Ouço o "Brothers in Arms" dos Dire Straits em repetitivo. Olho para a estante e vejo ao longe os arquivos verdes da felicidade que já tive. Por vezes ponho em causa tudo o que já senti e não consigo vislumbrar um sentido para minha vida presente. As situações sucedem-se sem que eu dê conta. Na realidade não consigo ter objectivos bem definidos para tudo o que quero da vida. Quando se está no liceu anseia-se um curso e esforçamos-nos para tirar a melhor média possível. Depois surge o final da licenciatura sem que tivéssemos crescido o suficiente por dentro. A especialidade desejada ocorre-nos fruto de muito esforço... E depois o vazio. Já fiz muitas coisas em muito pouco tempo, mas na realidade sinto-me perdido no tempo. Os grandes objectivos desapareceram, quando o objectivo maior da felicidade esfuma-se nas rotinas em que perdemos o controlo. No atitude disfórica sinto-me distante de todos e de tudo. Não consigo perceber muito bem o que por cá ando a fazer. Tenho a perfeita noção que vivi demasiado intensamente em escasso tempo. Aos 33 anos já tenho dois filhos, um divórcio, uma carreira promissora, faço o que quero, quando quero... e no entanto, sinto-me completamente perdido neste mundo artificial que me rodeia. Na realidade não consigo entregar-me a ninguém, nem a mim mesmo. Raramente escrevo na primeira pessoa, mas hoje é o dia em que me apetece libertar um pouco a minha alma. Estas escritas são públicas e despudoradas, as íntimas, que já hoje escrevi guardo-as a sete chaves no meu Apple. Como já disse estive a rever os dossiers verdes da felicidade. Uma felicidade momentânea e curta mas que consigo recordar no brilho dos nossos olhos pelas ruas de Habana. Na realidade não se trata de personificar a pessoa que comigo viveu essa aventura, na realidade acredito que podia ter vivido a mesma felicidade com alguém em que eu tivesse projectado o mesmo ideal de mulher que construí na minha cabeça. Essa personagem fictícia que não existe para além dos meus neurónios temo que nunca mais renascerá... Sinto que nunca mais irei conseguir amar verdadeiramente. O muro de pedra gelada que construí à minha volta é demasiado alto para que consigas derreter com o teu calor. Não sei porque escrevo nem o que escrevo, na realidade as minhas palavras fluem quase directamente através das falanges automáticas. Na realidade quero flutuar 2 ou 3 segundos antes de me desfazer em mil pedaços no chão asfaltado a 15 andares da mesa onde escrevo estas palavras. Acendo um incenso de ópio e deixo-me levar pelo seu odor. Adormeço e acordo a sonhar com a musicalidade do teu olhar doce e terno...
sexta-feira, 5 de dezembro de 2008
Bodeguita del Medio
Ouço o "Brothers in Arms" dos Dire Straits em repetitivo. Olho para a estante e vejo ao longe os arquivos verdes da felicidade que já tive. Por vezes ponho em causa tudo o que já senti e não consigo vislumbrar um sentido para minha vida presente. As situações sucedem-se sem que eu dê conta. Na realidade não consigo ter objectivos bem definidos para tudo o que quero da vida. Quando se está no liceu anseia-se um curso e esforçamos-nos para tirar a melhor média possível. Depois surge o final da licenciatura sem que tivéssemos crescido o suficiente por dentro. A especialidade desejada ocorre-nos fruto de muito esforço... E depois o vazio. Já fiz muitas coisas em muito pouco tempo, mas na realidade sinto-me perdido no tempo. Os grandes objectivos desapareceram, quando o objectivo maior da felicidade esfuma-se nas rotinas em que perdemos o controlo. No atitude disfórica sinto-me distante de todos e de tudo. Não consigo perceber muito bem o que por cá ando a fazer. Tenho a perfeita noção que vivi demasiado intensamente em escasso tempo. Aos 33 anos já tenho dois filhos, um divórcio, uma carreira promissora, faço o que quero, quando quero... e no entanto, sinto-me completamente perdido neste mundo artificial que me rodeia. Na realidade não consigo entregar-me a ninguém, nem a mim mesmo. Raramente escrevo na primeira pessoa, mas hoje é o dia em que me apetece libertar um pouco a minha alma. Estas escritas são públicas e despudoradas, as íntimas, que já hoje escrevi guardo-as a sete chaves no meu Apple. Como já disse estive a rever os dossiers verdes da felicidade. Uma felicidade momentânea e curta mas que consigo recordar no brilho dos nossos olhos pelas ruas de Habana. Na realidade não se trata de personificar a pessoa que comigo viveu essa aventura, na realidade acredito que podia ter vivido a mesma felicidade com alguém em que eu tivesse projectado o mesmo ideal de mulher que construí na minha cabeça. Essa personagem fictícia que não existe para além dos meus neurónios temo que nunca mais renascerá... Sinto que nunca mais irei conseguir amar verdadeiramente. O muro de pedra gelada que construí à minha volta é demasiado alto para que consigas derreter com o teu calor. Não sei porque escrevo nem o que escrevo, na realidade as minhas palavras fluem quase directamente através das falanges automáticas. Na realidade quero flutuar 2 ou 3 segundos antes de me desfazer em mil pedaços no chão asfaltado a 15 andares da mesa onde escrevo estas palavras. Acendo um incenso de ópio e deixo-me levar pelo seu odor. Adormeço e acordo a sonhar com a musicalidade do teu olhar doce e terno...
segunda-feira, 1 de dezembro de 2008
Sem limites




Apesar de já ter postado estas fotos no "melhor blog da net" http://aturmadoespelho.blogspot.com, gostei tanto delas que resolvi também afixá-las no meu blogue pessoal. Porquê? Porque sim... - Porque sim não é resposta, porra. Tudo têm uma razão de existir. Apesar de não ser uma pessoa religiosa convencional tenho as minhas crenças e quero acreditar naquilo que quero acreditar... E na realidade acredito, não deixando no entanto de questionar. Era o que mais faltava deixar de questionar. Pela terceira vez esta semana estou de saída de banco... Consegui dormir 50% da mesma na minha caminha. Qualquer dia não conheço a cor dos lençois. Não obstante continuo a gostar de fazer bancos... Há tipos malucos não há? Ontem, os meus alunos foram ter comigo ao banco. Dar aulas é uma das grandes vantagens em trabalhar num Hospital Público Universitário... Apesar das remunerações miserabilistas que nos impingem continuo a acreditar piamente no Sistema Nacional de Saúde. Leccionar aulas práticas a jovens futuros médicos é para mim um desafio e um ganho pessoal... e também uma aprendizagem social, emocional e científica. Para além disso, projectar-me no papel deles é uma forma de eu tentar explicar e simplicar sem tornar simplista temas médicos que fazem parte da minha vivência. Naturalmente tenho os meus mestres como modelos e a forma como me foram tornando parte integrante dos seus conhecimentos e actuação clínica. Mas o mais importante é o meu regresso às origens e entender os alunos como colegas numa fase cronológica um bocadinho mais precoce. Por isto tudo, apesar de podre por mais um banco de 24 horas vou directo para a cama com um sorriso nos lábios (e não, não é o que estão a pensar!) porque me sinto bem entre inteligências vivas, frescas e com sentido crítico.
sexta-feira, 28 de novembro de 2008
momentos estáticos.
Faunas sobre mim. Playa del Carmen. México, há uns anitos atrás. Sempre gostei de bichos. Mas não de todos. Não sou assim tão eclético no que toca à bicheza. Na realidade odeio insectos voadores. Aliás, já passa para o conceito da fobia. Quando tenho abelhas à minha volta fujo sem olhar para trás... Uma vez ia-me espetando de carro à conta de uma Mr. Bee. Apesar de tudo adorei o filme "The Bee Movie". Tenho saudades dos tempos em que os Lagartos e os Papagaios se metiam comigo.
Estilo Indiana Jones no topo da pirâmide de Chinchiniza... Lamento, mas se ainda não foram lá nunca mais poderão ter uma foto desta amplitude. É que há coisa de 2 ou 3 anos, conta-se que caiu por lá uma alemã... e não ficou para contar a estória. Mas acho que é mentira, na realidade os milhares de pessoas que subiam e desciam os seus degraus estavam a dar cabo daquilo que é tão somente património da humanidade. Estas pelo menos sobreviveram à destruição castelhana. ;)Esta não conto... Se quiserem adivinhem... Assim como assim, já postei umas quantas no melhor blogue de fotografia da net... http://aturmadoespelho.blogspot.com
Gosto da perspectiva. Campo de Criptana, Rota do Dom Quixote, Terras de La Mancha, 2008.

Gosto da perspectiva. Campo de Criptana, Rota do Dom Quixote, Terras de La Mancha, 2008.
Peço desculpa por ter alterado a ordem dos comentários. Mas eu sou assim, gosto de confundir as pessoas!
quinta-feira, 20 de novembro de 2008
O Amor é Fodido, Miguel Esteves Cardoso
"Nascemos todos com vontade de amar. Ser amado é secundário. Prejudica o amor que muitas vezes o antecede. Um amor não pode pertencer a duas pessoas, por muito que o queiramos. Cada um tem o amor que tem, fora dele. É esse afastamento que nos magoa, que nos põe doidos, sempre à procura do eco que não vem. Os que vêm são bem-vindos, às vezes, mas não são os que queremos. Quando somos honestos, ou estamos apaixonados, é apenas um que se pretende. Tenho a certeza que não se pode ter o que se ama. Ser amado não corresponde jamais ao amor que temo, porque não nos pertence. Por isso escrevemos romances - porque ninguém acredita neles, excepto quem os escrevew. Viver é outra coisa. Amar e ser amado distrai-nos irremediavelmente. O amor apouca-se e perde-se quando se dá aos dias e às pessoas. Traduz-se e deixa ser o que é. Só na solidão permanece..."Adoro o pensamento do MEC, sempre adorei. Apesar de no início me irritar a sua vertente direita, de facto acho que no fundo sempre foi um homem de esquerda. Algo que veio a assumir há relativamente pouco tempo. Diz ele que virou à esquerda, eu acho que nunca tinha estado na direita, foram somente as más companhias. Sempre gostei do que ele escreve, mais do que fala. Era fã na minha adolescência da defunta revista K, para mim um marco naquilo que de melhor se publicou em Portugal. Deixo aqui um excerto do Amor é Fodido. Um livro que já li, mas infelizmente não tenho... Pode ser que alguém me o ofereça entretanto.
segunda-feira, 17 de novembro de 2008
Desilusão

Cada vez mais compreendo as pessoas que são duras, frias, impenetráveis e distantes. Na realidade cada vez me convenço mais que são elas a ter razão. Quando, de uma forma natural, se é genuíno, quente, despretencioso e de relacionamento fácil mais os outros têm tendência para ultrapassar os limites do bom senso. Há duas ou três frases-chavões com as quais eu não posso deixar de concordar. As coisas só correm mal quando nós nos pomos a jeito e se não nos pomos a pau eles sobem por nós acima e fazem por nós abaixo... Esta última, especialmente, é de uma inteligência e perspicácia porque é realmente isto que acontece...
Na minha vida tenho tido alguma dificuldade em impôr limites às pessoas... seja em relacionamentos amorosos, de amizade e mesmo profissionais... O que me tem trazido alguns dissabores. No entanto tenho a perfeita noção que não consigo mudar esta minha personalidade (superficialmente) adolescente... Quando mais eu penso que estou a ser transparente mais os outros perdem o respeito e deixam de me levar a sério. Quando na realidade eu sinto não me merecer que não me levem a sério. Sinto-me às vezes um verdadeiro "Santana Lopes"... o que não é nada abonatório a meu favor. Excepto a parte das gajas... Sim, porque sucesso entre as gajas não lhe falta. Percebem o que eu quero dizer... Lá estou eu a avacalhar a minha reflexão. Por isto tudo sinto-me desiludido, não com os outros por subirem por mim acima... mas comigo mesmo por não impôr limites. Isso faz-me recordar que tentarei ser mais frio, distante e começar a dar menos confiança. Porque há sempre quem não mereça.
domingo, 16 de novembro de 2008
Daguerreótipos
quinta-feira, 13 de novembro de 2008
Prioridades
Estou sentado na cama de um quarto de Hotel. Abro a janela e sinto os 5 graus nocturnos que envolvem Barcelona. Regresso a esta cidade donde sinto nunca ter partido. As razões que aqui me prendem são mais que muitas. Já aqui vivi momentos inesquecíveis... O meu filho Francisco é a prova viva. Ouço o "Oceano Pacífico" via WEB à medida que escrevo estas palavras. Elas fluem numa tentativa de aliviar o meu espírito envolto em arrependimento. Há momentos na vida de uma pessoa em que tudo parece desabar à nossa volta. Ocorrem-me quando sinto que me passo para o outro lado do razoável e trespasso os limites que a mim mesmo imponho. Cada vez mais considero que as crianças nunca se portam mal. Nós é que temos mais ou menos tolerância. Sinto-me destroçado por dentro. Zanguei-me com a minha filha Mafalda por uma asneira que ela fez... Isso não é dramático, faz parte do processo educacional zangarmos-nos com os nossos filhos. A forma como o fazemos é que pode ser mais ou menos adequada. Seja como fôr, cada vez que me zango com os meus filhos fico com um peso na consciência que me gela o coração. Ela compreendeu que tinha errado. Pediu-me desculpas, que imediatamente aceitei, mas mais importante do que pedir desculpas é uma criança perceber porque é que está a pedir desculpas - e ela soube exactamente onde tinha errado. Escrevo estas palavras porque hoje quando falei com os meus nenucos ao telefone senti na vozinha da Mafalda uma tristeza inconsolável, só comparável com a tristeza inconsolável que eu também sinto... E isso faz-me pensar nas prioridades que coloco na minha vida e em tudo o que eu gostaria de mudar no meu relacionamento com os outros... Porque, em última instância, tudo se resume no nosso relacionamento com os outros. De um momento para outro uma pessoa parte para o desconhecido e ficam enciclopédias de coisas por dizer, por fazer, por mudar, por sentir... e tudo deixa de fazer sentido. Vou voltar para a minha cama... ou melhor para a cama do Hotel quando na realidade queria era estar numa tenda beduína no meio do Sahara... é assim que me sinto, perdido numa imensidão de areia gelada nocturna onde os escorpiões andam a minha volta à espera do momento oportuno... E no entanto também eu errei... E por isso me arrependo.
sexta-feira, 7 de novembro de 2008
sábado, 1 de novembro de 2008
Tempo
É assustadora a forma como o tempo se esvai por entre os nossos dedos. Que sociedade é esta que nós estamos a criar ? E que legado vamos deixar para os nossos filhos? Apesar da esperança média de vida aumentar 1 minuto a cada minuto que passa, o facto é que cada vez vivemos menos. O tempo é realmente relativo. A velocidade que nos impomos a nós mesmos no mundo actual diminui-nos o tempo de vida, embora vivamos mais... Não sei se me conseguem compreender. Eu próprio não compreendo como as semanas chegam ao fim como se de um salto em comprimento se tratasse. É assustador. As segundas-feiras já não me deixam mal-disposto. Nos intervalos dos sonos rapidamente chego a próximo fim-de-semana. Tenho um ritmo que não pedi a ninguém. A minha vontade começa a ser fugir para alguma oásis onde o tempo passasse como antigamente. Acordo em stress para despachar os miúdos para ir para a escola e chegar a tempo ao hospital de forma a marcar a hora de entrada com controlo digital dentro do horário por mim definido. A hora de entrada tem que bater certo, já a de saída é uma incógnita e ninguém me paga mais por isso. Saio a correr do Hospital para o consultório para ao fim-da-tarde ir buscar novamente os rebentos e vir a correr para casa fazer trabalhos de casa e preparar o jantar. Entretanto saio a correr para os ir levar à mãe de forma a que não se deitem depois das 21.30. No dia seguinte estou de banco de 24h... frequentemente sem saída de banco no dia seguinte. Chego a casa à tarde onde me deito (um luxo) durante a tarde... isto quando não tenho consultório à tarde. A meio da semana o meu estado de zombie haitiano agrava-se... Quinta-feira é seguramente o pior dia. O dia after-after-day é aquele em que só me apetece meter-me nos meus lençois e babar em cima da almofada... Mas não me deixam. Sexta-feira another day of work... E rapidamente a semana chegou ao fim. Sem cinemas, sem leituras, sem televisão, o tempo (escasso) livre que tenho serve para estudar e programar a minha vida futura. Mas que porra de vida esta. Posto isto, naturalmente que os meus escapes são as viagens onde frequentemente me recuso a transportar um relógio por mais elegante que seja. Foda-se. Já estamos no Natal e ainda agora estou a acabar de desembrulhar os milhentos pijamas, boxers e meias que me ofereceram há 1 ano atrás. Ano esse que mais pareceram 2 ou 3 meses. Algo de muito errado se está a passar connosco e com a sociedade hipertiroideia que estamos alegremente a desenvolver. Qualquer dia morro de AVC, EAM, acidente de viação ou qualquer outra merda que me ponha termo à vida (Neo do pulmão por exemplo) e esta pouco significado teve... É fodido não é.
sábado, 25 de outubro de 2008
Swimming Pool
Mergulho.
Reflexão.
Autoretrato. De manhã, embora a custo, levantei-me cedo para ir à Natação com as minhas crias. Sazonalmente saco-lhes umas fotos na natação... desde os 6 meses de idade. É impressionante como nos sentimos dentro de água, um regresso às origens... Fiquei emocionado por ver a alegria que transbordam mas sobretudo porque a minha memória de evocação esteve ao rubro. O meu filho F. nadou todo o tempo com uma menina que já não anda no seu colégio, mas mantêm contacto através do Clube de Natação... Metia-se pelos olhos dentro o carinho com que ela o agarrava... Esses sentimentos puros e inocentes só se vivem em fases muito precoces da nossa vida. Recordei a minha primeira paixão no infantário, que deve ter sido muito forte para o facto de ainda hoje me lembrar daqueles olhos verdes e inocentes que me fintavam até adormecer a sesta em grupo (como só se faz nos infantários)... Depois disso vieram mais 3 ou 4 paixões ao longo da minha vida! Penso que atingi o limite aceitável de paixões on a life time. Escusado será dizer que as mais fortes foram as completamente platónicas e não correspondidas. É curioso que os sentimentos mais possessivos em relação aos outros revelam-se normalmente quando não os temos. Só se ama aquilo que nunca se tem verdadeiramente... Continua a ser uma realidade.
quarta-feira, 22 de outubro de 2008
segunda-feira, 20 de outubro de 2008
Mixed Up.
O circo acabou. Acabou porque tinha que acabar. Nunca gostei de circo... nem em miúdo. Palhaços... nem vê-los, sempre com aquele ar anencéfalo, a fazerem palhaçadas tristes sem gracinha nenhuma onde o humor máximo era arremessarem tartes de chantilly e agredirem-se mutuamente com chapadas sonoras dos pés no soalho. O circo realmente acabou... porque tinha que acabar. A certidão de óbito já estava há muito passada, desde a altura em que comprámos os bilhetes e sentamos-nos nas bancos corredios de madeira bichada... Tu não tens jeito para trapezista e eu sempre odiei ser palhaço... Embora frequentemente o seja, contra a minha vontade...
Mas fico de mão e pés atados perante as evidências. É mais forte do que nós. Tu com as tuas redes aracnófilas de viúva negra e eu envolto pela Grande Muralha da China.
Este foi o momento em que te passaste de vez para o lado oculto da minha mente... Quero-te eliminar de todos os bancos de memória conscientes. É difícil, eu sei, as presenças tornam-se hábitos, especialmente quando gostamos de alguém. Mas há certos limites que já não me atrevo a deixar trespassa-los. Thats life. A vida é feita de opções, uma roleta russa emocional... Cada um faz as suas... e quem quer dá-la... dá-la!
Regresso ao DarkSide na certeza que afogarei as mágoas em Vodka e Bolachas Maria... É pena não gostar de beber (pouco! :) ) e estar em regime dietético (a Tempo!). I hope you get the best you can find.
sábado, 18 de outubro de 2008
Ein kafig von krope




Há coisas estranhas que se nos ocorrem no intelecto. Uma delas foi de compartilhar convosco, anónimos ou não, alguns dos objectos que eu aprecio ter como companhia. Coisas simples, sem valor económico que justificassem o alarme que coloquei em casa ligado directamente às forças de autoridade (o medo é uma coisa tão linda). Não me perguntem porquê... mas há coisas que eu gosto muito e estas são um pequeno exemplo.
quarta-feira, 15 de outubro de 2008
Welcome to the Dark Side.
O conceito do Dark Side sempre me intrigou desde os tempos em que me deslumbrei pela primeira vez com a Star Wars. De facto, a eterna luta entre o Bem e o Mal sempre foi algo que me fascinou. O único senão é que não existe uma verdadeira fronteira entre o Bem e o Mal. Todos nós somos capazes de o ser simultaneamente. Um filme que explora bem esse conceito é o "8 mm". Quando morre um indivíduo, altruísta, figura central de uma família conservadora e imagem do bem imaculado e se vem a encontrar nos seus bens secretos um Snuff Movie. Não deixa de ser interessante que para o morto já nada interessa... Mas será mesmo assim. Na realidade quando nós desaparecemos fisicamente, ainda ficam por cá por algum tempo as nossas memórias, fotografias, filmes, objectos de culto, roupas... Enfim, se eu morresse neste preciso momento vítima de um AVC ou EAM as minhas palavras ficariam imortalizadas por mais algum tempo por este mundo cibernético e virtual... A minha fotografia em Sépia no Egipto longínquo manter-se-ia e iria ser visto por aqueles que cá continuassem, até que o verdadeiro holocausto ocorra e tudo desapareça, WEB incluído... Isto faz-me pensar sobre o verdadeiro "The Meaning of Life"... Mas que porra andamos nós por cá a fazer? Não chego a nenhuma conclusão... E no entanto as minhas palavra, produto da minha imaginação, em última instância meros sinais eléctricos e bioquímicos nesta massa biológica mais ou menos bem organizada, ficam por cá... ou não.
sexta-feira, 19 de setembro de 2008
Tunisia ´08



O que mais me agradou foi o facto da sociedade ser aparente mais evoluída (de acordo com os critérios ocidentais) especialmente no que concerne ao papel da mulher na sociedade. Raramente vi mulheres com burkha, poucas cobriam o cabelo e ocasionalmente algumas podiam fumar nos cafés (fantástico não). Os roupas usadas pelas mulheres jovens eram perfeitamente "normais" - jeans justas, decotes ousados, algumas de calções e mini-saias. Podem parecer ridículas estas considerações, mas para quem já visitou uma sociedade islâmica a sério estes são sinais de abertura muito grandes... O que nos faz pensar, até que ponto, as imagens estereotipadas que temos do mundo Árabe não sejam alimentadas pelos media e interesses ocidentais. Pode ser. Ah, mas por favor, acabem lá com essa mania de regatear os preços. Cada vez que fazia compras ficava com uma daquelas enxaq... migraine.
terça-feira, 12 de agosto de 2008
Para que não nos esqueçamos.

"No Comments" para esta foto publicada pela Amnistia Internacional. Só meu questiono perante uma simples coisita: "Porque raio os seres humanos têm a memória tão curta ?". De facto continuamos a apadrinhar países que violam constantemente os direitos humanos e a fingir alegremente como se, só por exemplo, os massacres que têm ocorrido no Tibete não passassem da nossa imaginação... Naturalmente podia dar milhares de exemplos de violações graves dos direitos humanos... começando pelo nosso próprio país e acabando nos EUA. Basta ler o relatório anual da AI para nos apercebermos o quanto selvagens nós somos uns para os outros... simplesmente já descemos das árvores.
sábado, 26 de julho de 2008
Ruptura

Que "dark blogue" este. É um blogue ciclotímico. Umas vezes em cima outras no vão da escada. Verdadeiramente bipolar. Mas é o blogue que se pode arranjar. Aqui pelo menos venho descarregar no balde do lixo certo. Tudo fica mais claro quando se atingem os momentos de ruptura. Umas vezes por nossa opção outras nem por isso. Na minha vida tenho tido algumas rupturas. Talvez pelo facto de ser Touro, como se isso tivesse alguma validade científica, sou teimoso e decidido. Podem ter tudo de mim... excepto quando não podem.
Neste momento atingi mais um momento de ruptura. Já tinham existido algumas ameaças de bomba. Não me calo. Nunca me calarei. Digo o que tenho a dizer sem temer as consequências. Ás vezes esta é uma atitude muito pouco inteligente. Mas nem sempre podemos brindar a inteligência. Não obstante, não fico com espinhas entaladas na garganta, quer tenha ou não razão. Mas a razão depende sempre do lado em que se está. Normalmente as discussões surgem porque ambos achamos que temos razão. Daí a necessidade de existirem juízes, divinos ou não, que do interior das suas túnicas de black velvet dão os veredictos. O meu veredicto foi dado por mim. Estou em fase de ruptura. E cada dia, cada hora, cada milésima de segundo que passa o fosso vai-se afastando. A placa tectónica da nossa relação caminha em sentidos opostos, provocando uns tremores de terra ocasionais. Mas as palavras que se usam deverão por vezes ser bem pensadas... Que não se pense que se pode ouvir, ler e aceitar tudo. Não. A ruptura surgiu e não mais voltará atrás. Dói é certo. Mas fazendo uma retrospectiva, dói menos do que todos os outros momentos em que claramente compreendemos que não se pode confiar em qualquer pessoa. E há pessoas que depois de nos falharem uma vez nunca mais terão hipótese de recuperação.
domingo, 20 de julho de 2008
Black Hole.

"Estes dias cinzentos entorpecem-me a mente. Estes dias cinzentos em que me fazes falta. São cinzentos porque me asfixiam. Penso em deixar de pensar, mas não consigo. Por vezes a pior forma de defesa é aquela que se nos cabe usar. Afastarmos-nos de tudo e de todos. Impedirmos alguém de se aproximar sequer da nossa intimidade. Nada acontece por acaso, nem o inevitável nem o evitável. Todas as vezes que se cede um bocadinho e a intimidade é exposta surgem as desilusões, os fracassos, as mentiras e as omissões. E o pior de todos os males: a vingança. Onde estavas tu quando eu por motivos de força maior não podia estar contigo? Eu sei onde estavas... e nem em pensamento foi ao meu lado. Limitavas-te a comunicar por telefone factos que me atormentavam como se o meu insucesso pudesse ser alma-mater para o teu sadismo."
De repente acordo, visto-me à pressa e vou para a praia. Todos os pensamentos que em espiral rodearam o meu espírito durante a noite se esfumam. Percebo os meus erros e a minha ansiedade em expô-los perante o mundo. Errare humano est. Mas alguns são demasiado recidivantes. Aqueles que se prendem com os sentimentos. A praia, apesar do cinzento do céu que nos brinda hoje, está agradável... A minha cadela Shiva, labrador, dócil e carinhosa, diverte-se a afugentar as gaivotas. Brinco com a minha reflex e saco uns negativos. Sim, porque as máquinas digitais não captam os verdadeiros momentos de luz. Entretanto chegas bamboleante como se nada de errado tivesse ocorrido entre nós... Tens o espírito menos pesado porque me atraiçoaste. O sabor da vigança faz-te sorrir perante mim. No teu íntimo julgas ter a razão do teu lado. Os teus mecanismos auto-desculpatórios sempre me fascinaram. Gostava de ser mais como tu. Mas não consigo. Os nossos diálogos nunca chegam a nenhum lado inteligível. Escrevo na areia o meu nome + o teu (Pedro + Sofia) e envolvo-os com um coração pingando gotas de sangue... Mais cedo ou mais tarde também esse deixará de pulsar. Mas essa é a história da nossa vida não é?
quinta-feira, 17 de julho de 2008
As palavras que nunca te direi.

Não percebeste nada. As palavras que nunca te direi. Adoro este título. Tem tudo a ver comigo. Há palavras que nunca te direi, porque sei que não as irás compreender... Não porque não consigas, mas simplesmente porque não queres. Ao contrário de ti o meu passado reside nas minhas memórias... Naquilo em que eu fui e no que me transformei. Faz parte de mim, das minhas reflexões, das minhas vivências... É o passado que condiciona tudo aquilo que eu sou no presente. Mas foi ultraPASSADO. Apesar de me manter conectado por algumas teias que me irão acompanhar até ao final dos meus dias. Os textos não se podem ler à letra, correndo o risco de os ridicularizar e de nos ridicularizarmos-nos a nós próprios. O interessante de algumas escritas é revelarem aquilo que de mais obscuro existe na nossa mente... e aí cada interpretação individual poderá ser feita. Ainda que não corresponda à realidade. Essa mesmo que teimas em não querer ver. É a tua opção e contra isso não há nada a fazer. Não obstante, tudo deve ser interpretado com uma mente aberta e sem preconceitos néscios à partida.
domingo, 6 de julho de 2008
Saudades de mim.

Já não escrevia há imenso tempo neste blogue. Não tenho tido vontade. Cedi à rotina mundana do circuito casa/trabalho. Tenho saudades de mim noutros tempos. Faz-me falta voltar atrás no tempo e resolver pequenas coisinhas que nunca ficaram resolvidas. Imensas coisas mudaria nas minhas opções. Outras nem por isso. Confesso que nem sei muito bem porque estou a escrever, ou mesmo o que escrever. Há momentos na minha existência em que a reflexão e o saudosismo de mim mesmo, de outras épocas, de outras vivências, de outros cheiros, de outras pessoas, de outros caminhos, de outras músicas, de outros livros, de outra pessoa que não eu vestido com esta pele, me trazem à memória as diferentes fases em que passamos como se de embriões se tratasse. Fora do ambiente uterino, para onde eu queria regressar. Deixem-me voltar ao útero. Fartei-me desta vida mesquinha e pequenina onde se dão importância a coisinhas que na realidade não têm importância nenhuma.
Quero renascer sem guerra à minha volta. Quero renascer numa noite diferente daquela em que bombardeavam a maternidade onde nasci. Quero viver a minha infância sem as inseguranças que julguei nunca sentir. Quero passar a minha adolescência sem o estigma do melhor aluno da turma. Quero optar por tudo aquilo que não optei. Gostava de ser fotógrafo. Virar costas às elevadas responsabilidades e limitar-me a fotografar as vivências dos outros. Quero reencarnar o meu avo Rui e morrer aos 42 anos com cancro de lábio. Quero sentir que sou um pai sem cometer os erros de outros pais. Quero me apaixonar loucamente como no dia em que te conheci à porta do cinema. Quero partir sem destino por essa Espanha que sempre amámos. Quero apaixonar-me por aquela minha projecção idealizada, que na realidade não eras tu. Quero poder viver sem dinheiro. Quero me despojar de todos os bens materiais e falsas necessidades que artificialmente nos tentam impingir. Gostava de ser artista no verdadeiro sentido da palavra. Gostava de morrer subitamente, não sem antes deixar um legado qualquer. Tenho saudades de mim noutros tempos. Das longas conversas no jardim em frente à minha casa naquelas noites quentes de Verão que parecem ter morrido. Gostava de andar novamente com os joelhos esfolados das vezes em que caia de bicicleta. Gostava de puder dizer não a todas as opções que fizeram por mim. Tenho saudades de tudo aquilo que não fui.
quarta-feira, 28 de maio de 2008
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