domingo, 7 de outubro de 2012

Cant Get No Sleep. AGAIN.

Habitualmente é assim. Quando alguma coisa me perturba o meu sono ressente-se. Nada de novo me perturba, mas o meu sono ressente-se na mesma. Acordo a meio da noite completamente desperto. Tem sido assim praticamente dia sim dia não. Felizmente amanhã de manhã, ou melhor hoje, poderei dormir.  Não estou certo disso. Andei assim quase 3 meses em 2010. O que eu sofri. Não há nada pior do que a abstinência de sono. Agora passados 2 anos surgem-me os mesmos sintomas. Desfasados. Questiono-me do porquê. Já não têm sentido. Ou nunca tiveram, estava eu desligado da realidade, da verdadeira realidade. Não obstante, sofri cada dia e noite a fio durante esses 3 meses. Estava zombieficado.
 Ponho tudo em causa. E porque não? Porque não colocar tudo em causa. A História também pode ser posta em causa. E preze a minha morte ser tão anónima como um grão de areia na meia-praia, tenho a minha História, as minhas estórias. E ponho tudo em causa. Tudo. Inclusivé a mim. E ao meu sofrimento trimestral que ninguém merece. De facto, não há nada mais injusto do que o amor cego e aquilo que dele advém. E esse amor mantêm-se. E esse eu não consigo pôr em causa. Mesmo racionalizando, argumentando, vendo o copo desta vez meio vazio, amplificando defeitos, diminuindo virtudes, esse amor que já não deveria existir, mantêm-se cego, caminhando entre as pessoas às apalpadelas e acordando-me a meio da noite. E eu sei porquê. Sei porque acordo especificamente algumas noites. Chama-se percepção extrassensorial. Mito urbano ou não, o facto é que tenho comprovado a posteriori muitos dos meus serões forçados. Vou tentar mais uma vez dormir... Ahh e cometo a profunda estupidez de fumar um cigarro a meio da noite quando isto me acontece. Á janela, na cozinha, contemplando o estádio da luz e a orda de prédios atrás até chegar ao teu e imaginar-te deitada, nua, pele dourada, contrastando com a parede verde abacate, lendo... lendo-me.

PS: Aparentemente as fotos do meu ídolo de sempre, Prof. Albert Einstein, não têm absolutamente relação com o texto acima. E de facto não têm. Mas tudo é relativo. 



terça-feira, 2 de outubro de 2012

Rascunho

Sou um rascunho do amor que por ti senti. Um papel sujo e amarrotado que alguém levou. As palavras desbotadas de uma qualquer bic azul desenham o sofrimento que ainda me corrói. 

Obssession

Hoje estive perto de ti. Passei nesse bloco cinzento e envidraçado onde trabalhas. Imaginei-te no teu fato verde igual ao meu mas em ti melhor. Vi-me reflectido e apercebi-me que as lágrimas me escorriam. Imaginei-te enclausurada como eu. Mas essa foi a vida que escolhemos. Nunca me arrependi. De facto amo o que faço. Faz-me sentir humano, mais humano. Estive perto de ti sem saber se lá estavas. É pouco importante. Na realidade já nem sequer tem sentido. Tudo não passa já de memórias que se vão distorcendo na minha mente. Escrevo quando devia estar a preparar a aula de amanhã. Mas a tua imagem invade o meu pensamento. Estou a um passo de voltar à grupanálise. Esta obsessão não me larga. E no entanto é tão somente amor, paixão, um sentimento inominato. Na realidade nem sequer já sei é a ti que eu amo. A ti ser palpável. Nem sei se te reconhecerei quando eventualmente te vir. Deixaste de existir porque deixei de existir para ti. Podia ter chegado a Lisboa mais cedo. Mas enfiei-me pelo caminho que fazes diariamente na esperança de nos cruzarmos, de te ver escondida no teu pequeno carro cinzento. Apreciei as montanhas verdes ao longe. Recordei os nossos passeios na Regaleira. Parecem tão distantes esses passeios que dávamos e tu com as tuas amigas para a tua mãe não se meter na tua vida. Vejo as fotos que tirámos. Estava gordo e disforme e tu mesmo assim dizias-me amar. Nunca me senti tão bem, tão amado, tão querido, tão compreendido. Como foi possível que tudo se dissolvesse. Demorei o dobro do tempo a chegar a casa. Os meus pensamentos vaguearam à tua volta. Não te vi. Observava todos os carros que por mim passavam na esperança de estares num deles. Hoje estive perto de ti. E no entanto tão longe. Esta obsessão tem que me abandonar. Continuo preso mesmo não querendo. Devolve-me a chave do meu coração. Peço-te. Liberta-me. Vi-me reflectido e só nesse momento me apercebi que chorava por ti.

sábado, 29 de setembro de 2012

Vislumbres

Hoje vi-te. Estavas de costas, com as tuas calças cinzentas largas de aladino e os cabelos soltos baloiçando-se pelo vento. Hoje vi-te, distante, longe, de costas. Estavas a namorar. As mãos masculinas  percorriam-te as costas. Beijava-lo intensamente, de costas, com os teus cabelos soltos baloiçando-se pelo vento. Hoje vi-te beijando um rapaz que não era eu. Beijava-lo com a mesma intensidade com que nós nos beijámos naquele tram em Amsterdão, alheios a tudo, alheios a todos, sozinhos e eu percorrendo-te as mãos pelas costas. Hoje vi-te e respirei de alívio. Libertaste-me. Repousavas nuns braços que não eram os meus. Arranquei-me de dentro do meu corpo sofrido e sublimei-me. Sabia que um dia teria de me confrontar com o facto de não sermos um do outro. Mas eu continuava teu, tua... teu. Não te consegui arrancar do pensamento até este dia, em que de costas beijavas outro. E eu vomitei como sempre soube que iria acontecer. Vomitei e libertei-me de ti. Estavas de costas e eu transparente passei por ti, deixando um rasto de vómito ensanguetado passeio fora. Encostei-me a um árvore e salpiquei-te os pés. Transparente não me viste e continuaste envolvida com aquele ser que agora te possui. Vi-te e libertei-me. Ao longe ouvia-se Temper Trap. Consegui ouvir-te dizer que essa seria a nossa música. Não a mim, que não te beijava, que não te tinha, que não te percorria as costas com as minha mãos sempre quentes. Não a mim transparente, salpicado de vómito ensanguetado. Transferiste a nossa música, o nosso ambiente, a nossa realidade para outro. Reiniciaste outro mundo, igual, mas sem mim. E de costas eu via-te caminhando de mãos dadas pelas ruelas sujas do bairro, do nosso bairro que agora deixara de ser meu. Hoje vi-te e esqueci-te no momento seguinte. Libertaste-me sem sequer saberes que ainda existo. Estavas de costas com as tuas calças cizentas de aladino. Eu, transparente, esvoacei e sublimei-me em mil tons de arco-íris por cima de ti cinzenta beijando alguém que deixou de ser eu.

quinta-feira, 27 de setembro de 2012

Se me queres dizer algo porque não me ligas?

Se me queres dizer algo por nunca me ligas? O meu telefone está ligado. O branco, o da paz. O outro deixei-o moribundo dentro de uma gaveta fechada. Esqueci o número. Esqueci as 300 e picos mensagens que imortalizaram o teu amor por mim. Se me queres dizer algo porque não me telefonas? Desces até à rua e ligas-me daquela cabine telefónica antiga, suja, com uma lâmpada fluorescente instável. Podes-me ligar a cobrar no destinatário que não te recusarei a chamada. Mesmo se estiveres em Hong Kong. Faz um reset ao sistema. Deixa o som fluir sem me olhares nos olhos. Se me queres dizer algo liga-me e para de me invadir os sonhos. Quero dormir em paz. Não quero acordar a meio da noite suado como naquela noite de baile de máscaras em que despertei sem saber porquê. Acordei vestido de branco e com uma máscara veneziana com nariz pontiagudo. Daquelas que se usavam por causa da peste. Se me queres dizer algo para de interferires nos meus sonhos. Não te quero ver à minha volta perturbando a minha existência pacífica. Quero nadar sozinho nas águas quentes do mar morto. Quero flutuar sem ti, sem esforço. Agradeço que não invadas o meu espaço sideral. Quero sonhar em paz. Estou cansado de acordar a meio da noite. Chego a casa e tu não estás. Perdeste a chave da nuvenzinha onde vivíamos. Se me queres dizer algo podes sempre escrever. É injusto só leres. É um desequilíbrio. Sinto-me pendurado pelos pés, pelas pontas dos dedos, na corda roupa, naquele 4º andar onde o lixo abundava nas traseiras, no baldio, onde os gatos se divertiam marchando e copulando estridentemente. Recordo essa febre que me prostou e me deixou ligado a ti. Ao menos escreve qualquer coisa. Podem ser frases curtas, em inglês, em espanhol, em italiano. Podes sempre mandar-me aquela parte. Mandar-me foder. Sem me queres dizer algo fá-lo sem me invadires os sonhos. Os sonhos são a minha realidade paralela onde vivo feliz e sonho com a vida que levo deste lado quando estou acordado. Nos meus sonhos namoramos, amamos-nos, viajamos, ouvimos a mesma musica, dançamos, bebemos, cantamos, gritamos, vemos filmes, enrroscamos-nos, fazemos amor, andamos à chuva, desaparecemos para cidades incertas, eclipsamos-nos. Nos meus sonhos ainda existes e não precisas de me ligar, basta falares. Se me queres dizer algo não me ligues, porque nos meus sonhos és feliz.

Life Goes On

Ligo o computador e admiro-te. Continuas com o teu ambiente de trabalho como se ainda vivesses cá, como se existisses, como se nunca tivesses partido, como se nunca tivesses morrido. A morte é uma inexistência na vida de outro. É um atentado à esperança. E essa matei-a quando assumi que tinhas partido para sempre. Disseste-me através de terceiros para continuar a minha vida. Também o disseste directamente. Não quis ouvir. Eu tento, mas está a ser difícil. No auge da paixão fugiste para Roma. Sofri, emagreci, não dormia, distraia-me, olhava para as pessoas sem as ouvir, mas sabia que te iria reeencontrar. Em Amsterdão, em Roma, em Lisboa. Agora sei que não te vou reencontrar. Sei que não te encontrarei por mais que me esforce. Ando perdido pelos sítios que gostávamos na esperança de te ver. É estúpido eu sei. Continuo obcecado, apaixonado, mal-amado, desprezado e no entanto não te consigo tirar da minha cabeça. Não o mereces eu sei, ninguém merece, mas é a realidade por mim vivida. De ti nada sei e continuas no meu computador e eu admiro-te cada vez que o ligo. E o que me custa desliga-lo. Vejo as nossas fotografias vezes sem fim e recordo as nossas canções. Como é possível que o livro italiano daquele escritor que eu não sei o nome seja tão parecido com a nossa história. E como muitas vezes pensei à medida que o lia, ao teu lado, deitado na areia quente do nosso secret spot, que isto ia acabar mal. E acabou não acabando. Despedimos-nos com um beijo nos lábios, com promessas de amor eterno, impossível e nunca mais te telefonei. Nem tu. Desististe de mim quando no momento em que eu quis desistir não me permitiste. Dizes-me por terceiros para continuar a minha vida. Não precisavas, eu sei que continuaste a tua. Embora nada mais saiba, porque morreste no meu espaço vital. Harakiri na realidade. Uso este blog como escape. Apercebo-me que a pessoa que mais vezes cá vem sou eu. A nossa história tornou-se desinteressante de tão repetitiva que é. Mas é o meu sofrimento isolado que a mantêm viva no meu espírito. Life Still Goes On.

terça-feira, 25 de setembro de 2012

Lisbon Alien

Fui ao Chiado. A minha zona favorita de Lisboa. O tempo estava cinzento e a rua repleta de pessoas deambulando. Comprei a Photo e mais um livro sobre o holocausto. Dirige-me ao Fábulas na esperança de te encontrar. Chovia. As mesas ocupadas não davam sinais de libertação. Ao fundo dois rapazes sentados. Aproximei-me e perguntei s podia compartilhar a mesa. Algo habitual em todo o mundo. Nunca fiquei à espera que vagasse um lugar em nenhum lado do globo se duas pessoas ocupam uma mesa de quatro. Parece lógico, mas não em Portugal. Disseram-me sim com desdém. Um deles com um sorrisinho estúpido nos lábios denotava admiração e reprova. Ignorei a sua ignóbil presença. Pedi um café, acompanhado por um pequeno cubo de bolo de chocolate, acendi um cigarro e desfolhei a minha Photo. Sempre na esperança de te encontrar. Sempre na esperança de levantar o pescoço e ver-te a caminhar entre as cadeiras amarelas. Desfolhei a Photo e paguei. 1€ e 20 cêntimos. Foi concerteza o cubinho de bolo de chocolate o inflaccionador. Paguei com 2€ e deixei lá o troco. Às vezes é preciso demonstrar aos outros que também é possível dar. Um lugar desocupado não é assim algo de tão especial. Fiquei a pensar se aqueles rapazes mentecaptos não se teriam abotoado com a gorja. Fumei outro cigarro pelo caminho. As mulheres hoje estavam especialmente bonitas. E no entanto eu procurava-te. Sem sucesso como habitualmente. Passei pela gelataria e deu-me vontade de comer o clássico morango e côco. O teu clássico. Procurei-te em todos os bancos e sofás vermelhos na esperança de te ver deliciada escorrendo pingos escarlates desenhando os teus lábios carnudos. Procurei-te sabendo que não te iria encontrar. Nunca te encontro. Vim-me embora. Chovia. O trânsito caótico deixou-me aprisionado quase  uma hora para fazer a rua da escola politécnica. Ouvi Keane. Eu que nem gostava muito. Encontrei o casal sussurando palavras amorosas encostados à ombreira de uma porta apodrecida. Li-lhes os lábios. Amavam-se. Procurei-te, podias ser tu. No meu íntimo desejo-te ver-te finalmente nos braços de outro homem. Para me libertar de ti. Vomitar-me-ei. Mas libertar-me-ei de ti para todo o sempre. Não eras. Em sentido contrário vinha uma miúda numa vespa preta com bancos castanhos claros de camurça. Chorava. Pude perceber que para além da chuva chorava. Procurei-te mas não eras tu. Tu nunca chorarias por mim. Não se chora alguém que se esqueceu. É como se nunca tivesse existido na tua vida. E no entanto eu procuro-te. E não te encontro. Fui ao Chiado. A minha zona favorita de Lisboa. Como se não pertencesse ali flutuo e desapareço. 

Jazigo


No dia em que te conheci não te liguei. Ignorei-te forçadamente. Não te quis dar confiança. Mas fixei-te. Retive o teu olhar doce. Guardei o teu cheiro açucarado perto de mim. Imaginei o sabor dos teus lábios tal como os senti mais tarde. No dia em que te conheci comecei a morrer. A pouco e pouco despedacei-me até ao dia em que nos separámos. No dia em que te conheci nasci. Renasci. Para imediamente comecar a morrer. Desapareceste da minha vida e no entanto estás tão presente. E fazes por isso. Mesmo sem sentido. No dia em que te conheci quis-te possuir, fazer amor contigo, encostar-te á parede, penetrar-te, sentir-te escorrer, morder os teus lábios. Mas ignorei-te e comecei a morrer. Matas-me com cada pensamento teu. Cada memória tua é uma farpa no meu espírito. Atraiçoas-me mesmo sem estares presente, sem estares na minha vida. Quero-te longe de mim e no entanto não te consigo esquecer. Mataste-me e eu permiti. Por ti magoei, por ti magoei-me. Apaixonei-me, e isso é incontrolável. Não quis deixar de viver algo que sabia que poderia ser a minha relação mais intensa. E de facto foi-o. No dia em que conheci comecei a morrer. Habito um jazigo sem a tua presença. Também tu morreste para mim. Resta-me amar as nossas memórias.

domingo, 23 de setembro de 2012

Closed heart

Há pessoas que nos marcam, mesmo que não o admitamos. Há pessoas, que mesmo sem saberem, mudam o curso das nossas vidas. Umas vezes bem outras mal. Há pessoas que entram e desaparecem das nossas vidas mas ficam tatuadas para sempre no nosso espírito. Há pessoas que fogem mas levam com elas a chave do nosso coração. Estou fechado para o mundo. A minha mente, o meu espírito, o meu coração ficou parado no tempo. No tempo em que tu existias. Não é justo, quero amar e ser amado. Não te persigo, porque não se perseguem os pássaros selvagens. E tu seguiste o teu caminho migratório. Deus sabe como eu tento esquecer-te, olhar para outras mulheres, dar-me uma hipótese a mim mesmo de continuar a viver. Não consigo, emolduraste o meu amor por ti e agora não consigo amar mais ninguém. Deus sabe como eu tentei e tento, mas a minha mente corre sempre para o lado errado. Não é justo, não te consigo amputar da minha memória e tu não o mereces, porque me esqueceste, porque não me amas, porque continuaste a tua vida, deixando-me num pausa permanente.  Tento imaginar-te com outros homens, namorando, passeando-te com um qualquer pelas ruas de Veneza, sem surtir efeito. Continuo a amar-te como ontem e tu já nem sequer existes. Queria ir ver o último filme do Woody Allen que se passa na nossa Roma. De Roma com Amor. Recordo de imediato a carta escrita que me enviaste Roma-Amor. Até nisso estás sempre presente. Quero amar e ser amado, mas enquanto viveres em mim estou fechado para o mundo. Odeio-te como te Amo. Liberta-me. Deixa-me viver. Aparece-me inesperadamente com o teu novo namorado. Faz-me vomitar os sentimentos que guardo dentro da minha caixinha e talvez possa continuar a viver.


terça-feira, 18 de setembro de 2012

vacuum cleaner

Hoje estive a limpar a casa. Na realidade a aspira-la. É impressionante como as pessoas deixam sempre algumas marcas. Naturalmente, desde que abandonaste esta casa ela já tinha sido limpa várias vezes. Não obstante, algures num canto escondido encontro um cabelo teu sedoso, comprido, liso, que guardei dentro uma caixinha de recordações com um cadeado prateado. Arremessei a chave janela fora. Há medida que limpava ouvia XX. O último. Muito bom. E, mesmo contra a minha vontade, a minha mente flutuava até ti. Não consigo deixar de pensar em ti. Onde estás, como estás, se estás feliz, se estás triste, com quem estás, se o teu coração já se abriu para alguém, não consigo deixar de pensar em ti. É um inferno. Já disse tantas vezes que não voltava a escrever sobre ti e tantas vezes me menti a mim mesmo. Odeio-me por isso. Quero-te esquecer. Quero esquecer os bons e os maus momentos que contigo passei. Não que eu queira na realidade esquecer-te mas deixa-me doido. Estou fechado para o mundo. Enquanto te amar como te amo não vivo. E a minha vida continua. Não posso ficar agarrado a uma ideia, a um ser que se tornou abstrato, inexistente. Tudo na vida tem um momento. Uns perduram como tantas vezes quisemos acreditar. Outros não. O nosso passou do arco-íris ao obscurantismo. E no entanto amamos-nos. Ou melhor, pelo menos eu amo-te. E continuas presente nesta casa. Nas fotografias. Na fotografia, naquela do Cine Azurro que tanto gostamos. Uma vez disse-te que tinha que esconder as tuas marcas nesta casa. Não é possível. Não consigo. E ainda que consiga estás presente na minha memória. Passei as nossas últimas férias sozinho. Não sozinho, estive com amigos, uns velhos e outros recém-adquiridos, mas viajei muito sozinho. Nesses instantes olhando pelas janelas do autocarro, do comboio, no metro, o meu olhar via-te do outro lado da linha, sorridente e com o teu olhar terno de que tenho tantas saudades. Hoje estive a limpar casa. Na realidade a aspira-la e no entanto não consigo que as tuas memórias me abandonem. E sofro por isso.


segunda-feira, 27 de agosto de 2012

Sands of Time



Recordo-me perfeitamente de termos vistos este filme. E como o apreciámos dentro do género. Revi-o agora com os meus rebentos, em casa, longe de ti, longe de outra vida. Como eu gostava de controlar o tempo e voltar ao passado. Provavelmente teria sido tudo igual porque o destino só a nós nos pertence e seríamos as mesmas pessoas noutros tempos noutros lugares. Teríamos cometido os mesmo erros e virtudes. Teríamos vivido os mesmos momentos intensos que vivemos e que soubemos manter vivos nas nossas memórias. Teríamos-nos encarado da mesma maneira e beijado à tangente no parque de estacionamento do Monumental. Teria sido tudo igual e agora estaria aqui a escrever que gostaria de controlar o tempo e voltar ao passado. E teríamos cometido os mesmos erros e as mesmas virtudes. Teríamos nos abandonado mutuamente como nos abandonámos. O telefone manter-se-ia desligado e não nos teríamos encontrado semanas a fio. Porque foi assim que quisemos. Embora erradamente pensando que isso seria o mais acertado. Teríamos vivido os mesmos momentos intensos e esqueceria-mos-nos logo a seguir. Porque o tempo e as memórias não se apagam. Recordo-me perfeitamente de termos visto este filme e pensado como seria bom recordar e viver as memórias vezes e vezes sem fim. Encostados um ao outro no Beagel Channel bebendo chocolate quente e admirando aquela paisagem de poster de sala dos anos 70. Como eu me recordo de ter visto este filme contigo tendo voltado atrás no tempo e repetido os mesmos erros e as mesmas virtudes. Acompanhado dos meus rebentos, longe de ti, noutro tempo, noutra vida, noutro lugar. Como eu me recordo de tudo aquilo que se esfumou em areia, numa espiral desenfreada onde o amor que nos sentimos escorreu ampulheta abaixo, diluindo-se numa pequena partícula de areia no deserto dourado do Sahara onde nos amámos observados pelas estrelas do passado. Como eu me recordo perfeitamente e agora não. Se eu pudesse voltar atrás no tempo tudo teria sido igual porque somos as mesmas pessoas noutros tempos noutros lugares e estaria neste momento a escrever como gostaria de controlar o tempo. Só voltando atrás no tempo seria possível eu escrever estas palavras e faltar à promessa de não mais escrever sobre ti, sobre nós, noutro tempo, noutro lugar, noutra vida que criámos separadas.


No Woman No Cry

Ensaios Humanos

Ensaios Humanos
O comportamento humano é e continuará indecifrável. Ao longo da minha vida tenho encontrado pelo caminho seres de toda a espécie e feitio. Alguns são amigos para a vida, outro inimigos para a vida, outros indiferentes, mas sobretudo não consigo agradar a gregos e troianos, aliás uma característica que me põe de pé atrás em relação às pessoas. Isso e aquele género de racionais que perante o poder das chefias baixa a bolinha mas morde nos do lado e sobretudo nos que lhe estão abaixo, esse é realmente o género de pessoas que me provoca vómitos e infelizmente vamos encontrando pessoas assim pela nossa vida. Esse género de vil pessoa quando se arroga de ser grande defensor dos seus princípios morais torna-se num agente verdadeiramente emético. Eu conheço uns quantos. Mas, sem querer fugir aos ensaios humanos, outra característica interessante nalgumas pessoas é que só se interessam por nós quando estamos casados ou num relacionamento estável. O que me leva a pensar que o interesse não é no próprio em si, mas em tentar lixar a relação de alguém. E isso eu já sofri na pele, de uma forma ingénua e imperceptível para mim, alguém tentou minar e explodir a confiança depositada por mim. E quando existem as armas e os argumentos certos, ainda que porventura falsos, tal é possível. Não há nada mais pernicioso para uma relação do que a dúvida. Nunca mais nada será igual, pelo menos até que se faça tábua rasa. 
É possível testar esse género de pessoas num qualquer ensaio humano, basta que se acabe a relação e é vê-las a desaparecer após o seu terrorismo emocional. E isso para mim é incompreensível, mas de facto realista, há pessoas que só sentem prazer em afastar os outros. A razão nunca saberei. Mas é passível de ser testado e comprovado. E assim se vão conhecendo melhor as pessoas com que nos vamos defrontando ao longo de uma vida e aprender a avaliar melhor os outros, pelo menos mais cautelosamente. 
Ainda há pouco tempo fiz a experiência e voilá após uma hipótese e análise dos resultados, concluí que de facto há pessoas que de uma forma dissimulada, cobertas por pêlo de ovelha, se aproximam e tentam seduzir alguém que não lhes pertence. E se não é fácil à partida usam-se todas as armas de forma a destruir uma relação. Após esta estar destruída, perde-se o interesse. Há gente filha-da-puta. Devemos estar preparados para embater de frente com este género de seres humanos destruidores e não nos deixarmos influenciar por palavras venenosas. Não obstante, por vezes queremos e ansiamos ser envenenados acabando por agir contra a nossa vontade primordial. Felizmente a isso sempre resisti. 

domingo, 26 de agosto de 2012

The Moon

As noites de lua nova sempre me incomodaram. Habitualmente gosto de conduzir à noite, excepto nas noites de lua nova. Nunca percebi o porquê da definição de lua nova se ela não existe, se está completamente oculta, do outro lado do planeta. Não gosta da escuridão das estradas sem o brilho cintilante da nossa lua. A lua nova é na realidade como o meu mais recente amor. Não existe, embrenhando-me nas trevas. Se fosse possível apreciaria a permanência constante da lua cheia e brilhante. Adoro-a. E o meu amor real não teria dado lugar a um amor inexistente.
 Hoje morreu o Neil Armstrong, o primeiro homem a pisar o solo lunar... Se há experiências incríveis, essa deverá ter sido a sua derradeira. Ver o planeta azul ao longe, pisando o solo poeirento da lua só poderá ter sido fenomenal. 
Nós, comuns mortais, podemos-nos contentar em conseguir ver a Lua dos terraços e varandas dos nossos prédios. Tenho imensas dúvidas acerca da mesma, mas de facto, se esse satélite natural da terra consegue influenciar as marés pelas suas forças gravitacionais porque raio não há-de influenciar o ser humano, já que somos 75% água. Esta ideia não é originalmente minha, mas sim do senhor Antony (& the Jonhsons). Acho que ele está coberto de razão. E agora, vou dormir a pensar no meu lado lunar.




sexta-feira, 24 de agosto de 2012

Gay Bar

I dedicate to all my gay friends... para os assumidos e para os não...

Healed. (Almost)

Healed. Well. Almost. But i´m trying. And day by day i start to live my own life without faked hope. Its my last entry about You. About Us. Its not a promise. Its a fact. One day in another life maybe we keep together.

domingo, 19 de agosto de 2012

Dark Pool

Hoje encontrei uns óculos negros de natação. Lembro-me perfeitamente de os ter comprado. Como me lembro da toca cinzenta que usei uma única vez naquela piscina interior onde nos banhámos debaixo de mil e um olhares surpresos. Há momentos inesquecíveis e esse foi um deles. Curto. Muito curto. Mas marcante por tudo o que significou. A pouco e pouco as memórias vão-me surgindo e dilacerando-me por dentro. Questiono-me como posso impedi-las de me assolarem o espírito. Não são más memórias, muito pelo contrário, mas fazem-me sofrer porque fazem parte de um passado irrepetível. Lutei contra tantos preconceitos por te amar. E no final perdi-te na escuridão que nos assolou. 
Tento encontrar uma luz com esta escrita que ignoras. I dive into the dark pool without no return.


The worst scar is in my Heart

The worst scar is in my Heart. Don't You ever think about The opposite. Im not superficial, even when its the only thing i let people know...

quinta-feira, 16 de agosto de 2012

i tried. saudade. i tried. saudade. i tried.



I tried. I really tried. But i can´t take it anymore. How deep has to be the pain? And, in The End two people that love each other, or at least its the way that i understand, have to follow different routes. Abort Mission of loving you. You will stay forever alive in my memories. Now its for Real. If you deeply love me you will return. But right now i have to continue my life with tears and feeling lost. We never know if it will be to late. Saudade, the portuguese word that has no translation, its destroying me.