas tortas caiem à nossa volta. Amparamos-nos mutuamente. Andamos às voltas num chão de algodão macio e terno. Os neons iluminam as nossas faces apaixonadas. Perdemos-nos nas montras de mil e um objectos coloridos. Tocas-me, sinto pequenos choques e formigueiros ao longo de todo o corpo. Paro no tempo e no espaço. Só tu interessas. Olha para o mapa do nosso amor e desperto com o teu beijo húmido no meu ouvido. Ao longe ouço em surdina as pessoas caminhando. O rapaz emagrecido carregando a bicicleta negra parece-nos dirigir palavra. Não entendo. Só tu interessas. Os cisnes dançam nos canais gelados desviando-se dos barcos que lentamente rasgam as águas geladas. Só tu interessas. Perco-me no teu olhar, na tua voz, no calor do teu corpo. Um saco de plástico agita-se e viramos-nos como se alguém nos perseguisse. Percorremos as ruas frias e chegamos a casa. Andamos às voltas, perdidos nos braços um do outro. O tempo passa lentamente, mais do que o habitual. Nessa noite entregamos-nos um ao outro com a intensidade do primeiro amor, da primeira paixão. Amamos-nos durante a noite. Ao longe o relógio lentamente transpirava segundos demorados. Senti o teu corpo em perfeita sintonia com o meu. Fundimos-nos num só. Penetrei-te lentamente. A corrente percorria os nossos dois corpos como se de um só se tratasse. Cada poro teu era meu. Cada pedacinho de pele pertencia-me. E eu a ti. Fomos um só ser percorrendo as ruas frias e escorregadias que tu agora percorres sozinha. O elefante cor-de-rosa olha-nos de cima. O nosso amor abençoado por Ganesha. Ignorámos tudo e todos à nossa volta. Só tu e eu interessávamos. O chocolate derretido envolvia-nos em mil cores, em mil sons, em mil emoções que sentimos intensamente. Os cânticos dos homens vestidos de hawaianos envolvem-nos. Rimos do fundo do nosso espírito. Beijamos-nos intensamente como se só beijam os seres uníssonos. Quando nos despedimos foi como se tivesse sido arrancado de ti. Separam-nos como se de dois siameses toracopagos nos tratássemos. O coração era único. Levaste-o contigo para longe, para a cidade do amor em espelho. Fiquei ressequido vendo-te partir. Desesperei até ao próximo encontro. Mantive-te sempre em pensamento. Cada dia, cada hora, cada minuto do meu tempo. Que saudades tenho de comer um muffin de chocolate.
sábado, 27 de outubro de 2012
Chopin´s Nocturnes
Há sensivelmente um ano passeava-me por Varsóvia. Passeávamos. Foi a nossa última viagem a dois. A nossa última comunhão. O que nos procurámos a igreja onde jaze o coração de Chopin. Encontrámos. O que nós gostámos do museu de Chopin. Ainda guardas o teu cartão? O meu continua arrumado na mala azul de rodas desgastadas. É curioso como Chopin está presente em alguns momentos marcantes da nossa vida. Bem, não tão marcantes assim. Na realidade os momentos deixam de ser marcantes quando os esquecemos. E tu provavelmente já o fizeste. Ouço os nocturnos de Chopin da Maria João Pires. Não comprei no museu porque não fazia sentido. Conversámos sobre isso. Encontrei hoje uma belíssima edição da deutschgramophone e não pensei duas vezes. Nesse dia chovia a potes e nós sem chapéu. Recordo o teu cabelo liso e escorrido. Recordo-me do abraço terno que demos para nos mantermos quentes. Nesse dia nada mais interessava a não ser a nossa cumplicidade. Esta amorosa. Nesse dia comemos aquele fantástico apfelstrudel naquela casa de chá deslumbrante. Como nós nos amávamos. Como compartilhávamos cada momento. Como bastava um olhar para nos entendermos. Chopin esteve e está presente nas nossas vidas. Pelo menos na minha, já que me traz à memória ternas recordações. Á medida que ouço esta melodia terna e envolvente recordo o Pianista de Roman Polansky. Estava uma tarde de inverno fria e cinzenta e debaixo das mantas laranja e castanha emocionámos-nos ouvindo Chopin teclado pelas mãos magras e cinzentas do pianista. Adoro Chopin e as recordações que brotam a cada minuto na minha mente. De facto, um homem é um conjunto de experiências irrepetíveis. E como eu as guardo com saudade.
quinta-feira, 25 de outubro de 2012
linhas tortas
Há linhas que me envolvem. Estou manietado perante ti. Não consigo contradizer os teus raciocínios, as tuas ideias, as tuas certezas. Há uma altura na vida em que nos devemos conformar. Há momentos em que nos devemos confrontar com o inevitável. Já o disse várias vezes, mas é tão difícil. Não se deve desistir de alguém em quem se pensa diariamente. Mas não é possível não desistir se somos ignorados. Se deixámos de ser amados. Se nos querem presos a uma ilusão. Se nos tratam mal com base em premissas e ideias fantasiosas. Quer-se e não se quer. Há linhas que me envolvem e não me consigo desenrolar. Preciso de alguém que me puxe o fio e me faça rodopiar até à libertação. Mas até nestes momentos os amigos mais íntimos andam atarefados nas suas vidas. Estou enrolado sobre mim mesmo. Não é possível continuar a insistir no inevitável. Irei passar um pano branco e húmido nas acusações injustas que me foram dirigidas e seguir em frente. Vou ignorar as pragas lançadas sobre mim, ignorar os atestados de insucesso. Vou reagir contra a maldade, contra quem me quer mal. Vou gritar alto e não esmorecer. Vou destruir as linhas de arame que me envolvem. Liberto-me verdadeiramente, já que até ao momento não consegui. Desisto. Desisto de ti. Desisto de nós.
segunda-feira, 15 de outubro de 2012
domingo, 14 de outubro de 2012
Marcas
Estou deitado no sofá. Dói-me o corpo. Tenho a alma ferida. Olho para o lagarto luminoso pendurado na parede. Já lá não está. O nosso lagarto luminoso. Levaste-o e à Union Jack. Eram tuas, foste tu que as pagaste, mas também eram nossas. Foram compradas pelos dois. Eram as tuas últimas marcas. Decidiste-as vir buscar, talvez com receio que não te as desse, fruto da tua experiência anterior. Mas eu não sou assim. Desmontaste a minha imagem e reconstruíste-a de forma a te ser mais fácil eliminares-me da tua mente, das tuas memórias. Constróis no teu espírito ideias, situações, episódios que não aconteceram. Que não acontecem. Não entendes nem queres entender. Aceito muita coisa menos injustiça. Um dia a tua mãe confidenciou-me que aceitavas tudo menos injustiças. Que quando eras pequenina prejudicavas-te a defender os outros que achavas vítimas de injustiça. Pois bem, perdeste os teus valores primordiais. Disseste-me muitas coisas vis e feias. Não as aceito. Desculpas os teus comportamentos projectando farpas nos outros. Em mim. Levaste as tuas marcas. No sítio deixaste um gancho. Talvez me possa pendurar nele e balouçar até à libertação. De facto passámos muitos momentos inesquecíveis. De facto não há nada mais injusto que estragar um quadro com borrões. Quiseste-te libertar e ao mesmo tempo manteres-me preso. E tentas. Não sei com que objectivo. Que ganho secundário tem alguém em manter o outro engaiolado. É cruel. O teu ego desmanchou-se ao perceberes que continuei a viver. Viste e interpretaste tudo de uma forma falaciosa. Cometeste e cometes injustiças. De facto as pessoas só se dão a conhecer em situações limite. Vem ao topo a mesquinhez, o egoísmo, o egocentrismo e a maledicência. Dizem-se coisas que não se querem dizer. Pensam-se coisas que não se querem pensar. Mas o ser humano é assim. O que distingue uns de outros é a capacidade de perdoar. A capacidade de se pedir desculpas. A capacidade da auto-crítica. Estou deitado no sofá e a cabeça pesada. Vim ao quarto escrever, porque tinha que escrever, tinha que libertar a minha alma desta dor que se apodera de mim. Já tive várias relações e várias relações acabaram. Nunca tinha tido uma que acabasse e alguém quisesse andar em liberdade e manter-me em cativeiro. Há limites para o sadismo. De facto, se há pessoas incompreensíveis tu ultrapassas todos os meus conceitos. Dissecando este fim-de-semana, foi no mínimo bizarro. Ponho um ponto final em nós, em ti. De facto não te conheço. Nem te conheci. Não me prendes mais. Deita fora as fotos a preto e branco que tens na tua mesa de cabeceira. Desta vez não precisas somente de as esconder. Liberto-me finalmente. E ajudaste-me com tudo que disseste e que pensaste. Liberto-me perante a tua condenação injusta. Deito-me em paz. E isso de facto é o que é mais importante para mim. Estou em paz comigo mesmo. Sinto-me bem a olhar-me para o espelho. Sinto-me tranquilo com a minha consciência. O amor e o ódio de facto tocam-se. São dois sentimentos tão intensos e profundos que quase se sente o mesmo formigueiro quando se experimenta. Faz-se amor com alguém que depois nos vem a odiar. Será possível fazer-se ódio com alguém que depois nos vem a amar?
sábado, 13 de outubro de 2012
domingo, 7 de outubro de 2012
unexpected you
unexpected you. unexpected voice. unexpected talkings. unexpected feelings. unexpected life. unexpected pain. unexpected injustice. unexpected sorrow. unexpected borrow. unexpected love. unexpected beginning. unexpected end. unexpected kiss. unexpected memories. unexpected photos. enexpected suffering. unexpected passion. unexpected sex. unexpected music. unexpected lies. unexpected truths. unexpected edges. unexpected art. unexpected intrigues. unexpected darkness. unexpected mind. unexpected perpetual love. unexpected closed heart. unexpected black heart. unexpected bloody soul. unexpected phone call. unexpected you... unexpected love...
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